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Trump retoma campanha nos EUA após perder 10 pontos de popularidade

Pesquisa indica que presidente tem 39% de popularidade. Biden estuda escolha de mulher negra como vice. Pelosi solicita retirada de estátuas de confederados do Capitólio

Rodrigo Craveiro
postado em 11/06/2020 07:00
Donald Trump chega ao local de comício na cidade de Colorado Springs, em 20 de fevereiro: magnata aposta na recuperação da economia para aumentar suas chances de reeleiçãoMenos de 24 horas depois do sepultamento de George Floyd ; cidadão negro morto por um policial branco, em Minneapolis ; e em meio à pandemia da covid-19, os Estados Unidos retornam, aos poucos, a atenção para as eleições de 3 de novembro. Ao receber lideranças afro-americanas na Casa Branca, o presidente Donald Trump anunciou para os próximos dias a retomada da campanha, com comícios nos estados de Oklahoma, Flórida, Arizona e Carolina do Norte. A tarefa do republicano não será fácil. Uma pesquisa divulgada pelo instituto Gallup aponta que Trump goza de 39% de popularidade, uma queda de 10 pontos percentuais desde 20 de maio e o índice mais baixo em oito meses.

Do lado democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden tenta capitalizar votos dos protestos contra o racismo que varreram o país depois do assassinato de Floyd. Especialistas não descartam que o adversário de Trump escolha uma companheira de chapa negra. Alguns nomes despontam, como os da senadora Kamala Harris; a deputada Val Demings; e a prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms. À margem da disputa eleitoral, cresce a polêmica sobre a remoção de estátuas em homenagem aos confederados, os comandantes da Guerra Civil que apoiavam a escravatura. A democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, pediu a retirada dos 11 monumentos do interior do Capitólio. Em Boston (Massachusetts), uma estátua de Cristóvão Colombo foi decapitada ; o navegador genovês que chegou à América em 1942 é associado ao genocídio dos povos indígenas e à defesa da escravidão.

O racismo entrou de vez na campanha e no establishment de Washington. Em emotiva audiência no Comitê Judiciário da Câmara, Philonise Floyd, irmão de George Floyd, fez um apelo aos congressistas. ;Basta! Acabem com o sofrimento;, afirmou, em alusão à violência racial. ;Meu irmão não mereceu morrer por US$ 20. É isso o que um homem negro vale?;, questionou. Em 25 de maio, Floyd foi abordado por policiais sob suspeita de repassar uma nota falsa em uma loja de Minneapolis. Imobilizado, morreu 8 minutos e 46 segundos depois, com o joelho do agente Derek Chauvin pressionando-lhe o pescoço. ;Quem sabe, me dirigindo a vocês, hoje, eu possa garantir que sua morte não seja em vão;, desabafou Philonise. A menos de cinco meses das eleições, duas forças estão sobre a mesa. De um lado, um presidente criticado pela falta de empatia ante o crime que vitimou Floyd. De outro, um político que conta com amplo apoio da comunidade negra, depois de ter sido vice de Barack Obama, o primeiro mandatário negro da história dos EUA.

Sinal


Para Michael Crespin, professor de ciência política da Universidade de Oklahoma e diretor do Centro de Estudos e Pesquisas Legislativas Carl Albert, apesar de prematuro, taxas de aprovação inferiores a 40 pontos percentuais não são um bom sinal para candidatos. ;Trump deposita esperança de que uma série de eventos o ajude a aprimorar as chances de vitória. Isso inclui um alívio da pandemia, uma melhora da economia e o fim dos protestos contra a violência policial. A decisão de visitar Tulsa, em Oklahoma, é interessante, por causa do 99; aniversário do Massacre de Tulsa;, afirmou ao Correio. Entre 31 de maio e 1; de junho de 1921, homens brancos atacaram cidadãos negros, em um incidente que deixou mais de 300 mortos e outras centenas de feridos.

Ronald Gaddie, cientista político e especialista em presidentes pela também Universidade de Oklahoma, explicou à reportagem que Trump detém índice de popularidade similar aos de George H. Bush (1992) e de Jimmy Carter (1980), os dois últimos mandatários que perderam a reeleição. ;Presidentes, geralmente, vivem e morrem na economia. Trump sofreu duro golpe nos últimos três meses. Os números são agravados pelo tratamento inconsistente dispensado à covid-19 e pela reação aos protestos. Para retornar aos trilhos da reeleição, ele precisará reunir confiança da opinião pública nesses três temas;, avalia. ;Infelizmente, não temos visto do Executivo um conjunto de mensagens ou ferramentas que resultem em confiança significativa e ampliada em suas habilidades de liderança para além da própria base política republicana.;

O estudioso aponta que a decisão de Biden de nomear uma vice negra é um apelo aos círculos eleitorais de base do Partido Democrata. ;Os democratas estão sendo convidados a considerar outro homem branco e velho para presidente. A escolha de uma mulher, especialmente negra, apela ao futuro do partido e ao presente de sua coalizão eleitoral;, disse Gaddie.

Remoção

Na tentativa de reduzir as tensões raciais nos EUA, Nancy Pelosi enviou carta ao Comitê Conjunto da Biblioteca do Congresso em que solicitou a remoção das 11 estátuas dos confederados. ;As salas do Congresso são o coração da nossa democracia. As estátuas no Capitólio devem incorporar nossos mais altos ideais como americanos, expressando quem somos e o que aspiramos ser enquanto nação. Monumentos a homens que defendiam a crueldade e a barbárie para alcançar um fim tão claramente racista são uma afronta a esses ideais;, declarou Pelosi, na mensagem. ;Essas estátuas prestam homenagem ao ódio, não à herança, e devem ser removidas.;

Eu acho...

;A promessa de Biden de escolher uma mulher como companheira de chapa ampliará suas chances. Escolher uma afro-americana pode auxiliar no contexto dos protestos raciais, embora muitas coisas possam ocorrer até a eleição. Biden é o favorito, mas espero que a margem de diferença entre eles se reduza.;Michael Crespin, professor de ciência política da Universidade de Oklahoma.

;Os dias de Donald Trump estão contados. Ele não conseguirá a reeleição em novembro. Nem sequer o próprio Partido Republicano o apoia. O mundo assustiu ao assassinato complacente de um negro à luz do dia, sem qualquer motivo!” Mallory Jackson, 44 anos, socorrista, morador de Houston e amigo de George Floyd.

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