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Covid-19 assombra Pequim

Capital da China registra mais 52 casos de infecção depois de dois meses. Autoridades impõem confinamento de emergência em 11 bairros e fecham nove escolas, além de jardins de infância. Novo foco de contágio é o tradicional mercado de carnes de Xinfadi

postado em 14/06/2020 04:25
Policiais guardam a entrada do mercado de Xinfadi, um dos mais frequentados da cidade: muitos funcionários ainda não apresentaram sintomas
O surgimento de um foco de infecções pelo novo coronavírus em um tradicional mercado de Pequim assombra a China ante o risco de uma segunda onda da pandemia. Sete pessoas contraíram o Sars-CoV-2 no mercado de Xinfadi ; na quinta-feira, as autoridades anunciaram que um morador que esteve no estabelecimento testou positivo; ontem, mais seis chineses com vínculos com o local tiveram o diagnóstico confirmado. Três são trabalhadroes do mercado, um é visitante e dois trabalham no Centro de Investigação da Carne, situado a apenas 7km de distância. No entanto, segundo a agência France-Presse (AFP), várias dezenas de habitantes da capital chinesa deram positivo para a covid-19. Ante a descoberta, as autoridades ordenaram um confinamento de emergência em 11 bairros. Nove escolas e jardins de infância foram fechados.

Também houve registro de infecções pela covid-19 em outro mercado, de peixes. Enquanto isso, 45 outros casos assintomáticos foram detectados depois da realização de cerca de 2 mil testes entre os funcionários do mercado de Xinfadi, segundo uma autoridade da saúde de Pequim, Pang Xinghuo. Até o fechamento desta edição, a China tinha registrado, oficialmente, 84.229 casos de covid-19 e 4.638 mortes ; números contestados pelo presidente norte-americano, Donald Trump. Em todo o mundo, a pandemia provocou mais de 427.500 óbitos.

O primeiro registro de covid-19 em Pequim em dois meses foi anunciado na quinta-feira. Tratava-se de um pessoa que tinha visitado o mercado de carne de Xinfadi na semana passada e que permanecera na cidade. Jornalistas da AFP viram centenas de policiais perto dos dois mercados, ontem. As autoridades do distrito de Fengtai anunciaram que estavam implementando um ;dispositivo de guerra; para lidar com as novas infecções.

Na manhã de ontem, voluntários batiam de porta em porta em vários bairros de Pequim e questionavam os moradores se tinham recentemente visitado o mercado de Xinfadi. O governo também anunciu a organização de testes em larga escala para quem esteve em ;contato próximo; com o mesmo mercado desde 30 de maio.

Salmão
Na sexta-feira, as autoridades de Pequim adiaram o retorno às aulas de alunos das escolas primárias da cidade e suspenderam todas as atividades esportivas. As tradicionais visitas à capital chinesa por parte de grupos de outras províncias estão suspensas desde ontem. Pequim abriga pontos turísticos bastante procurados não apenas por estrangeiros, como pelos próprios chineses ; é o caso da Cidade Proibida e da Praça Tiananmen (ou Praça da Paz Celestial).

O presidente do mercado de Xinfadi disse ao site Beijing News que o vírus foi detectado em tábuas utilizadas para cortar salmão importado. Grandes redes de supermercados, como o Wumart ou o Carrefour, suspenderam a venda do pescado na noite de sexta-feira, em Pequim, e indicaram que outros alimentos não foram afetados. Vários restaurantes da capital pararam de oferecer salmão em seus cardápios, confirmaram repórteres da AFP.


De Wuhan para o mundo

A doença foi identificada pela primeira vez em dezembro de 2019, em um mercado de mariscos da cidade chinesa de Wuhan. Mais tarde, especialistas estimaram que um ancestral genético do vírus surgiu antes, em meados de novembro. Um relatório publicado no jornal South China Morning Post, que cita dados do governo, sugere que um ;paciente zero; poderia ser rastreado até 17 de novembro. Um novo estudo, que ainda não foi publicado em uma revista científica, aponta que ;foi detectado um forte aumento do movimento, a partir de agosto de 2019;, nos estacionamentos do hospital de Wuhan, ;que terminou com um pico em dezembro do mesmo ano;.



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