Mundo

Craques na bolsa

Correio Braziliense
postado em 20/07/2020 04:18

Em tempos de pandemia do novo coronavírus, quem tem um bom networking é rei. Ilhados em meio às restrições impostas pelo isolamento social, profissionais da indústria do futebol usam como uma das alternativas a plataforma Player Lens (Lupa no Jogador) a fim  de driblar as restrições para caçar talentos in loco e manter o mercado da bola frenético.


Criado em 2014, o Player Lens tem semelhanças com o Linkedin e o Tinder, mas é uma espécie de bolsa de valores da bola. “A ideia é de Lee Hemmings, fundador da empresa. Lee trabalhava como trader de bolsa de valores na Goldman Sachs (grupo financeiro multinacional com sede em Nova York) e viveu a mudança que o mundo da trading experimentou em favor das plataformas on-line, deixando de lado todas as chamadas telefônicas”, conta ao Correio o diretor do negócio, José Ramón Capdevilla (leia entrevista).


Ex-executivo de planejamento estratégico e administração de futebol do Real Madid, o espanhol explica didaticamente como funciona o serviço sob demanda. “A ideia da Player Lens surgiu por meio do processo em que os clubes solicitam determinados jogadores em posições específicas com certos retornos financeiros. Deste modo, a plataforma é capaz de encontrar os atletas necessários de acordo com a oferta  exibida na plataforma”.


A sede da empresa fica na Inglaterra. Em seis anos, a firma montou uma competitiva base de dados com mais de 600 clubes, agentes e jogadores empregados ou livres no mercado em todo o mundo. A dinâmica é simples: um agente devidamente registrado, por exemplo, na CBF, lança seu cliente na “bolsa” como se fosse uma “ação”. O atleta só aparece na vitrine quando há permissão do clube ao qual o profissional está vinculado.


O jogador oferecido aparece com vários tópicos de avaliação: ranking de salários, posição, estilo de jogo, mapa de calor, nacionalidade, preferência de mercados e vídeos em parceria com WyScout. Quando a busca satisfaz o interessado, a plataforma coloca os dois lados em contato e sai de cena.


“Não somos intermediários, mas uma empresa de tecnologia. Havia necessidade de que todos que trabalham no mercado do futebol convergissem para um lugar de interesse comum. Estamos no Brasil, Colômbia e na maioria dos países sul-americanos”, diz Capdevilla.

Clientes
Um dos clientes da ferramenta é Pere Guardiola — irmão do técnico do Manchester City Pep Guardiola. O agente compartilha a experiência pessoal com a plataforma. “Permite a mim, como proprietário de um clube de futebol e intermediário, reforçar e ampliar a minha rede. A indústria do futebol tem uma visão global para avaliar possíveis contratações e o retorno do investimento em um jogador”, diz o dono do Girona, time catalão que figurou na elite do Campeonato Espanhol na temporada passada.


Pere abriu recentemente, no Brasil, a Media Base Sports Brasil em parceria com Luiz Rocha, CEO da Sport Agency. Um dos alvos do negócio é trabalhar na gestão da carreira de atletas e treinadores brasileiros e representar clubes que desejam expandir seus negócios no exterior.


Intermediário de jogadores, o agente espanhol Juan Mata também avalia o serviço. “Disponibiliza ferramenta para oferecer aos meus jogadores as melhores oportunidades em um espaço seguro e privado”, elogia.

 

  » Entrevista /
José Ramón Capdevilla,
diretor da Player Lens

Como surgiu a ideia de criar a plataforma Player Lens?
A ideia procede de Lee Hemmings, que fundou a empresa em 2014. Lee trabalhava como trader de bolsa de valores na Goldman Sachs e viveu a mudança que o mundo da trading experimentou em favor das plataformas on-line, deixando de lado todas as chamadas telefônicas. A ideia da Player Lens surgiu por meio do processo em que os clubes solicitam determinados jogadores em posições específicas com certos retornos financeiros. Deste modo, a plataforma é capaz de encontrar os jogadores necessários de acordo com a oferta de jogadores mostrada na plataforma.

A ideia está inspirada no Linkedin?
Não, no mundo do trading da bolsa de valores, ainda que hoje haja comparações com o Linkedin e o Tinder.

Quantos times estão conectados ao Player Lens?
Mais de 600 de todo o mundo. Na América do Sul, trabalhamos com a maioria dos países e clubes.

Quantos profissionais brasileiros estão disponíveis na base de dados?
Trabalhamos com a grande maioria das equipes da primeira e segunda divisões, ajudando a vender e comprar jogadores, obedecendo a orçamentos limitados pós-pandemia.

Quantos profissionais trabalham diretamente na plataforma?
Cerca de 12 pessoas, atualmente.

Quais são os requisitos para que um profissional se registre no
Player Lens?

Ser um clube de futebol profissional, um jogador profissional ou um intermediário devidamente registrado em sua federação.

Falae um pouco sobre sua carreira profissional e o que o levou
a investir neste projeto.


Estudei administração de empresas na Escola de Negócios ESADE, de Barcelona. Depois de trabalhar no setor financeiro, fui incorporado à área de Estratégia do Real Madrid, onde também fiz parte da área de Administração de Futebol. Depois de 10 anos trabalhando para o Real Madrid, decidi aderir ao projeto Player Lens para coliderá-lo com Lee Hemmings, a fim de trazer nova transparência e eficiência no mercado de transferências.

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