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Correio Braziliense

Avanço da pandemia de coronavírus isola a Europa

A França, que já registra mais de 6.600 infecções e 148 mortes, seguiu os passos da Espanha e da Itália nesta terça-feira e, a partir do meio-dia, seus 67 milhões de habitantes iniciaram o confinamento geral


postado em 17/03/2020 11:35 / atualizado em 17/03/2020 12:10

(foto: NORBERTO DUARTE/AFP)
(foto: NORBERTO DUARTE/AFP)
Paris, França - Fronteiras fechadas, confinamento geral, a economia à beira do abismo e uma grande incerteza mundial. A pandemia do novo coronavírus, que já deixou mais de 7.000 mortos no planeta, continua avançando de modo inexorável e paralisando a vida de milhões de pessoas.

A França, que já registra mais de 6.600 infecções e 148 mortes, seguiu os passos da Espanha e da Itália nesta terça-feira e, a partir do meio-dia, seus 67 milhões de habitantes iniciaram o confinamento geral, em meio à "guerra" contra o Covid-19, nas palavras de seu presidente, Emmanuel Macron.

"Sinto-me um pouco ansiosa com a ideia de ter que ficar em casa por 15 dias. Moro sozinha em um apartamento pequeno", disse Caroline, uma funcionária pública de 40 anos, ao voltar para casa em Paris depois de fazer compras no supermercado. Outros franceses escolheram deixar a capital francesa na segunda-feira à noite, um êxodo semelhante ao experimentado em Madri dias antes.

Os espanhóis vivem em quase confinamento desde sábado. E, apesar dos sinais de uma ligeira "desaceleração", segundo o responsável pelas emergências de saúde Fernando Simón, os casos de contágio aumentaram nesta terça-feira em quase 2.000 em apenas 24 horas e atingiram 11.178. As mortes no país já chegam a 500.

A Europa se confirma como o atual epicentro da pandemia, que começou na China em dezembro e matou pelo menos 7.064 pessoas desde então e infectou mais de 180.090, segundo um balanço da AFP. Em toda cidade grande, a vida parece ter sido suspensa. Não há barulho, as ruas estão quase desertas, exceto pelas filas de supermercados, farmácias e padarias. A desconfiança e medo tomam conta.

Embora distantes da situação na Europa (63.941 infecções, 2.738 mortes) ou na China continental (80.881, 3.226), os países da América Latina, com pelo menos 990 casos confirmados de infecção e 9 mortes, começaram a tomar medidas semelhantes para fechar fronteiras e restringir a entrada de viajantes. 

Na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro decretou "quarentena total" no país. No Brasil, que confirmou a primeira morte pelo coronavírus, os habitantes do estado do Rio de Janeiro e da cidade de São Paulo estão em estado de emergência.

Uma loucura

 
Para a OMS, que pediu aos países que não poupem os testes de triagem porque "ninguém pode combater um incêndio com os olhos vendados", esta é "a crise mundial de saúde que definirá nossa era". Seus efeitos econômicos são cada vez mais visíveis, principalmente no setor de turismo e transporte.

Da Bélgica à França, passando pela Espanha, as imagens se repetem. Macarrão, arroz, papel higiênico e lenços somem das prateleiras nos supermercados. "É uma loucura", suspira um estoquista em Paris, que prefere não se identificar. Anos após o colapso financeiro de 2008, o fantasma da recessão paira sobre a economia: o presidente dos EUA, Donald Trump, considera esse cenário "possível" em seu país, assim como a Comissão Europeia.

As sete potências econômicas mundiais, o G7, disseram na segunda-feira que estão prontas para fazer "o que for preciso" para restaurar o crescimento global, seja por meio de medidas orçamentárias ou monetárias. A França não descartou nacionalizar empresas. O governo italiano, o segundo país mais afetado no mundo pelo vírus, com mais de 2.000 mortes e 27.000 infecções, planeja nacionalizar a companhia aérea Alitalia, em grandes dificuldades há anos. 

Os governos multiplicam seus anúncios milionários para proteger empresas e empregos. A França propõe investir quase 50 bilhões de dólares; Nova Zelândia, cerca de 7 bilhões; e Brasil, cerca de 28 bilhões. Apesar de uma abertura dinâmica e esperançosa, as bolsas europeias voltaram a operar com perdas no meio da manhã. Wall Street abriu em alta após o declínio brutal de segunda-feira.

UEFA, Chile, Lourdes 

 
Além da economia, a pandemia de Covid-19 também atinge outros setores: da política, com todo o governo polonês em quarentena, à cultura e o fechamento de cinemas, museus e universidades nas grandes cidades, passando pelo esporte. As eleições primárias nos Estados Unidos foram adiadas em vários estados, como Ohio. Os franceses escolherão seus últimos prefeitos em junho, depois de um polêmico primeiro turno no domingo.

E, nas margens do Oceano Pacífico, o avanço do coronavírus no Chile, com 156 casos, poderia forçar o adiamento do referendo de 26 de abril sobre a reforma da Constituição, considerada chave para interromper os protestos sociais. No campo esportivo, a UEFA adiou a Eurocopa de futebol, que aconteceria em 12 países europeus simultaneamente. No momento, o COI se recusa a decidir sobre um possível cancelamento das Olimpíadas de Tóquio em julho.

Nesta terça-feira, a Conmebol também anunciou que a Copa América 2020, que seria realizada entre junho e julho na Argentina e na Colômbia, será adiada para 2021. A religião também não está escapa da crise. O santuário de Lourdes, no sul da França, que atrai milhões de peregrinos católicos a cada ano, também fechou as portas "pela primeira vez em sua história". 

À medida que a epidemia progride, os cientistas travam uma corrida contra o relógio para encontrar uma vacina. Estados Unidos e a Rússia anunciaram testes para tentar obter uma vacina nos próximos meses.



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