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Correio Braziliense

Itália é isolada por coronavírus, mas China tem alívio da epidemia

O novo coronavírus contagiou 114.151 pessoas em 105 países e territórios


postado em 10/03/2020 13:18 / atualizado em 10/03/2020 17:56

(foto: ATTA KENARE)
(foto: ATTA KENARE)
Roma, Itália - Sessenta milhões de italianos receberam a ordem de ficar em suas casas nesta terça-feira (10), uma medida sem precedentes para tentar frear o avanço do novo coronavírus, que parece dar um respiro para a China, onde algumas restrições foram suspensas, e o presidente Xi Jinping anunciou que a epidemia está "praticamente contida" em seu epicentro - a cidade de Wuhan.

Um dia depois de uma queda espetacular, as bolsas mundiais operavam no azul nesta terça, aliviadas pela recuperação do preço do barril de petróleo e pela esperança do anúncio de medidas fiscais nos Estados Unidos.

Desde sua aparição, no final de dezembro, o novo coronavírus contagiou 114.151 pessoas em 105 países e territórios. Delas, 4.012 morreram, segundo o último balanço da AFP, com números oficiais disponíveis nesta terça de manhã. A doença já se aproxima do status de uma pandemia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
 
Fora da China, o número simbólico de mil mortos foi ultrapassado, com vítimas fatais principalmente na Itália (631 óbitos), Irã (291), Coreia do Sul (54) e Espanha (36). Sem mencionar que, como consequência da epidemia, "escolas foram fechadas em 15 países, afetando 363 milhões" de jovens, alertou a Unesco. 

Após a Itália e a República Tcheca, a Grécia anunciou nesta terça o fechamento de todas as suas escolas. Um dia depois de uma queda espetacular, as bolsas mundiais operavam no azul nesta terça, aliviadas pela recuperação do preço do barril de petróleo e pela esperança do anúncio de medidas fiscais nos Estados Unidos. 

Supermercados vazios 


"Todos para casa, tudo fechado", eram as manchetes da imprensa italiana nesta terça, resumindo desta forma o decreto sancionado pelo chefe de governo, Giuseppe Conte, que decidiu estender para todo país as medidas que já haviam confinado a população do norte da península desde domingo.

"Vou assinar um decreto que pode ser resumido assim: 'Vou ficar em casa' (...) Toda Itália será uma zona protegida", afirmou, em tom grave.

Todos os italianos deverão "evitar os deslocamentos", salvo para ir trabalhar, comprar víveres, ou receber cuidados médicos. Todas as reuniões multitudinárias também estão proibidas.

Desde segunda à noite, as pessoas correm até os supermercados para comprar comida para poderem ficar vários dias em casa. "É como se tivesse uma guerra", resumia um comerciante.

"Macarrão, molho de tomate, atum e papel higiênico são os produtos mais solicitados", comentou Michele, funcionário de um estabelecimento em Roma. Por enquanto, estas novas medidas não preveem "limitar os transportes públicos para garantir a continuidade" da atividade econômica e "permitir que as pessoas vão trabalhar", afirmou Conte.

Nesta terça, as companhias aéreas British Airways, irmã da Iberia no International Airlines Group, e a Ryanair anunciaram o cancelamento de todos os seus voos para a Itália. A Espanha também anunciou que suspendia todas as suas conexões aéreas com Itália e Áustria. O governo espanhol deixará entrar no país apenas pessoas procedentes da Itália que tenham um atestado médico.

O Vaticano decidiu fechar a basílica e a praça de São Pedro ao público até 3 de abril. Horas antes, o papa Francisco pediu aos sacerdotes que tenham "a coragem de sair e ir visitar" os contagiados pelo novo coronavírus.

A Itália se torna, assim, o primeiro país do mundo a estender para todo seu território medidas draconianas, visando ao combate desta epidemia que já deixou 463 mortos e contaminou cerca de 9.000 pessoas.

Epidemia 'praticamente contida' 


A China também confinou um grande número de pessoas para deter a epidemia. Ao todo, 50 milhões de cidadãos tiveram de permanecer em suas casas na província de Hubei, epicentro da Covid-19, mas a Itália foi a primeira a tomar medidas desta magnitude em todo seu território.

Ao contrário do que acontece na Itália, na China, algumas medidas restritivas foram suspensas nesta terça, coincidindo com a visita do presidente Xi Jinping a Wuhan. A cidade é capital da província de Hubei, onde a epidemia surgiu. Xi conversou com doentes e médicos por videoconferência, conforme fotos divulgadas pela imprensa local.

O presidente considerou que "a propagação da epidemia estava praticamente contida", e as autoridades locais anunciaram uma flexibilização parcial do confinamento imposto aos habitantes desta província, isolada desde final de janeiro.

Nesta terça, houve apenas 19 novos casos de contágio no país, um número ínfimo, se comparado com as centenas anunciadas em fevereiro.

Na Europa, além da Itália, a Espanha é um dos países mais afetados, com 1.622 contágios e 35 mortos. Nas três zonas mais afetadas, a região de Madri, La Rioja e dois municípios do País Basco, as aulas foram suspensas por 15 dias.

Além disso, a Liga espanhola anunciou que todas as partidas de futebol vão acontecer a portas fechadas por duas semanas. O governo grego divulgou hoje sua decisão de fechar todas as escolas e universidades.

Apenas o início 


No mundo inteiro, os países multiplicam suas medidas para amenizar os contágios. No Japão, as autoridades poderão confiscar prédios para usá-los como hospitais. Na Eslováquia, missas nas igrejas foram proibidas e, na República Checa, escolas foram fechadas.

O Irã anunciou 54 mortos nas últimas 24 horas. Trata-se do saldo diário mortal mais grave no país, onde o número de contágios passa de 8.000, e o de mortos está em 291. "Estamos apenas no início desta epidemia" na França, advertiu o presidente Emmanuel Macron.

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