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Pandemia: sob sombra da Grande Depressão, líderes mundiais buscam respostas

Devido ao coronavírus, já são mais de 90.000 mortos no mundo

Agência France-Presse
postado em 09/04/2020 17:12
Devido ao coronavírus, já são mais de 90.000 mortos no mundoBruxelas, Bélgica - Os dirigentes mundiais tentam, nesta quinta-feira (9) deixar de lado suas divisões para aportar respostas concretas para a pandemia do novo coronavírus, que deixou mais de 90.000 mortos no mundo e ameaça mergulhar o planeta em um desastre econômico sem precedentes.

A pandemia provocará "a pior queda econômica desde a Grande Depressão" de 1929, que pode atingir especialmente as regiões mais vulneráveis, como a América Latina, alertou a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.

Com este panorama, os ministros europeus das Finanças iniciaram esta tarde uma videoconferência para buscar uma resposta econômica comum à crise, após um primeiro encontro que terminou em fracasso esta semana.

Os países do norte, especialmente Holanda e Alemanha, e do sul se enfrentam sobre uma possível mutualização da dívida. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, chamou os 27 membros a negociar "ombro a ombro" para responder à crise com medidas orçamentárias.

Pela primeira vez desde o início da pandemia, o Conselho de Segurança da ONU se reúne também nesta quinta para tentar esquecer suas desavenças, especialmente entre Estados Unidos e China, em um encontro por videoconferência a portas fechadas, dedicado à COVID-19.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que é "o momento da unidade" e não de críticas, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenou a gestão da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os principais países produtores de petróleo, encabeçados pelos membros da Opep, celebraram nesta quinta-feira por videoconferência conversas para tentar acordar uma redução na produção que ponha fim à queda vertiginosa de preços devido à pandemia e à redução brutal da demanda.

Segundo o ministro kuwaitiano do Petróleo, Khaled al Fadhel, o objetivo é "restabelecer o equilíbrio do mercado e impedir novas quedas nos preços" e por isso se propõem a reduzir a produção de 10 a 15 milhões de barris diários.

"O incêndio" da pandemia


Enquanto isso, a pandemia não dá trégua e segue se espalhando. Do milhão e meio de contágios no mundo, mais de 90.000 resultaram em morte, metade em Itália, Espanha e Estados Unidos, segundo contagem da AFP, estabelecido na tarde desta quinta, com base em fontes oficiais.

Os Estados Unidos (mais de 15.000 mortos e 430.000 casos) são o país com mais infecções e onde a doença avança mais rápido.

Em Nova York, epicentro do surto americano, foi registrado um novo recorde de 799 mortes em 24 horas, mas só houve 200 novos pacientes hospitalizados, o menor número que tivemos desde que este pesadelo começou, disse o governador Andrew Cuomo.

"Com sorte vamos ao último trecho, rumo à luz no fim do túnel", disse Trump. O desemprego nos Estados Unidos, no entanto, não para de alcançar níveis históricos: 6,6 milhões de pessoas a mais pediram auxílio-desemprego, segundo cifras publicadas nesta quinta-feira.

Na Europa, a Itália, com mais de 140.000 casos e 18.279 mortes, encabeça a lista trágica. Entre os mortos está uma centena de médicos, informou a federação que reúne o sindicato.

Um sinal positivo surgiu em meio a tantos números nefastos, quando um bebê de dois meses, provavelmente o paciente mais jovem de COVID-19 na Itália, teve alta nesta quinta-feira em um hospital da cidade de Bari.

Na Espanha, o balanço diário diminuiu nesta quinta após dois dias consecutivos de alta, com 683 falecidos em 24 horas. Mas o número total de óbitos superou a cifra simbólica de 15.000.

"O incêndio desatado pela pandemia começa a ser controlado", disse o chefe de governo socialista, Pedro Sánchez, em uma sessão no Congresso para ratificar a prorrogação até 25 de abril do confinamento iniciado em meados de março.

O Reino Unido reportou nesta quinta 881 novos óbitos para um total de 7.978, enquanto o primeiro-ministro, Boris Johnson, deixou a UTI e continuará sua recuperação no hospital Saint Thomas.

O Reino Unido avalia estender o confinamento, enquanto a chanceler alemã, Angela Merkel, pediu aos alemães "paciência". A França, que superava os 12 mil mortos, também prevê ampliar o confinamento para além de 15 de abril.

Semana Santa inédita


A partir desta quinta-feira, milhões de cristãos confinados nos cinco continentes vão celebrar a Páscoa em circunstâncias inéditas. Sem fiéis, o papa Francisco vai celebrar no Vaticano a missa da Quinta-feira Santa, na qual é relembrada a Última Ceia, um dos momentos mais importantes do ano litúrgico.

[SAIBAMAIS]Devido ao coronavírus, o pontífice argentino não poderia celebrar o ritual do lava-pés. As autoridades dos países mais fervorosos insistiram em que durante as festas, em que tradicionalmente as famílias se reúnem, se respeitem mais do que nunca as diretrizes de confinamento. Na Espanha e em vários países da América Latina, as procissões e as missas prosseguem pela Internet nas redes sociais para que os crentes possam reviver a Paixão de Cristo.

"O pobre não tem nada"


Na América Latina e no Caribe foram registrados 450 mil casos e 1.814 mortes. O Brasil é o país mais afetado da região, com 800 mortos e 15.927 casos declarados. No Equador, o segundo mais afetado, o governo ameaçou com a prisão quem violar a quarentena.

A ONG Oxfam advertiu que 500 milhões de pessoas em todo o mundo poderiam cair na pobreza pela pandemia se não forem adotados planos de ajuda. "O pobre não tem renda, não tem nada guardado", disse Maria de Fátima Santos, aposentada de uma favela do Rio de Janeiro, onde as comunidades superpopulosas vivem sob o temor de uma explosão de casos de coronavírus.

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