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Correio Braziliense

Artigo: A educação nutricional passa pelo rótulo informativo

Mais de 40 países em todo o mundo adotaram a rotulagem nutricional frontal como estratégia para facilitar a utilização das informações nutricionais pelos consumidores


postado em 13/09/2019 09:00 / atualizado em 13/09/2019 10:04

(foto: Romeo GACAD/AFP)
(foto: Romeo GACAD/AFP)
O Brasil foi um dos primeiros países da América do Sul a criar uma normativa específica para a rotulagem nutricional, que é de extrema importância para fornecer aos consumidores informações essenciais sobre os alimentos. Contudo, a história nos mostra que todo regulamento ou norma precisa evoluir.

Mais de 40 países em todo o mundo adotaram a rotulagem nutricional frontal, conhecida internacionalmente como front-of-pack labelling (FOP), como estratégia para facilitar a utilização das informações nutricionais pelos consumidores. Esse modelo coloca as principais informações do alimento na parte frontal das embalagens, de forma simples, visível e de fácil compreensão, de maneira a complementar a tabela nutricional.

Não existe uma padronização dos tipos de mensagens e de suas formas gráficas, até porque cada modelo leva em conta as características de seu país, como nível educacional da população, cultura e padrões alimentares. Estamos exatamente nesse caminho — o de encontrar o melhor modelo para a realidade do Brasil.

Desde 2014, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vem conduzindo um processo regulatório para alterar a legislação vigente de rotulagem nutricional. Após anos de debates com o setor produtivo e organizações da sociedade civil, a Agência pretende submeter à consulta pública, esta semana, nova proposta regulatória, que prevê a adoção de um modelo de rótulo frontal brasileiro nas embalagens dos alimentos.

A indústria participa ativamente do processo desde o início, pois a mudança no rótulo, com todas as informações essenciais na frente da embalagem e disponibilizadas de forma prática e rápida, vem ao encontro de dois valores muito importantes para o setor: transparência e diálogo.

Com base nesses valores, a indústria de alimentos defende um modelo de rotulagem frontal que seja informativo e que mantenha a autonomia do consumidor e sua liberdade de escolha. A proposta é de um modelo no qual as informações nutricionais são apresentadas de forma clara e objetiva, com destaque para as quantidades de açúcares, gordura saturada e sódio, indicadas com base na porção usualmente consumida e também na porcentagem relativa a uma dieta diária de 2.000 kcal.

Há outra proposta em discussão, que se baseia no alarmismo e traz consigo o potencial de confundir. Um modelo que pretende tachar os alimentos industrializados como nocivos ou perigosos à saúde, substituindo informações nutricionais importantes por mensagens de alerta. Trata-se de um modelo inspirado no que foi implantado no Chile há três anos, mas que, segundo declarações do próprio ministro da Saúde do país, até hoje não trouxe os resultados esperados à saúde do consumidor  nem sensibilizado de maneira relevante a população em relação aos seus hábitos de compra.

Existem evidências de que os rótulos informativos são mais eficientes e auxiliam na compreensão das informações nutricionais, como mostrou revisão bibliográfica conduzida pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (Nepa) da Unicamp. Pesquisa do Ibope Inteligência, realizada em 2017, com mais de 2 mil entrevistados de todo o país, revelou que sete entre 10 brasileiros preferem o rótulo informativo. A indústria brasileira de alimentos acredita que a informação é a melhor aliada para mudar hábitos alimentares, estilos de vida e promover a educação. E somente a educação alimenta a transparência e o diálogo.



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