Mundo

Espanha interrompe as atividades não essenciais

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 29/03/2020 04:06
Sindicato Popular dos Vendedores de Rua de Barcelona fabrica máscaras para profissionais da saúde

A Espanha, segundo país do mundo com mais mortos pelo novo coronavírus, interromperá todas as ;atividades não essenciais; por duas semanas, de amanhã a 9 de abril, para impedir a disseminação do novo coronavírus. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

A medida reforça o confinamento da população decretado em 14 de março e vigente até 11 de abril, em um país que, ontem, registrou 832 mortos pelo novo coronavírus em 24 horas, novo recorde diário. ;Todos os trabalhadores de atividades não essenciais terão de ficar em casa nas próximas duas semanas, como fazem no fim de semana;, declarou Sánchez, citando como exemplo o setor da construção, que continuava em atividade, apesar do confinamento.

O premier informou que a medida será aprovada em um conselho extraordinário de ministros, hoje. Segundo ele, o objetivo é ;reduzir ainda mais a mobilidade das pessoas;, prevenindo, assim, a expansão da epidemia, e ;descongestionar; os hospitais, muitos deles saturados nas áreas mais castigadas do país, como Madri e Catalunha.

Os trabalhadores afetados ;continuarão recebendo seu salário normalmente e vão recuperar as horas de atividades não cumpridas paulatinamente. ;Estamos enfrentando as horas mais duras, mais tristes, mais amargas;, reforçou Sánchez, em pronunciamento na TV.

Em nível logístico, o governo tenta conseguir, em um mercado internacional tenso, material de proteção para os profissionais da área da saúde. Também busca adquirir testes rápidos de diagnóstico. Ontem, o Exército do Ar enviou um avião à China para buscar uma parte, informou o general Miguel Ángel Villarroya.
Patricia Lacruz, diretora-geral de Farmácia do Ministério da Saúde, comentou que a Espanha ;contratou capacidades de produção; na China e fechou contratos de material sanitário no valor de 628 milhões de euros. Com esse dinheiro, serão comprados 659 milhões de máscaras para pacientes e mais de 30 milhões para profissionais. A companhia aérea espanhola Iberia e o consórcio europeu Airbus criaram um corredor aéreo com o país asiático para levar à Espanha toneladas de material sanitário.

França
A França anunciou, ontem, que houve 319 novas mortes em 24 horas, elevando o número de mortes da Covid-19 para 2.314. Segundo o último balanço, o número de infectados aumentou para 37.575, dos quais 17.620 estão hospitalizados (+1.888) e 4.273 em terapia intensiva, 486 pessoas a mais em um único dia. Outros 6.624 pacientes puderam voltar para casa nas últimas 24 horas, após superar a pneumonia.
Segundo dados publicados ontem, as regiões com mais pessoas hospitalizadas são Paris e seu entorno (Ile de France), com 6.523, delas 1.570 em terapia intensiva; o Grande Leste (3.525, sendo 756 em terapia intensiva) e Auvérnia-Ródano-Alpes (1.904, dos quais 432 em terapia intensiva).

O primeiro-ministro Edouard Philippe alertou os franceses de que ;os primeiros 15 dias de abril serão ainda mais difíceis do que os 15 que acabaram de passar; na luta contra a pandemia, ;que apenas começou;.
O ministro da Saúde, Olivier Veran, informou que o país encomendou ;mais de um bilhão; de máscaras da China. ;Um transporte aéreo estreito e intenso foi estabelecido entre a França e a China para facilitar a entrada de máscaras em nosso território;, disse o ministro, durante uma conferência de imprensa, na qual lembrou que o país precisa de 40 milhões de máscaras por semana.

Reino Unido

O Reino Unido superou a barreira de mil mortes por coronavírus, de acordo com os números divulgados ontem. Houve 260 mortes em 24 horas. O balanço mostra uma clara aceleração da propagação da doença no país ; 1.019 óbitos e 17.089 casos confirmados.

As iniciativas multiplicam-se para fornecer com urgência equipamentos de proteção. A Casa da Moeda, que geralmente cunha moeda, planeja fabricar até quatro mil óculos de proteção de plástico por dia. A marca de luxo Burberry anunciou que produzirá roupas e máscaras não cirúrgicas para pacientes em sua fábrica de Castleford, em Yorkshire (norte), onde costumam produzir suas capas de chuva icônicas.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação