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OPAS prevê 400 mil mortes na América Latina e no Caribe em três meses

Já o consultor médico da Casa Branca alertou que os Estados Unidos pode registrar 100 mil novos casos diários se não adotar ações preventivas

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) pediu "flexibilidade" e adoção de medidas com base em dados epidemiológicos "detalhados" para controlar a pandemia de covid-19 que pode deixar mais de 400 mil mortos em três meses na América Latina e no Caribe.

Já o consultor médico da Casa Branca alertou que os Estados Unidos, o país mais afetado pela doença em termos absolutos, pode registrar 100 mil novos casos diários se não adotar ações preventivas.

Os Estados Unidos registraram 1.199 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, segundo contagem desta terça-feira da Universidade Johns Hopkins, um número que não superava a marca dos 1.000 desde 10 de junho.

"Claramente, atualmente não temos controle total (da pandemia)", disse o dr. Anthony Fauci, especialista que é o principal consultor científico da Casa Branca durante esta emergência de saúde.

Em todo o mundo, a doença não mostra sinais de retração, com pelo menos 10.421.436 casos e 508.624 óbitos de acordo com a contagem da AFP até as 22H00 de Brasília, com base em fontes oficiais. 

"A América Latina e o Caribe devem ter mais de 438.000 falecidos por covid-19" nos próximos três meses, alertou Carissa Etienne, diretora da OPAS, em entrevista coletiva.

O pico de infecções ocorrerá em momentos diferentes. Chile e Colômbia atingem o pico nos próximos 15 dias, enquanto no Argentina, Bolívia, Brasil e Peru isso ocorrerá em agosto. 

Na América Central e no México, será em meados de agosto, embora na Costa Rica seja esperado em outubro. 

"Essas projeções serão atingidas apenas se as condições atuais persistirem" e podem ser modificadas se os países "tomarem as decisões corretas", disse Etienne, que pediu que a pandemia seja confrontada com dados "cada vez mais detalhados" e "flexibilidade". 

Colapso econômico e desemprego
 
O Peru, com 70% de sua economia na informalidade e dois milhões de pessoas que perderam o emprego durante a quarentena, começa a flexibilizar o confinamento na quarta-feira com a reabertura da atividade econômica em 18 das 25 regiões do país, que é um dos mais afetados, com 285.213 casos e 9.677 falecimentos. 

Nesse período, a economia peruana registrou uma queda de 13% do PIB nos primeiros quatro meses, impulsionado por um colapso de 40% em abril. O Banco Central prevê uma queda de 12,5% no PIB em 2020. 

No Chile, que registra 280.000 infecções e 5.688 vidas perdidas, o desemprego subiu para 11,2% no trimestre de março a maio, com um mercado de trabalho altamente ressentido por medidas restritivas contra o vírus. 

O desemprego também subiu na Colômbia para 24,5% em maio, dobrando o índice registrado no mesmo mês de 2019 (11,2%), o pior resultado em quase duas décadas. 

Por outro lado, a Aeroméxico, a principal companhia aérea do México e uma das maiores da América Latina, informou nesta terça que havia declarado falência nos Estados Unidos para reestruturar sua dívida devido ao "impacto sem precedentes" da pandemia.

Esses casos são apenas uma amostra, à medida que a pandemia ocorre em todo o mundo. 

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que o horário de trabalho no primeiro semestre do ano caiu 14% em relação a dezembro, o que equivale a 400 milhões de empregos em período integral. 

A UE abre fronteiras
 
Enquanto isso, a União Europeia (UE), cuja economia está no vermelho, abriu suas fronteiras nesta terça a turistas de 15 países, uma lista que não inclui os Estados Unidos e que será atualizada a cada duas semanas, principalmente com base em critérios epidemiológicos. 

A lista, lançada no início da crucial temporada de verão, inclui Argélia, Austrália, Canadá, Geórgia, Japão, Montenegro, Marrocos, Nova Zelândia, Ruanda, Sérvia, Coreia do Sul, Tailândia, Tunísia e Uruguai, o único país da América Latina, bem como a China, mas este último sob critérios de reciprocidade. 

As restrições não se aplicam aos cidadãos do Reino Unido, país que deixou a UE em 31 de janeiro, nem, de acordo com a recomendação adotada, aos dos pequenos Estados europeus de Mônaco, Andorra, Vaticano e San Marino. 

Por outro lado, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a chilena Michelle Bachelet, denunciou a intimidação em países como China e Rússia no contexto da pandemia, bem como a negação da crise em outros, como Brasil, Estados Unidos. Unidos ou Nicarágua.

"Receio que declarações negando a realidade do vírus ... intensifiquem a severidade da pandemia", afirmou, criticando outros por "aplicação arbitrária e excessiva de medidas" contra o vírus. 

Nesta terça-feira, o candidato democrata às eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que não realizará eventos públicos de campanha, em contraste com a estratégia do presidente republicano Donald Trump, que está buscando a reeleição, alvo de críticas pelo recente comício em Oklahoma. 

Trump novamente apontou a China como responsável pela pandemia, onde o surto surgiu em dezembro. 

"Enquanto vejo a pandemia espalhar sua face feia pelo mundo, incluindo os tremendos danos que causou aos Estados Unidos, fico cada vez mais irritado com a China", escreveu o dirigente republicano no Twitter.