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Cidadãos uruguaios são os únicos latinos que podem entrar na União Europeia

O Brasil, por sua vez, amarga mais de 1,35 milhão de infecções e quase 60 mil mortos

Rodrigo Craveiro
postado em 01/07/2020 06:00

Funcionária de shopping de Montevidéu monitora temperatura de clienteO único país da América Latina cujos cidadãos têm autorização para entrada na União Europeia (UE) a partir de hoje é um oásis no mapa pandêmico. Com 14,7% da população acima de 65 anos (faixa etária mais vulnerável a complicações pelo novo coronavírus), o Uruguai destoa dos vizinhos em relação ao avanço da covid-19. Até o fechamento desta edição, contabilizava 932 casos de infecção e 27 mortes. A título de comparação, o Peru, nove vezes mais povoado, registrou 300 vezes mais ocorrências da doença e 350 vezes mais óbitos. O Brasil, por sua vez, amarga mais de 1,35 milhão de infecções e quase 60 mil mortos. Com taxa de letalidade de 2,8%, o Uruguai também diverge do índice mundial, de 4,8%.

O sucesso dos uruguaios na prevenção ao novo coronavírus e no controle pandêmico deve-se à rápida tomada de decisões por parte do governo do direitista Luis Alberto Lacalle Pou e ao uso da tecnologia. Para Adolfo Garcé, professor do Instituto de Ciência Política da Universidad de la República, em Montevidéu, o reconhecimento da UE é ;muito justo;. ;A política sanitária do Uruguai de combate ao novo coronavírus tem sido muito exitosa;, afirmou ao Correio. Ele cita vários acertos por parte das autoridades federais desde Lacalle Pou ascendeu ao poder, em 1; de março. ;O presidente agiu com rapidez e tomou medidas drásticas para reduzir a probabilidade de contágio no mesmo dia em que apareceram os quatro primeiros casos, em 13 de março.; Entre as ações, está o fechamento das fronteiras apenas horas depois da confirmação da chegada do novo coronavírus ao país.

Garcé também entende que o presidente acertou ao não decretar a quarentena compulsória. ;Em vez disso, apelou à persuasão, ao uso responsável da liberdade individual;, lembra. As autoridades defenderam um confinamento voluntário, mas obrigaram o uso de máscaras. O respeito pela comunidade científica foi outro diferencial.

Segundo o estudioso, Lacalle Pou organizou um grupo ad hoc de cientistas que tiveram a incumbência de rastrear a propagação do vírus e vigiar a reativação gradual da economia. ;Ele utilizou o amplo sistema de bem-estar uruguaio, revitalizado pelo partido Frente Ampla durante seus 15 anos de governo, a fim de mitigar o impacto social da crise sanitária;, acrescentou Garcé. Na última segunda-feira, o país retomou o funcionamento de escolas e universidades, permitindo que 200 mil crianças e jovens voltassem às aulas.

Acordo sanitário

As medidas internas não perderam de vista ameaças vindas de nações vizinhas. Na sexta-feira passada, o Uruguai firmou com o Brasil um acordo de cooperação sanitária na fronteira, a fim de impedir a propagação da covid-19. ;Para a política sanitária uruguaia, significa o início de um caminho conjunto com os irmãos brasileiros e um acordo histórico, já que o Uruguai é o primeiro país que acorda com o Brasil uma política sanitária conjunta de fronteiras para o manejo da crise da covid-19;, disse o ministro da Saúde uruguaio, Daniel Salinas.

; Eu acho...

;O novo governo assumiu em 1; de março. Doze dias depois, apareceram os primeiros casos da covid-19. Ainda que não tivesse muito tempo para se preparar, conseguiu responder de forma rápida e exitosa.;, Adolfo Garcé, professor do Instituto de Ciência Política da Universidad de la República, em Montevidéu.

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