Uma vez derrubada, foi pisoteada, segundo imagens divulgadas em redes sociais e transmitidas pela TV britânica. Uma pessoa tirou uma foto ajoelhado sobre o pescoço da estátua, imitando o gesto do policial branco que asfixiou o afro-americano George Floyd em 25 de maio, nos Estados Unidos, um homicídio que desencadeou um movimento de protesto global contra o racismo e a violência policial.
"Este homem era um negreiro. Foi generoso com Bristol. Mas às custas da escravidão e é absolutamente abjeto. É um insulto aos cidadãos de Bristol", disse John McAllister, um manifestante de 71 anos citado pela agência britânica Press Association. A estátua de Colston, razão de controvérsia há anos na cidade portuária, foi depois pintada com tinta vermelha e atirada no rio Avon, sob gritos de alegria.
A polícia local anunciou a abertura de uma investigação e o ministro do Interior, Priti Patel, denunciou um ato "absolutamente vergonhoso" e "completamente inaceitável. É vandalismo". O prefeito de Bristol, Marvin Rees, adotou um tom mais conciliador. "Sei que a derrubada da estátua de Colston dividirá a opinião pública, como já aconteceu com a estátua por muitos anos. É importante escutar aqueles que consideravam que era uma afronta à humanidade", afirmou em um comunicado.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, condenou os distúrbios durante os protestos, mas não abordou a derrubada da estátua. "Estes protestos foram alterados por vândalos, que traem a causa que dizem estar servindo", escreveu em um tuíte, no qual reforça que os responsáveis devem prestar contas.
Edward Colston (1636-1721) era membro de uma família rica de comerciantes e ganhou muito dinheiro com o comércio de escravos. Acredita-se que tenha vendido quase 100.000 escravos da África Ocidental no Caribe e nas Américas entre 1672 e 1689. Logo, usou sua fortuna para financiar o desenvolvimento de Bristol e obras beneficentes, o que lhe valeu uma reputação de filantropo antes de cair em desgraça.
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A manifestação no centro da capital gerou incidentes com a polícia nas primeiras horas da noite, após ter começado pacificamente em frente à embaixada dos Estados Unidos. A polícia informou neste domingo que na véspera tinha efetuado 29 detenções no centro de Londres depois de uma manifestação que deixou 14 feridos em suas fileiras.