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Correio Braziliense

Referendo constitucional é aprovado na Russia e Kremlin celebra ''triunfo''

A reforma constitucional autoriza o presidente Vladimir Putin a permanecer potencialmente no poder até 2036


postado em 02/07/2020 09:47

Um policial patrulha no parque Zaryadye com a torre Spasskaya do Kremlin e a Catedral de São Basílio em segundo plano no centro de Moscou em 29 de junho de 2020.(foto: Yuri KADOBNOV / AFP)
Um policial patrulha no parque Zaryadye com a torre Spasskaya do Kremlin e a Catedral de São Basílio em segundo plano no centro de Moscou em 29 de junho de 2020. (foto: Yuri KADOBNOV / AFP)
O Kremlin celebrou nesta quinta-feira um "triunfo" após a validação, em uma votação nacional, da reforma constitucional que autoriza o presidente Vladimir Putin a permanecer potencialmente no poder até 2036.

A oposição, no entanto, classificou o resultado como uma "mentira".

"De fato, aconteceu um referendo triunfal de confiança em relação ao presidente Putin", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, após a votação que durou uma semana e terminou com a vitória do "Sim" com 77,92% dos votos.

A Comissão Eleitoral anunciou que os votos contrários à reforma alcançaram 21,27%. A taxa de participação no referendo foi de quase 65%.

Peskov comemorou um "nível de participação e um apoio extremamente elevados" e considerou que as mudanças constitucionais serão "a base de um futuro melhor".

A votação deveria ter acontecido em abril, mas foi adiada devido à pandemia de coronavírus. Para evitar um excesso de fluxo nas zonas eleitorais e não afetar a participação, a consulta aconteceu de 25 de junho a 1 de julho. 

Não existiam dúvidas sobre o resultado do referendo porque as reformas já haviam sido aprovadas pelo Poder Legislativo no início do ano e, além disso, o novo texto da Constituição já estava à venda nas livrarias. 

Entre as reformas constitucionais solicitadas por Putin, figura em especial uma que abre o caminho para sua permanência no poder até 2036. Putin tem mandato atualmente até 2024.

Além da polêmica questão, as mudanças reforçam algumas prerrogativas presidenciais, como as nomeações e demissões de juízes.

Também incluem outras medidas, como a inclusão na Constituição da "fé em Deus" e o matrimônio como instituição heterossexual.

O distrito autônomo de Nenetsia, no Ártico, foi a única região da Rússia onde o "Não" foi vitorioso, com 55,25% dos votos.

O principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, chamou a votação de "enorme mentira" e pediu a seus partidários uma mobilização nas eleições regionais de setembro.

A União Europeia (UE) pediu à Rússia que investigue as "denúncias de irregularidades" apresentadas durante o referendo.

"Temos conhecimento de informações de denúncias de irregularidades durante a votação. Esperamos que sejam devidamente investigados porque são alegações graves", afirmou o porta-voz da diplomacia europeia, Peter Stano.

Stano citou "irregularidades" como "a coação de eleitores, a dupla violação do sigilo do voto e as denúncias de violência policial" contra jornalistas. Também lamentou a proibição de campanha eleitoral antes da votação.

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