Opinião

Erramos

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 15/10/2019 04:15
A coluna 360 Graus de sábado publicou texto intitulado ;Eles são o futuro do Brasil;. Na cara do Mickey Mouse, personagem de Walt Disney, aparece a foto de 17 crianças ; meninos e meninas com menos de cinco anos. Eles têm um ponto em comum: são brancos. Não há nenhum negro, indígena ou oriental.

Leitores protestaram contra a hegemonia branca. Com razão. Foi um erro gravíssimo! O Brasil é um país miscigenado em que convivem pessoas de diferentes origens, diferentes credos, diferentes tendências políticas. O tabuleiro de raças, cores e culturas é que faz o Brasil Brasil.

Brasília, talvez mais do que qualquer outro ente federado, retrata a diversidade nacional. Aqui vivem representantes dos 26 estados. A maioria chegou ao Planalto Central na busca de um sonho, quando a nova capital não passava de um traçado de Lucio Costa e os monumentos de Oscar Niemeyer eram ensaios na terra vermelha.

O Correio Braziliense nasceu com Brasília. A primeira edição circulou em 21 de abril de 1960 ; data da épica inauguração da cidade que desbravou o interior da maior nação da América do Sul. Até então, o Brasil se contentava com a costa. Desconhecia a imensidão do Norte e do Centro-Oeste.

Manifestações estudantis exibiam cartazes nos quais se lia que, para ir à Amazônia, precisava-se de passaporte. Brasília calou os protestos e as ironias. Serviu de elo dos dois Brasis, que, juntos, formam o país que se tornou o celeiro do mundo e o maior parque industrial do subcontinente.

O jornal pioneiro acompanhou a construção da nova capital pedra por pedra, azulejo por azulejo, vitral por vitral. Conflitos sociais e políticos ; das origens até agora ; estão registrados em suas páginas com palavras e imagens. Não por acaso, pesquisadores buscam informações únicas nos arquivos do periódico.

Não por acaso também, o Correio foi pioneiro na luta contra o racismo, a homofobia, a discriminação social e de gênero. Capas antológicas, como a do beijo gay, tiveram repercussão no Brasil e no mundo. O jornal ; como não poderia deixar de ser ; é contra qualquer tipo de discriminação.

A coluna 360 Graus publicada no Dia da Criança não representa a postura e a opinião do Correio Braziliense. A trajetória do periódico da capital tem uma marca registrada ; luta pela diversidade. E o Correio seguirá nessa luta.

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