Mundo

Tubo de ensaio

Fatos científicos da semana


Segunda-feira, 8
Israelenses reconstituem trecho esquecido da Muralha da China

A milhares de quilômetros da China, arqueólogos israelenses reconstituíram o traçado de um trecho da Grande Muralha esquecido pelos historiadores e arquitetado nas estepes da Mongólia para controlar as populações nômades. “A construção dessa parte da Grande Muralha é um grande projeto da Idade Média que, paradoxalmente, é muito pouco citado em documentos históricos”, disse o professor Gideon Shelach-Lavi (foto), integrante da equipe de estudos asiáticos da Universidade Hebraica de Jerusalém e diretor da pesquisa. É a primeira vez que essa parte da obra é estudada detalhadamente. A Grande Muralha, incluída no Patrimônio Mundial da Unesco, é um conjunto de fortificações militares construídas no norte da China desde o século 3 a.C., com o objetivo de defender o país de invasões do norte. Seu comprimento total é estimado em cerca de 9.000km, ou mesmo 21.000km, se as partes ausentes forem consideradas.


Terça-feira, 9
Preservação de aves em Galápagos

Seis crias do pássaro vermelho da espécie Pyrocephalus nanus, endêmico do arquipélago de Galápagos e ameaçado de extinção, nasceram em uma área onde existem apenas 40 pares reprodutores. A reprodução ocorreu na parte alta da Ilha de Santa Cruz, uma das três principais do arquipélago, laboratório natural que serviu ao cientista inglês Charles Darwin para elaborar sua teoria sobre a evolução das espécies. “Em termos de preservação, para o Pyrocephalus nanus significa que a estrutura populacional dessa espécie aumentará em seis novos indivíduos dentro de seus territórios e zonas de vida”, disse o diretor do Parque Nacional, Danny Rueda.


Quarta-feira, 10
Morre o descobridor da doença de Kawasaki

O pediatra japonês Tomisaku Kawasaki (foto), que descobriu a doença de Kawasaki, morreu aos 95 anos, anunciou seu centro de pesquisas. A enfermidade se caracteriza pela inflamação dos vasos sanguíneos, que pode levar a complicações cardíacas com risco de vida na infância, se não for tratada imediatamente. Tomisaku Kawasaki observou, pela primeira vez, em 1961, sintomas inexplicáveis em um menino de 4 anos no Japão. Ele tinha febre alta com conjuntivite, erupção cutânea e o corpo e a língua cor vermelho-framboesa. Depois, encontrou 50 casos semelhantes, dos quais publicou uma descrição científica em 1967. A doença tende a afetar mais os meninos do que as meninas. A causa continua sendo um mistério. 


Nature contra o racismo

A revista britânica Nature juntou-se à greve mundial de acadêmicos contra o racismo em instituições científicas, ao mesmo tempo em que entoou seu mea-culpa na construção do preconceito, no âmbito dos protestos que seguiram à morte de George Floyd. “A Nature opõe-se a todos os tipos de racismo e nos juntamos a outros no mundo para dizer, inequivocamente, Black lives matter (Vidas negras importam)”, declarou a prestigiada publicação em um editorial publicado em seu site. “Admitimos que a Nature é uma das instituições brancas responsáveis pelo preconceito na pesquisa e no trabalho acadêmico. O mundo da pesquisa científica tem sido e continua sendo cúmplice no racismo sistêmico e deve fazer mais para corrigir essas injustiças e abrir espaço para vozes marginalizadas”, acrescentou.


Quinta-feira, 11
A idade revelada pela microbiota

Cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, desenvolveram uma ferramenta digital que consegue identificar a idade de um indivíduo por meio da microbiota. A tecnologia funciona por meio de algoritmos de inteligência artificial e um banco de dados de mais de 100 espécies de bactérias intestinais. A análise também consegue apontar outros dados além da idade, como modo de nascimento, dieta e se o indivíduo a quem pertence a amostra analisada realiza atividades físicas. O trabalho publicado na revista iScience ainda precisa de aperfeiçoamentos para gerar resultados com maior exatidão. Segundo seus criadores, a tecnologia futuramente ajudará a área médica.