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Pacientes leves podem adquirir proteção natural

Pessoas que não desenvolvem sintomas graves da covid-19 produzem anticorpos nos primeiros 15 dias da infecção e até quase um mês após a cura, mostra estudo francês. Descoberta reforça suspeitas sobre a impossibilidade de ser acometido pela doença mais de uma vez

postado em 27/05/2020 04:06
Estruturas de defesa estavam no sangue de 98% das pessoas até 41 dias depois de elas terem os primeiros sintomas

Quem foi infectado pelo novo coronavírus e desenvolveu uma forma leve da covid-19 tem chance de estar protegido da doença, segundo cientistas franceses. Isso porque ;uma grande maioria; desses pacientes desenvolve anticorpos que podem imunizá-los por pelo menos ;várias semanas;, de acordo com estudo do Instituto Pasteur, na França, divulgado na plataforma on-line MedrXiv.

O trabalho foi realizado com 160 profissionais da saúde de Estrasburgo, no leste do país europeu, que apresentaram sintomas leves da covid-19. Os testes sorológicos, feitos para indicar sinais de infecção, mostraram que, com exceção de apenas uma pessoa, todo o resto do grupo produziu anticorpos em duas semanas.

;Sabíamos que pessoas com formas graves da doença desenvolviam anticorpos nos primeiros 15 dias após o início dos sintomas. Agora, sabemos que isso também é verdade para formas leves, mesmo que os níveis dessas moléculas protetoras sejam mais baixos;, ressalta, em comunicado, Arnaud Fontanet, um dos autores do estudo e chefe do Departamento de Saúde Global do Instituto Pasteur.

Outro teste feito com os mesmos pacientes mostrou que a presença das moléculas de defesa se mantém por um tempo significativo: 98% deles tinham desenvolvido anticorpos neutralizantes 41 dias depois de apresentarem os primeiros sinais da enfermidade e também 28 dias após curados. ;Nosso estudo mostra que os níveis de anticorpos são, na maioria dos casos, compatíveis com uma proteção contra uma nova infecção por Sars-CoV-2 pelo menos até 40 dias após os primeiros sintomas;, afirma, também em comunicado, Olivier Schwartz, responsável da Unidade de Vírus e Imunidade do Instituto Pasteur, e também autor do estudo.

A longo prazo

Ainda não se sabe se infectados pelo novo coronavírus adquirem uma proteção natural à doença, o que faria com que eles não fossem novamente acometidos pela covid-19. Tentando buscar respostas nesse sentido, os pesquisadores franceses darão prosseguimento ao estudo. Os planos são focar na duração da proteção observada nos primeiros experimentos. ;O objetivo, agora, é avaliar a persistência da resposta dos anticorpos a longo prazo e sua capacidade de neutralizar o vírus;, conta Olivier Schwartz.

Mesmo sem repostas nesse sentido, a equipe defende a realização de testes sorológicos em pacientes que tiveram versões leve da covid-19 e se recuperaram. ;Eles podem contribuir para esse acompanhamento, ajudando a desvendar o tempo de persistência desses anticorpos protetores no organismo;, justificam os autores do artigo.

Marli Sartori, infectologista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro titular da Sociedade Brasileira de Infectologia, acredita que os dados são bastante positivos, mas há necessidade de análises futuras. ;É algo que temos visto em outras pesquisas e já desconfiávamos. Algumas infecções, depois de curadas, podem gerar anticorpos protetores. É possível que isso se repita com a covid-19. Mesmo com os dados animadores, é necessário esperar, porque, só com o tempo, poderemos dizer se essa proteção durará um período longo, como um ano, por exemplo;, explica.

Monitoramento


A infectologista também acredita que pesquisas feitas com membros da equipe médica, como o estudo francês, têm grandes vantagens. ;É uma boa estratégia acompanhar esses pacientes, pois eles estão em um ambiente que facilita a realização do monitoramento e têm contato direto com o vírus. Isso quer dizer que temos ainda mais provas de que eles estão realmente protegidos de uma segunda infecção;, justifica.

Segundo a médica brasileira, uma imunidade provocada após a cura da infecção é algo animador também para pesquisas dedicadas ao desenvolvimento de vacinas. ;Se esses anticorpos vistos nesses pacientes são realmente duradouros, poderemos ter um material extremamente positivo como base para fórmulas de imunização. A possibilidade das vacinas gerarem uma resposta mais eficaz aumenta bastante, que é o que mais buscamos no momento;, detalha Marli Sartori.

  • Melhores resultados com remdesivir

    Um estudo publicado, ontem, no The New England Journal of Medicine mostrou que o uso do medicamento remdesivir foi superior ao tratamento padrão da covid-19. A análise foi feita com base em dados do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), nos Estados Unidos, referentes a 1.063 pessoas. O relatório mostrou que os pacientes que receberam remdesivir, criada originalmente para combater o ebola, tiveram um tempo menor de recuperação do que aqueles que receberam placebo. Foi considerado recuperação receber alta hospitalar ou ficar medicamente estável para passar a receber assistência médica menos complexa. O tempo médio de recuperação foi de 11 dias para os pacientes tratados com remdesivir, contra 15 dias para os que receberam placebo

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