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Ministra da Mulher renuncia no Chile após polêmicas nos 34 dias no cargo

Santelices anunciou sua saída no Twitter, um dia depois de causar um novo escândalo sobre a nomeação para o cargo de diretor de estudos de gênero

Agência France-Presse
postado em 09/06/2020 17:24

Em substituição de Santelices, a ex-vice-subsecretária de Turismo, Mónica Zalaquett, assumirá o cargoPouco mais de um mês depois de assumir e após enfrentar várias polêmicas, Macarena Santelices, uma jornalista conservadora sobrinha-neta do ex-ditador Augusto Pinochet (1973-1990), renunciou nesta terça-feira (9) ao seu cargo de ministra da Mulher no Chile.

Santelices anunciou sua saída por meio de sua conta no Twitter, um dia depois de causar um novo escândalo, quando foi revelado que ela havia nomeado como diretor de estudos de gênero o colega Jorge Ruz, jornalista e ex-produtor de um concurso de beleza para mulheres em biquini.

"No dia em que for entendido que a causa da mulher não tem tom político, pertence a todos e para todos, podemos avançar. Por causa da minha lealdade ao presidente @sebastianpinera, ao país e aos chilenos, hoje eu decido me afastar", escreveu em sua conta no Twitter.

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A nomeação de Ruz, ex-editor do jornal popular La Cuarta, que até recentemente distribuía nas suas edições de sexta-feira um pôster de mulheres nuas, foi o último dos escândalos que fizeram parte do mês em que Santelices esteve no cargo, no qual ela estava encarregada do Ministério da Mulher.

Nesse curto período, grupos feministas divulgaram o lema "Não temos ministros", por causa da sua falta de experiência no assunto e da participação na ultra-conservadora União Democrática Independente (UDI).

Há duas semanas, a sua pasta retirou uma campanha contra a violência a mulher que havia sido lançada há poucas horas, que tinha como protagonista um avô que, em seu personagem, admitia em tom de ternura ter agredido sua esposa e se dizia arrependido enquanto escrevia uma carta para suposta neta agredida pelo namorado.

"Sinto muito pelo que aconteceu com você, talvez a vida esteja me punindo pelo que fiz com sua avó. Embora ela não esteja mais conosco, não há noite em que não peça desculpas por todo o dano que causei a ela", diz o protagonista do vídeo, interpretado por um ator que interpreta um testemunho real, conforme confirmado pelo ministério.

No país originário do Lastesis, um coletivo feminista que viralizou a performance "Un violador en tu camino" (Um estuprador no seu caminho, em português) em novembro de 2019, as críticas a Santelices foram recorrentes nos seus 34 dias no cargo.

No Chile, que em outrora foi conhecido como ultra conservador, nos últimos anos os protestos pelos direitos das mulheres têm sido comuns entre homens, mulheres e famílias de todas as idades.

Em substituição de Santelices, a ex-vice-subsecretária de Turismo, Mónica Zalaquett, assumirá o cargo.

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