Opinião

Artigo: O papel das famílias no agronegócio

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 80% da produção mundial de alimentos vem de agricultores familiares

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 18/09/2019 09:00
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 80% da produção mundial de alimentos vem de agricultores familiaresEm 7 de outubro próximo, a 64; edição do Prêmio Fundação Bunge terá como um de seus temas-foco a Agricultura Familiar. Que essa premiação, ligada a uma gigante global do agronegócio, celebre a produção agrícola familiar é um fato que, nos dias de hoje, não surpreende. Longe de serem excludentes, a agricultura em escala industrial e aquela praticada por famílias em pequenas propriedades têm muito a contribuir uma com a outra. E ambas, com o futuro do planeta.

Caso o leitor não esteja suficientemente informado sobre a relevância da agricultura familiar para o Brasil e para o mundo, alguns números cabem citar. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), nada menos que 80% da produção mundial de alimentos vem de agricultores familiares. Internamente, eles também respondem por grande parte da comida que chega à mesa dos brasileiros: 87% da mandioca, 70% do feijão e 46% do milho, além de 60% da produção nacional de leite, 59% do rebanho suíno e 50% das aves ; os dados são do governo federal. De tal magnitude é a agricultura familiar brasileira que ela, sozinha, coloca o país como o oitavo maior produtor de alimentos do mundo (se incluídas as grandes propriedades, subimos para a quinta posição), gerando 65% do faturamento anual do nosso agronegócio.

[SAIBAMAIS]Não à toa, portanto, que a FAO tenha declarado o período 2019-2028 como Década da Agricultura Familiar, ou que o Prêmio Fundação Bunge a tenha escolhido como tema a celebrar. Para uma Fundação cuja missão é ;contribuir para o desenvolvimento sustentável por meio de ações que valorizem o avanço da ciência, a educação e a conservação dos recursos naturais;, a escolha faz todo o sentido. Além da contribuição para a segurança alimentar e nutricional do país, como acima exposto, ela é peça-chave no desenvolvimento econômico do Brasil rural, respondendo pela ocupação de mais de 70% dessa população, garantindo renda, em especial, a mulheres e jovens.

Sendo o Prêmio Fundação Bunge um incentivo ao conhecimento, faz ainda mais sentido a escolha do tema, já que é no intercâmbio de conhecimentos que a sinergia entre agronegócio e agricultura familiar se torna evidente. Se a produção industrial opera com fatores em sua maioria conhecidos e controlados, são os pequenos produtores, em interação direta com a natureza em sua diversidade, que primeiro entram em contato com novas variedades e condições ambientais. Eles experimentam técnicas e processos de melhoramentos de organismos que, mais adiante, revelam-se decisivos para a produtividade agrícola (daí porque também são eles os maiores interessados na conservação dessa biodiversidade, chave de uma agricultura sustentável). Num fluxo de informação de mão dupla, academia e indústria absorvem o saber gerado nos sistemas de pequena escala e retribuem os produtores familiares com tecnologias e saberes testados em laboratório e nas grandes propriedades. No balanço entre os dois modelos, ganham ambos, bem como ganham a ciência, o país e o planeta.

Os redutos de exploração dos trabalhadores rurais estão sendo eliminados, enquanto espraia-se por todo o país o respeito a seus direitos, garantidos pela Constituição Federal. Foi oportuna a decisão da Fundação Bunge em eleger a Agricultura Familiar como incentivo do ano, ramo que é da grande árvore do Agronegócio.

No Brasil, com um mercado de mais de 240 milhões de habitantes e vasta extensão territorial, ainda existem novas fronteiras a serem conquistadas. No Centro-Oeste, por exemplo, surgem novas cidades embaladas pela cultura intensiva de alimentos. A iniciativa privada e a economia de mercado conquistaram o país, apesar da mentalidade retrógrada, cevada em séculos de dependência ao Estado.O Brasil é famoso pela sua diversidade cultural, pela sua natureza pacífica e bem-humorada. Este é o país que desafia a nossa análise e desperta esperança e confiança.



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