Mundo

Fundo trabalha para distribuir vacina contra covid a países vulneráveis

Assim que houver uma imunização contra o vírus, o desafio será ofertar à população. Para isso, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) organiza o fundo, que já conta com mais de 30 países, incluindo o Brasil.

Bruna Lima
postado em 14/07/2020 17:45
Assim que houver uma imunização contra o vírus, o desafio será ofertar à população. Para isso, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) organiza o fundo, que já conta com mais de 30 países, incluindo o Brasil.;De que serve uma vacina se as pessoas não podem acessá-la?;, interrogou a diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Carissa Etienne, durante coletiva de imprensa desta terça-feira (14/7). A pergunta é um dos principais desafios adiantados pela entidade representativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas diante do avanço nas descobertas de imunizações contra a covid-19. Para oportunizar a proteção de forma ampla à população, a Opas organiza um fundo com o objetivo de que a vacina chegue também às regiões mais vulneráveis.

A estratégia consiste no incentivo ao "Fundo Rotatório;, um mecanismo de cooperação pelo qual as vacinas e demais equipamentos para garantir que a dose chegue à população são adquiridas em nome dos Estados-membros. O objetivo é ofertar ;recursos compartilhados e acesso equitativo a preços acessíveis;, como resumiu Etienne.

[SAIBAMAIS]Por enquanto, 30 países e territórios já integram a ação, incluindo o Brasil. ;Precisamos trabalhar agora para fortalecer a capacidade que nos permitirá alcançar comunidades vulneráveis quando encontrarmos uma vacina bem-sucedida. Caso contrário, pode levar anos para que as pessoas sejam vacinadas e não podemos permitir esse atraso;, alertou a diretora.

A importância de alcançar populações mais vulneráveis foi exemplificada pela diretora que, inclusive, citou especificamente a situação dos povos indígenas brasileiros. Para Etienne, as populações mais vulneráveis são as mais duramente atingidas. ;No Brasil, por exemplo, as comunidades indígenas ao longo da bacia amazônica estão vendo taxas de incidência mais de cinco vezes maiores que a média nacional;. Etienne ainda alertou para o número crescente de mortes, principalmente no Brasil, México e Estados Unidos que, juntos, ;registraram 77% de todas as mortes na última semana e estão enfrentando alguns dos surtos mais mortais do mundo;.

Além de alcançar comunidades mais vulneráveis, outra vantagem estimada com o fundo é permitir uma única negociação em nome de vários países e com diversos produtores ao mesmo tempo. A aquisição já teria o aval da OMS, principal entidade de expertise na área, e permitiria que países, independentemente do nível de renda, garantam melhores preços e assumam menos riscos do que se negociarem individualmente.

;Nenhum país deve fazer isso sozinho, especialmente porque melhoramos nossas chances de sucesso e reduzimos a concorrência se trabalharmos juntos;, acrescentou Etienne. Na ocasião, a diretora ainda incentivou a abertura para ensaios clínicos e testes das vacinas mais promissoras. ;No entanto, os países só devem participar se isso for feito corretamente, com a adoção de medidas regulatórias, técnicas e éticas adequadas;, alertou.

Até lá, a líder aconselhou que todos os países continuem seguindo as recomendações da OMS de distanciamento social, medidas de higiene e uso de máscaras que, segundo ela, tanto serviram para achatar a curva, limitar a mortalidade e proteger os sistemas de saúde.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação