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Correio Braziliense

Trump ameaça fechar Twitter, após ter mensagens consideradas "enganosas"

Após ter duas mensagens rotuladas de enganosas, Trump ameaça a plataforma social e vê interferência nas eleições presidenciais


postado em 28/05/2020 06:00 / atualizado em 28/05/2020 20:56

(foto: AFP / Brendan Smialowski)
(foto: AFP / Brendan Smialowski)
Donald Trump parece ter sentido o golpe após decisão do Twitter de classificar de “enganosas” duas mensagens divulgadas na manhã de terça-feira. Usuário assíduo da plataforma social, o presidente tornou pública uma ameaça em seu próprio perfil no ambiente virtual. “Os republicanos sentem que as plataformas de mídias sociais silenciam totalmente as vozes conservadoras. Nós regularemos fortemente, ou mesmo as fecharemos, antes que possamos permitir que isso ocorra. Vimos que elas tentaram fazer isso, e falharam, em 2016. Não podemos permitir que uma versão mais sofisticada disso ocorra novamente. (…) Limpem o que vocês fizeram, agora!”, escreveu.

O magnata não poupou munição contra o Twitter, o qual acusou de “sufocar completamente” a liberdade de expressão. “Eu, enquanto presidente, não permitirei que isso ocorra”, acrescentou. “O Twitter tem mostrado que tudo o que temos dito sobre eles (…) está correto. Grande ação a caminho!”, anunciou Trump, sem ser mais específico. O Twitter também apontou que as publicações de Trump são disseminadoras de informações não verificadas. No alvo da plataforma, estão dois tuítes em que o presidente associou o envio de cédulas eleitorais pelo correio a uma eleição fraudulenta, mesmo sem dispor de provas.

Violação


Os 80,3 milhões de seguidores de Trump foram surpreendidos, pela primeira vez, com o alerta colocado pelo Twitter debaixo de duas mensagens do republicano. “Tenha os fatos sobre as cédulas pelo correio”, afirmou a rede social, ao disponibilizar um link com detalhes sobre a informação falsa (veja quadro). Trump ordenou ao Twitter que apagasse as marcações inéditas nos tuítes. “Quem trapacear mais, ganha. Do mesmo modo que as redes sociais. Limpem o que vocês fizeram, agora!”, escreveu.

O Twitter apontou que as  postagens do presidente violaram uma política ampliada recentemente pela empresa. “Ao servir à conversa pública, nosso objetivo é facilitar a busca de informações confiáveis no Twitter e limitar a propagação de conteúdo potencialmente prejudicial e enganoso”, anunciou, ao divulgar as mudanças em sua política, em nota assinada por Yael Roth, chefe de integridade da empresa, e por Nick Pickles, diretor de políticas globais.

Para Trump, o Twitter “está agora interferindo nas eleições presidenciais de 2020”. “Estão afirmando que minha declaração sobre os votos por correspondência, que levarão a uma enorme corrupção e fraude, é incorreta, com base na checagem de fatos feita pela ‘CNN Notícias Falsas’ e pelo ‘Washington Post da Amazon’”.

Palanque


Josh Pasek, professor de comunicação e mídia da Universidade de Michigan, avaliou ao Correio que a ameaça de Trump é uma tentativa de firmar um palanque político. “Essa retórica não carrega nenhum mecanismo sério de execução. No entanto, a decisão do Twitter de rotular as duas mensagens do presidente é importante por dois motivos. Primeiro, por fornecer algum insight sobre o que Twitter vê como responsabilidade própria. Segundo, por abrir o potencial para que muitos simpatizantes de Trump vejam o Twitter como um meio tendencioso”, comentou.

O estudioso não descarta um efeito assutador de ameaça à liberdade de expressão, apesar de admitir a tendência em duvidar dessa consequência. “A liberdade de expressão está centralmente consagrada na Constituição. A maior preocupação é as pessoas pensarem que a plataforma social está tomando partido, levando-as a migrarem para outros serviços menos dispostos a policiar retóricas perigosas”, observou Pasek.

Kate Ruane, da União Americana das Liberdades Civis, também acredita que as ameaças de Trump não poderão se tornar realidade. “A Constituição proíbe claramente o presidente de tomar medidas para impedir que o Twitter aponte suas mentiras descaradas sobre votar pelo correio”, disse à agência de notícias France-Presse.

As plataformas sociais adotaram medidas mais rigorosas após a eleição presidencial de 2016 e depois do referendo do Brexit, no Reino Unido, em resposta a tentativas de manipulação. Em março passado, o Twitter retirou duas postagens da conta oficial do presidente Jair Bolsonaro, na qual questionou o confinamento aplicado para coibir a pandemia da covid-19.

Eu acho...

“Trump não goza de autoridade para fechar plataformas de mídias sociais. Elas são companhias privadas e suas operações são apenas mininamente reguladas pelo governo federal. É claro que, se ele fizesse isso, as pessoas provavelmente responderiam negativamente ao fechamento. Não está claro qual seria o custo eleitoral dessa reação.”, Josh Pasek, professor de comunicação e mídia da Universidade de Michigan

Mensagens polêmicas


O texto de Trump

Terça-feira, 26 de maio, 9h17 (11h17 em Brasília).O presidente Donald Trump publica, em seu perfil no Twitter: “Não ha nenhuma maneira (zero!) que as cédulas enviadas pelo correio sejam nada menos do que substancialmente fraudulentas. As caixas de correspondência serão roubadas, as cédulas serão falsificadas e até ilegalmente assinadas e impressas. O governador da Califórnia está enviando cédulas a milhões de pessoas, a qualquer um vivendo no estado, não importa quem são ou como chegaram lá, elas receberão uma (cédula). (…) Esta será uma eleição fraudulenta”, escreveu o republicano.


A reação do Twitter

O Twitter marcou a mensagem de Trump — publicada em dois posts — com um alerta em azul e um sinal de exclamação: “Tenha os fatos sobre as cédulas pelo correio”. Ao clicar no link, o usuário é enviado a uma outra tela em que se lê: “Trump alegou, falsamente, que as cédulas por correspondêndia  levariam a uma ‘eleição fraudulenta’. No entanto, as checagens de fatos dizem não haver evidência de que as cédulas por correspondência estejam associadas a fraudes”.

  • TUITADAS

    “Os republicanos sentem que as plataformas de mídias sociais silenciam totalmente as vozes conservadoras. Nós regularemos fortemente, ou mesmo as fecharemos, antes que possamos permitir que isso ocorra. Vimos que elas tentaram fazer isso, e falharam, em 2016. Não podemos permitir que uma versão mais sofisticada disso ocorra novamente. (…) Limpem o que vocês fizeram, agora!”

    “O Twitter tem mostrado que tudo o que temos dito sobre eles (e seus outros compatriotas) está correto. Grande ação a caminho!”

    Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

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