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Escalada de tensão preocupa o Iraque

Correio Braziliense
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postado em 13/03/2020 04:15



Numa escalada de violência que preocupa Bagdá e as Nações Unidas, pelo menos 26 milicianos iraquianos favoráveis ao Irã morreram, ontem, em ataques aéreos da coalizão internacional no leste da Síria. Foi uma resposta à morte de dois americanos e de um britânico em uma base militar no Iraque, considerada sem precedentes nos últimos anos no país. Oficialmente, ninguém assumiu a autoria do bombardeio de ontem. O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, e seu colega britânico, Dominic Raab, exigiram que os autores dos ataques contra a base "prestem contas", segundo o Departamento de Estado norte-americano.

No fim do ano passado, bombardeios aéreos americanos, na fronteira do Iraque com a Síria, causaram a morte de 25 milicianos. Poucos dias depois, em 3 de janeiro, os Estados Unidos mataram em Bagdá o general iraniano Qassem Soleimani e seu adjunto iraquiano. Desde o fim de outubro do ano passado, somam 22 os ataques contra interesses americanos no Iraque, atribuídos por Washington a facções pró-Irã. Com frequência, esses grupos prometem "vingar" seu líder, o líder paramilitar iraquiano Abu Mehdi Al Muhandisva, que morreu com Soleimani.

Os últimos acontecimentos são bastante preocupantes. Liderado pelo primeiro-ministro demissionário Adel Abdel Mahdi, o comando militar iraquiano denunciou o ataque contra a coalizão, afirmando se tratar de um "desafio de segurança muito perigoso". O presidente do Iraque, Barham Saleh, e o presidente do Parlamento, Mohamed al-Halbusi, também condenaram a ofensiva.

Já a missão da ONU no país fez um apelo à "máxima moderação", afirmando que "o risco de atos criminosos de grupos armados é uma preocupação permanente" no território iraquiano, que "não precisa se transformar em uma arena para as vinganças e para as batalhas originadas em outros lugares".

O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, disse que "todas as opções estão sobre a mesa" e que o presidente Donald Trump lhe deu "autorização para fazer" o necessário. "Permita-me ser claro: os Estados Unidos não tolerarão os ataques contra nosso povo, nossos interesses ou nossos aliados", alertou Esper. "Como demostrado nos últimos meses, tomaremos as ações necessárias para proteger nossas forças no Iraque e na região", acrescentou.

As autoridades iraquianas se encontram em uma posição incômoda ante a coalizão. Continuam realizando operações com suas tropas contra os extremistas, mas o Parlamento aprovou, recentemente, a expulsão do país dos 5,2 mil soldados americanos estacionados no território. Agora, o governo deve fazer cumprir a decisão.




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