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Nepal volta a permitir acesso ao Everest apesar da incerteza sobre covid-19

Os voos internacionais para este país devem ser ser retomados após 17 de agosto

Agência France-Presse
postado em 31/07/2020 09:38
Vista aérea do Monte Everest (C) e da cordilheira do Himalaia, a partir de uma aeronave comercial, a cerca de 140 km a nordeste de Katmandu.O Nepal voltou a permitir o acesso à sua área montanhosa, mais especificamente ao Everest, para expedições de fim de ano com o objetivo de impulsionar o setor de turismo, apesar das incertezas sobre a pandemia - anunciaram as autoridades nepalesas nesta sexta-feira (31/7).

As fronteiras foram fechadas em março, pouco antes do início da temporada turística, quando milhares de alpinistas se deslocam para o Himalaia. Essa decisão custou milhões de dólares para a economia do Nepal e causou a demissão de milhares de nepaleses.

O confinamento nacional terminou na semana passada, e o Nepal agora está aberto "para as atividades turísticas, como o alpinismo e as excursões", disse à AFP Mira Acharya, do Ministério do Turismo.

Os voos internacionais para este país devem ser ser retomados após 17 de agosto.

A "reabertura" da zona nepalesa do Himalaia se dá em um país onde mais de mil casos de coronavírus foram detectados esta semana, totalizando 19.547 desde o início da crise.

"Um alívio"
As autoridades continuam a "trabalhar" nos protocolos de segurança sanitária, disse Acharya, e especialmente na duração da quarentena que os turistas estrangeiros deverão cumprir.

Essa exigência sanitária é uma das principais preocupações dos alpinistas estrangeiros que desejam viajar para o Nepal, afirmou Mingma Sherpa, do Seven Summit, uma das principais empresas deste setor no país.

"Seria um alívio se pudéssemos voltar a organizar expedições após uma temporada totalmente virgem na primavera", disse Mingma Sherpa.

As barracas se multiplicam na área do Everest e em outros picos famosos durante a temporada turística. Os alpinistas ficam instalados em espaços confinados, onde é difícil se isolar e respeitar a distância física.

Devido à altitude, a respiração é muito mais complicada nessas áreas montanhosas, o que aumentaria o risco de qualquer paciente com coronavírus.

Lukas Furtenbach, da empresa Furtenbach Adventures, lembrou que todas as expedições foram canceladas.

"Organizar uma expedição agora significaria agir no escuro, e essa nunca foi nossa forma de trabalhar", ressaltou Furtenbach, acrescentando que "nossa política é que somos responsáveis pela vida dos nossos funcionários e clientes".

No ano passado, o Nepal recebeu 1,2 milhão de turistas. Um terço viajou para a temporada de turismo de outono, em um país onde o turismo representa 8% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados oficiais.

Os especialistas consideram que as subidas feitas entre setembro e novembro são mais complicadas do que na primavera, por causa do vento e das baixas temperaturas. Esses fatores acabam reduzindo o número de montanhistas nessa estação.

O Everest teve um ano recorde na primavera de 2019, com 885 pessoas chegando ao cume. Destas, 644 subiram pelo lado nepalês.

À épocas, as imagens de vários alpinistas concentrados na chamada "zona da morte" deram a volta ao mundo.

Em função da pandemia, a China também fechou seu acesso à montanha mais alta do mundo.

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