Mundo

Não adiantou brincar com fogo

Correio Braziliense
postado em 25/03/2020 04:36
Corretíssima, mas demorada e desgastante a decisão de adiar os Jogos de Tóquio-2020 para 2021 devido à pandemia do novo coronavírus. Cartolas de coração bem mais duro, como os da Fifa, Uefa e Conmebol, haviam adiado  Eurocopa e Copa América para 2021, paralisado a Champions League, a Libertadores; e até arquivado o lançamento do novo Mundial de Clubes. Enquanto isso, o teimoso COI queimava o próprio filme “brincando” de acender tocha na Grécia. 

Os Jogos Olímpicos de Tóquio protagonizam momento inédito. Até então, somente as guerras haviam alterado radicalmente o planejamento. Desta vez, o inimigo é invisível: a Covid-19 se espalhou por todos os continentes do planeta. Mata. Porém, o COI resistia.  

A contar de Atenas-1896, os Jogos sofreram múltiplos boicotes de grandes e pequenas nações, quase sempre por questões políticas. Suportaram, ainda, dois atentados terroristas com o evento em andamento. Nem assim a celebração do esporte parou. Adiamento é inédito. Há registros de cinco cancelamentos: três em edições dos Jogos de Verão — Berlim-1916, Tóquio-1940 e Londres-1944 — e dois nos de Inverno — Sapporo-1940 e Cortina d’Ampesso-1944. Todos devido às guerras mundiais.

A segunda edição dos Jogos, em Tóquio, foi adiada, mas a primeira teve decisão mais drástica: cancelamento. Os japoneses insistiram para manter o evento em meio à guerra Sino-Japonesa (1937-1945), mas perderam o direito para Helsinque, na Finlândia, que havia sido uma das derrotadas na escolha feita em 1932, ao lado de Roma e Barcelona. No fim das contas, Tóquio ficou sem os Jogos, mas Helsinque também. A II Guerra Mundial inviabilizou as edições de 1940 e de Londres-1944. Coincidência: em 1940, o confronto da China com o Japão prejudicou os Jogos de Tóquio-1940. Agora, a pandemia iniciada na China. Há quem atribua a uma maldição a cada 40 anos. Não houve Olimpíada em 1940, rolou boicote em Moscou-1980 e adiamento em 2020.  



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