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Correio Braziliense

Tropas ocupam ruas dos EUA após protestos violentos contra o racismo

A indignação no país após a morte, em Minneapolis, de George Floyd, 46, negro, por um policial branco, na última segunda-feira, provocou distúrbios acompanhados de saques e incêndios criminosos na cidade


postado em 31/05/2020 17:24

(foto: SPENCER PLATT / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
(foto: SPENCER PLATT / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
Milhares de soldados patrulhavam neste domingo as principais cidades americanas, após cinco noites consecutivas de protestos contra o racismo e a brutalidade policial, que resultaram em distúrbios, violência que o presidente americano, Donald Trump, atribui a radicais da esquerda.

A indignação no país após a morte, em Minneapolis, de George Floyd, 46, negro, por um policial branco, na última segunda-feira, provocou distúrbios acompanhados de saques e incêndios criminosos na cidade.

"Não podemos e não devemos permitir que um pequeno grupo de criminosos e vândalos destrua nossas cidades e provoque devastação em nossas comunidades", disse Trump ontem. "Meu governo irá interromper a violência da multidão", advertiu o presidente americano, que acusou o grupo Antifa (antifascista) de orquestrar a escalada.

Na noite de ontem, a violência também ganhou as ruas de Nova York, Filadélfia, Dallas, Las Vegas, Seattle, Des Moines, Memphis, Los Angeles, Atlanta, Miami, Portland, Chicago e Washington D.C.. Os governadores dos estados envolvidos convocaram a Guarda Nacional e, em alguns, foi decretado toque de recolher.

Cerca de 5 mil soldados da Guarda Nacional foram mobilizados em 15 estados e na capital, e outros 2 mil estavam prontos para intervir se necessário, anunciou neste domingo a corporação. Segundo Tim Walz, governador de Minnesota, os responsáveis pelo caos podem ser anarquistas, supremacistas brancos ou narcotraficantes.

- Críticas da oposição -

Trump disse ontem aos manifestantes que chegavam muito perto da Casa Branca que iria recebê-los com "os cães mais ferozes e as armas mais perigosas", ameaça denunciada pela oposição democrata.

"Ele deve unir o nosso país, não aumentar o fogo", criticou hoje a presidente democrata da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, em entrevista à rede de TV ABC.

O rival democrata de Trump na eleição presidencial de novembro, Joe Biden, condenou a violência, mas afirmou que os americanos têm o direito de se manifestar. "Protestar contra tal brutalidade é correto e necessário. É uma resposta totalmente americana", afirmou. "Mas queimar comunidades e destruição desnecessária, não. Violência que coloca vidas em risco não é. Violência que destrói e fecha negócios que atendem à comunidade não é."

- Corpo encontrado -

O corpo de um homem foi encontrado na madrugada deste domingo perto de um veículo incendiado em Minneapolis, informou a polícia da cidade. O cadáver, ainda não identificado, apresenta sinais evidentes de traumatismo, afirmou John Elder, porta-voz da polícia, antes de indicar que a unidade de homicídios da cidade investiga o caso. Ainda não foi determinado se o óbito está vinculado aos protestos na cidade desde a morte de George Floyd.

De Seattle a Nova York, dezenas de milhares de manifestantes exigiram acusações mais duras contra os policiais envolvidos na morte de Floyd, que foi a óbito depois que o policial Derek Chauvin o deixou de bruços no chão por quase nove minutos, apoiando o joelho contra o pescoço da vítima.

Na última sexta-feira, Chauvin foi acusado de assassinato em terceiro grau. Ele foi demitido, assim como os outros três policiais envolvidos na detenção, o que não foi suficiente para reduzir a indignação. 

A morte de Floyd se tornou o mais recente símbolo da violência policial contra os cidadãos negros e provocou a maior onda de protestos dos últimos anos nos Estados Unidos. Manifestantes em todo o país gritaram frases como "Black Lives Matter" (A vida dos negros importa) e "Não consigo respirar", as palavras de Floyd antes de morrer.

Também houve protestos pacíficos, inclusive em Toronto, Canadá, em uma extensão internacional da indignação.

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