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Correio Braziliense

Ex-namorada de Epstein é presa nos EUA e acusada de tráfico sexual

Os crimes foram cometidos entre 1994 e 1997, de acordo com a procuradoria


postado em 02/07/2020 15:31

(foto: SPENCER PLATT / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
(foto: SPENCER PLATT / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
A britânica Ghislaine Maxwell, acusada pela justiça americana de colaborar com o financista Jeffrey Epstein em crimes sexuais contra menores, foi acusada nesta quinta-feira em seis casos de tráfico sexual de meninas após ser presa pelo FBI no estado de New Hampshire. 

A procuradoria do distrito sul de Nova York indiciou Maxwell, ex-namorada de Epstein, 58 anos, por duas acusações de conspiração para convencer menores a viajar para cometer atos sexuais ilegais, duas acusações de conspiração e transporte de menores com a intenção de atividade sexual ilegal e dois crimes de obstrução da justiça por mentir sob juramento. 

Os crimes foram cometidos entre 1994 e 1997, de acordo com a procuradoria. 

Se considerada culpada, Maxwell poderá enfrentar uma sentença máxima de prisão perpétua. 

Nos quatro anos, Maxwell "facilitou, ajudou e contribuiu para o abuso de meninas menores de idade por Jeffrey Epstein, entre outras coisas ajudando a Epstein a recrutar, preparar e finalmente abusar de vítimas conhecidas" de ambos, menores de 18 anos, ressalta o texto da acusação. 

Maxwell, cujo paradeiro era desconhecido até quinta-feira "foi presa às 8h30 desta manhã sem incidentes em Bradford, New Hampshire", disse à AFP a porta-voz do FBI de Boston Kristen Setera. 

O Ministério Público do Distrito Sul de Nova York anunciou uma entrevista coletiva em Manhattan ao meio-dia para anunciar as acusações contra ela. Maxwell, 58, deve comparecer perante um juiz federal de New Hampshire. 

Os promotores de Nova York tentavam interrogar Maxwell, ex-namorada de Epstein, desde a prisão do financista americano há quase um ano, mas até esta quinta-feira ela não havia sido acusada de nenhum crime. 

Epstein, que se declarou inocente, cometeu suicídio aos 66 anos em uma prisão de Nova York em agosto passado, onde aguardava julgamento por tráfico sexual de crianças. Os procuradores de Nova York continuam investigando o caso.

- Amigos ricos e famosos -

Várias acusadoras de Epstein disseram que Maxwell, filha do falecido magnata do jornalismo Robert Maxwell, era quem mantinha uma rede de meninas para satisfazer os prazeres sexuais do financista e de vários de seus amigos ricos e famosos. 

Os procuradores de Nova York insistiram nesta quinta-feira em seu desejo de entrevistar o príncipe britânico Andrew sobre sua amizade com Epstein, iniciada depois que os dois foram apresentados por Maxwell. 

"Gostaríamos de ter o benefício de seu testemunho", disse Audrey Strauss, procuradora interina do Distrito Sul de Nova York, em entrevista coletiva. 

A procuradoria de Nova York acusa o príncipe Andrew de não querer cooperar com a investigação. O príncipe de 60 anos nega categoricamente ter tido relações sexuais com uma garota de 17 anos que Epstein teria arranjado para ele. 

A jovem, Virginia Giuffre, alega que foi traficada para fazer sexo com Epstein e seus amigos e disse que fez sexo com o príncipe na casa de Maxwell em Londres em 2001. 

O segundo filho do rei Elizabeth II foi forçado a abandonar seus deveres reais devido à polêmica desencadeada por sua entrevista com a BBC no final de 2019, na qual defendeu sua amizade com Epstein. 

O financista, gerente de um fundo de investimento que administrava milhões de dólares, era amigo de muitas celebridades, incluindo o presidente Donald Trump. 

Ele foi acusado de tráfico sexual de crianças e de conspiração para cometer tráfico sexual de crianças. Se ele fosse considerado culpado, teria enfrentado até 45 anos de prisão. 

Dezenas de suas supostas vítimas processaram seus herdeiros por justiça, apesar de sua morte. 

Maxwell também entrou com uma ação judicial em março passado contra os herdeiros de seu ex-namorado e alegou que não tinha conhecimento de seus crimes sexuais com garotas.

Epstein foi condenado em 2008 na Flórida por pagar jovens por massagens, mas ele só passou 13 meses na prisão depois de chegar a um acordo sigiloso com o advogado do estado que lhe permitiu sair durante o dia para trabalhar. 

Sua morte foi considerada suicídio, mas alimentou teorias da conspiração. Alguns afirmam que ele foi assassinado para impedi-lo de revelar informações comprometedoras sobre seus amigos poderosos.

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