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Confirmado falecimento de um dos principais acusados de genocídio em Ruanda

Augustin Bizimana estava foragido e seus restos mortais foram encontrados na República do Congo

Agência France-Presse
postado em 22/05/2020 10:50
Augustin BizimanaAugustin Bizimana, um dos principais acusados do genocídio em Ruanda e que estava foragido, morreu em 2000 - disse nesta sexta-feira (22/5) o Mecanismo para os Tribunais Penais Internacionais (MTPI), com sede em Haia.

A morte, cuja data estimada é agosto de 2000, "pôde ser confirmada após a identificação formal dos restos mortais de seu corpo" encontrados na República do Congo, informou o MTPI.

Este órgão tem como objetivo concluir a tarefa do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR).

Uma série de análises genéticas realizadas nos últimos meses "descartou a possibilidade de que esses restos sejam de outra pessoa", afirmou o MTPI.

"Outras evidências relacionadas às circunstâncias da morte de Augustin Bizimana também foram verificadas", disse o Mecanismo, sem especificar as causas de sua morte.

Ex-ministro da Defesa, nascido em 1954, Augustin Bizimana foi indiciado pelo TPIR em 1998, por um total de 13 acusações, incluindo genocídio, extermínio, assassinato e outros atos desumanos.

Ele deveria ser julgado pelo assassinato em 1994 da primeira-ministra hutu Agathe Uwilingiyimana, bem como de dez membros belgas das forças de manutenção da paz e de civis tutsis.

Este anúncio do MTPI ocorre menos de uma semana após a prisão na França, em 16 de maio, de outro dos principais acusados ainda em fuga, Félicien Kabuga, suposto tesoureiro do genocídio de Ruanda, que estava foragido há 25 anos.

Kabuga, que vivia nos arredores da capital francesa com uma identidade falsa, é acusado de ter criado as milícias Interahamwe, o principal braço armado do genocídio de 1994 que causou 800.000 mortes em Ruanda, segundo a ONU.

Kabuga presidiu a Rádio Televisão Free Thousand Hills (RTLM), que transmitia chamadas para assassinar os tutsis, e o Fundo de Defesa Nacional (FDN), que coletava "fundos" para financiar a logística e as armas dos milicianos hutus Interahamwe, de acordo com a ata de acusação do TPIR.

A morte de Bizimana constitui uma "grande decepção" para os sobreviventes do genocídio, reagiu nesta sexta-feira Alain Gauthier, chefe de uma associação de vítimas na França.

"O maior desejo dos sobreviventes era que os assassinos fossem julgados", explicou ele à AFP.

"Com a prisão de Félicien Kabuga no último sábado e a confirmação hoje da morte de Augustin Bizimana, o Gabinete do Procurador encontrou dois dos três principais fugitivos indiciados pelo TPIR", ressaltou o Mecanismo.

Na quarta-feira, o procurador do MTPI, Serge Brammertz, pediu a transferência temporária para Haia de Kabuga, de 84 anos, devido às dificuldades de viagem causadas pela pandemia de COVID-19.

O próprio acusado disse na quarta-feira, durante sua primeira aparição pública em Paris, que queria "ser julgado na França".

O atual mandado de prisão do MTPI, que tem um escritório na Tanzânia e outro em Haia, prevê sua transferência para Arusha (Tanzânia).

O último principal foragido é Protais Mpiranya, que comandava a guarda do presidente Juvénal Habyarimana, cujo assassinato em 6 de abril de 1994 é considerado o gatilho do genocídio. Cinco outros suspeitos indiciados pelo TPIR ainda estão soltos.

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