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"O objetivo era matar o presidente da Venezuela", afirma Maduro

Procurador-geral acusa o líder opositor Juan Guaidó de contratar ''mercenários'' para invadirem o país pelo mar. Autoridades anunciam que 10 suspeitos foram presos e oito, mortos. Presidente afirma que o plano era assassiná-lo

Rodrigo Craveiro
postado em 05/05/2020 06:00

homem falando ao microfoneO Ministério Público da Venezuela acusou, ontem, o presidente autodeclarado Juan Guaidó de ser o autor intelectual da invasão pelo mar frustrada pelo governo de Nicolás Maduro no domingo. Segundo Tarek William Saab, procurador-geral do país, o opositor pagou a ;mercenários; US$ 212 milhões (ou R$ 1,17 bilhão) com dinheiro ;roubado da estatal petroleira venezuelana PDVSA; e das contas do governo bloqueadas pela comunidade internacional. Até o fechamento desta edição, as autoridades de Caracas confirmavam que oito suspeitos foram abatidos e 10 presos ; oito detenções ocorreram, ontem, em Chuao, um povoado costeiro no estado de Aragua. Um dos supostos mercenários capturados seria um agente veterano da DEA, a agência federal dos Estados Unidos especializada na repressão e no controle de narcóticos.

Em seu perfil no Twitter, o MP divulgou imagens de armas, munições e documentos, além de fotos do contrato que teria sido firmado por Guaidó e por Jordan Goudreau, CEO da Silvercorp USA, uma empresa de segurança baseada na Flórida. O regime venezuelano também implicou diretamente o major-general da reserva Cliver Alcalá. Em vídeo divulgado por Saab, Goudreau garante que uma operação contra Maduro estava em andamento.

Nas redes sociais, Alcalá se identifica como um ;militar venezuelano aposentado desde 2013; e ;membro da Plataforma em Defesa da Constituição;. ;Sou um soldado. (;) Em meus 58 anos, sempre me comportei em função do bem coletivo;, escreveu, em 26 de março passado. ;Aqui vemos as assinaturas (...) do cidadão Juan Guaidó; e ;do próprio Jordan Goudreau;, disse o procurador, fazendo referência a uma foto do suposto contrato, divulgada por uma jornalista venezuelana que mora em Miami, Patricia Poleo.

;O objetivo era matar o presidente da Venezuela;, declarou Maduro, ontem, ao citar ;evidências, depoimentos e vídeos; obtidos pelos investigadores. ;A República Bolivariana da Venezuela denuncia à comunidade internacional uma nova agressão terrorista e mercenária organizada do território da República da Colômbia e planejada por agentes dos EUA contra a paz, a democracia e a soberania da Venezuela;, afirma comunicado do Ministério das Relações Exteriores venezuelano.

Negativa

O Correio entrou em contato com Guaidó. O porta-voz dele enviou um comunicado segundo o qual ;o governo encarregado da Venezuela rejeita qualquer relação com ;nenhuma empresa do ramo de segurança e de defesa;, tal como assinalou, no fim de semana passado, um representante de uma empresa estrangeira de nome Silvercorp;. ;Não temos nenhum relacionamento ou responsabilidade pelas ações da empresa Silvercorp;, reforçou. Um dos mercenários capturados seria o capitão dissidente Antonio Sequea, que participou de um levante contra Maduro, junto a 30 militares, em 30 de abril de 2019, com o aval de Guaidó. Outro é Josnars Adolfo Baduel, filho do general Raúl Baduel, aliado do ex-presidente Hugo Chávez.

Prefeito de Caracas e preso político foragido e exilado em Madri, António Ledezma desqualificou as acusações do regime de Maduro. ;Desde a época de Chávez, são quase 30 supostas tentativas de magnicídio denunciadas pelo regime. Muitos militares foram executados, torturados e presos. Policiais também foram afetados, como Óscar Pérez, morto pelas forças do governo;, explicou.

Por sua vez, Diego Enrique Arría ; ex-governador de Caracas e ex-candidato à Presidência da Venezuela ; ironizou as denúncias. ;Maduro se sente tão importante que afirma constantemente que desejam matá-lo. Em nenhum lugar do mundo um complô de assassinato incluiria a invasão ao território pelo seu porto ou sua praia principal. É como se uma invasão ao Brasil fosse feita pela Praia de Ipanema;, comentou. Segundo Arría, o procurador-geral Tarek William Saab é ;uma figura desacreditada, imoral e corrupta;. ;Tentar envolver o presidente interino Juan Guaidó é algo ridículo. Essa pantomina é algo absolutamente absurdo e falso. Isso indica o desespero de um regime qualificado de narcoterrorista e criminoso por meio mundo.;

Eu acho

;Há uma maioria imensa de venezuelanos que clamam para que Nicolás Maduro abandone o poder usurpado. As denúncias contra Juan Guaidó não são novas. Esses sinais têm sido dados há muito tempo. O cerco a Guaidó faz parte da intolerância e da conduta repressiva do regime de Maduro.; António Ledezma, prefeito de Caracas e preso político foragido e exilado em Madri.

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