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Governos de vários países são questionados por gestão da pandemia

Do México à Argentina o número de infectados pelo novo coronavírus alcança 1,5 milhão de pessoas

Agência France-Presse
postado em 12/06/2020 10:36
Ativistas da ONG brasileira Rio de Paz, cavam 100 túmulos simulados na praia de Copacabana, simbolizando as mortes pelo covid-19 no Rio de Janeiro, 11 de junho de 2020, em protesto contra a Vários governos terão que apresentar explicações à justiça por sua gestão da pandemia do novo coronavírus, que continua provocando uma grave crise financeira e avança sem trégua na América Latina, onde já provocou mais de 74 mil mortes.

Do México à Argentina o número de infectados alcança 1,5 milhão. O Brasil, com 210 milhões de habitantes, superou na quinta-feira 40 mil vítimas fatais e 800 mil casos positivos, de acordo com o balanço oficial.

Em todo o planeta, a covid-19 provocou mais de 421 mil mortes desde que foi detectada em dezembro na China e mais de 7,5 milhões de casos confirmados, segundo o balanço da AFP atualizado nesta sexta-feira. Mas os números reais podem ser muito superiores, afirmam os especialistas.

O impacto humano, financeiro e social da pandemia ainda é difícil de calcular e suas consequências têm muitos aspectos.

Na Líbia, a guerra e a divisão impedem o combate correto à pandemia. Nas prisões mexicanas de Jalisco, os abraços foram substituídos por chamadas de vídeo de cinco minutos.

No Kuwait, a pandemia privou muitas mulheres dos salões de beleza, o único local que podiam frequentar sozinhas e encontrar as amigas. Em Cuba, totalmente dependente do turismo, o governo traça um plano para receber visitantes estrangeiros e controlar, ao mesmo tempo, que eles praticamente não tenham contato com os moradores da ilha.

Governos acusados

Nesta sexta-feira, as companhias aéreas British Airways, EasyJet e Ryanair anunciaram uma ação na justiça contra o governo britânico para que desista de impor a quarentena obrigatória de duas semanas a todos os passageiros que chegam ao Reino Unido por considerar que "terá um efeito devastador no turismo britânico e sua economia".

Na Itália, onde o coronavírus provocou 34 mil mortes, o primeiro-ministro Guiseppe Conte prestou depoimento nesta sexta-feira a um juiz da cidade de Bérgamo (norte), como parte da investigação sobre sua gestão da crise do coronavírus.

Conte falou por três horas na sede do governo em Roma, o ;Palazzo Chigi;, como parte da investigação aberta pela demora em declarar "zona vermelha" os municípios de Nembro e Alzano Lombardo, na região de Bérgamo, em março, em plena propagação da pandemia, o que ajudou a provocar o colapso dos hospitais.

Na Espanha, a direita e a extrema-direita anunciaram denúncias contra o governo por sua gestão da crise: por ter fornecido material de proteção defeituoso aos profissionais de saúde, pelo número de mortos notificado e pelo elevado número de idosos que faleceram em casas de repouso.

O processo contra o governo de Madri por ter permitido a grande passeata feminista de 8 de março, apesar do risco de contágio, foi arquivado nesta sexta-feira por um tribunal da capital espanhola, que não encontrou indícios de delito.

Na França também foram apresentadas quase 60 denúncias contra o governo para denunciar a gestão da crise.

Turismo como antídoto

As más notícias da saúde são acompanhadas pelas financeiras. O confinamento contra o coronavírus custou ao Reino Unido um quinto de seu PIB em abril, quando registrou uma queda de 20,4%, um recorde.

Em abril primeiro mês completo confinamento, a atividade econômica ficou praticamente paralisada no país, o segundo mais afetado do mundo pela pandemia, com mais de 41 mil mortes.

Para estimular a economia, os governos contam em grande medida com o turismo. A partir de 15 de junho, 75% dos Estados-membros da União Europeia (UE) suspenderão as restrições de circulação dentro do bloco.

Países como Espanha, Itália, França e Grécia lançaram campanhas para incentivar o turismo nacional, que será mais numeroso, e na medida do possível o dos países vizinhos.

Na América Latina, o desastre financeiro provocado pela pandemia "pode levar a um retrocesso de 13 anos", segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que teme que a região saia da crise "mais endividada, mais pobre e com mais fome".

O México, segundo país mais afetado da região, com mais de 15 mil mortos e 130 mil casos, espera ter atingido o pico da curva. O Peru, terceira nação do continente com mais mortes, 6.000, registrou na quinta-feira o recorde de 200 vítimas fatais em 24 horas.

No Chile, a curva segue em alta, assim como no Panamá, que bateu o recorde de infecções diárias e acumula 17.884 casos e 413 mortes.

Nos Estados Unidos, com mais de 113 mil falecidos e mais de dois milhões de contágios registrados, novos casos em várias regiões provocam o temor de uma segunda onda que ofuscaria a tímida recuperação econômica.

"Não podemos paralisar novamente a economia", alertou o secretário americano do Tesouro, Steven Mnuchin, em entrevista ao canal CNBC.

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