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Correio Braziliense

Exército de costureiros se mobiliza nos EUA para equipar profissionais

Costureiros voluntários se mobilizam para equipar profissionais da saúde com máscaras e roupas


postado em 31/03/2020 09:51 / atualizado em 31/03/2020 09:58

Jeremy Reitman exibe um escudo facial de equipamento de proteção pessoal (EPI) de qualidade médica para médicos e enfermeiros, que ele fabricou em sua garagem em impressoras 3D em Calabasas, Califórnia, EUA.(foto: Robyn Beck / AFP)
Jeremy Reitman exibe um escudo facial de equipamento de proteção pessoal (EPI) de qualidade médica para médicos e enfermeiros, que ele fabricou em sua garagem em impressoras 3D em Calabasas, Califórnia, EUA. (foto: Robyn Beck / AFP)
Milhares de costureiros amadores e clubes de costura de Nova York a Los Angeles começaram a trabalhar para acabar com a escassez de máscaras e roupas de proteção para os profissionais da saúde que trabalham com pacientes com coronavírus nos Estados Unidos.

Bettina d'Ascoli, moradora de Hastings-on-Hudson, uma pequena cidade ao norte de Nova York, administra um pequeno clube de costura e mobilizou sua rede.

Ela viu que na Europa as pessoas começaram a fabricar máscaras, então decidiu experimentar diferentes padrões e depois compartilhou os melhores modelos com seus contatos.

"Recebi imediatamente respostas de médicos, enfermeiros, voluntários", diz a venezuelana de 47 anos. "Algo bonito no meio deste horror".

Hoje, conta com uma pequena equipe de seis pessoas que coordena cerca de 50 voluntários e gerencia "centenas" de pedidos dos centros médicos.

O mesmo entusiasmo existe no clube de costura The Stitch House, perto de Boston, diz sua gerente, Annissa Essaibi-George, também vereadora da cidade.

Uma de suas amigas lançou há duas semanas um pedido nas redes sociais por máscaras. Ela imediatamente o repassou para todos os seus contatos, parte dos quais já havia se mobilizado para tricotar os famosos gorros de lã rosa com orelhas de gato da Marcha das Mulheres.  

"Já temos cerca de 2 mil máscaras" para vários centros de saúde da região, disse à AFP. "Algumas pessoas fazem duas ou três, outras 100, dependendo de seu tempo livre e experiência", explicou.

Para incentivá-las, Essaibi-George já organizou sessões de costura por meio do aplicativo Facebook Live. 

"É uma ocasião de se reunir", afirma. "Eles nos pedem para ficar em casa, para manter distância, mas é realmente importante permanecer conectados".

Em Los Angeles, Jamarah Hayner, de 35, formou uma equipe de voluntários para costurar roupas cirúrgicas após entrar em contato com funcionários de hospitais locais.

"Há muitas pessoas trancadas em casa com seus filhos que estão ficando um pouco loucas" e precisam de uma atividade como essa, disse a especialista em relações públicas.

Mylette Nora, uma costureira de Hollywood que criou seu próprio modelo, estima que um voluntário treinado pode fazer uma túnica em 15 ou 20 minutos.

"Costuro oito, dez seguidas", conta.  

Particulares e empresas

O esforço vai além dos voluntários particulares neste país, com o maior número de casos no mundo. Já são mais de 153 mil e quase 3 mil mortes nos EUA.

No Brooklyn, duas pequenas empresas de design instaladas em um grande hangar se uniram para começar a produzir máscaras a granel na semana passada.

No sábado, já tinham fabricado 50 mil, e a meta é chegar a 360 mil, disse Mike Duggal, chefe de uma das duas empresas.

Um esforço "inspirador e magnífico", de acordo com o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, que continua exigindo mais equipamentos de proteção para o pessoal médico.

Michael Perina, chefe de uma pequena empresa de impressão 3D em Nova York, reconfigurou sua produção para fazer viseiras protetoras, graças aos fundos coletados na plataforma GoFundMe, onde relata como o projeto está progredindo.

O material criado nem sempre atende aos padrões necessários para o pessoal médico mais exposto ao coronavírus.

As máscaras de Bettina d'Ascoli ou de Annissa Essaibi-George devem ser usadas por cima das aprovadas, para economizá-las, asseguram. 

Muitos dizem que são incentivados por esses esforços, mas Jamarah Hayner também destaca as deficiências do governo. 

"Estamos felizes em fabricá-las, embora não devêssemos precisar ter que fazer isso", diz ela. Mas "não vamos deixar as pessoas morrerem, porque em Washington não conseguem se organizar", completou.

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