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Correio Braziliense

Visão do Correio: Iniciativa desastrada

Não resta dúvida de que a humanidade tem de mudar o modelo econômico atual, pois o risco de um colapso ambiental fica cada vez mais evidente.


postado em 11/11/2019 04:05 / atualizado em 11/11/2019 14:29

(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
A anunciada saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris não causou surpresa — era promessa de campanha do presidente Donald Trump —, mas é um sério revés para o movimento de combate às mudanças climáticas. Isso porque países como a China e a Índia podem se sentir tentados a abandonar o mais importante tratado internacional para a redução da emissão de gases do efeito estufa, que eleva a temperatura do planeta. Passando por cima de todas as previsões científicas e sob o argumento de defender a indústria de seu país, o líder norte-americano coloca em risco o equilíbrio climático global.

A ciência já demonstrou que a mudança do clima na Terra é real e é provocada pela ação humana, fato reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), pela Nasa, a agência espacial norte-americana, e até pelas principais empresas responsáveis pela produção de combustível fóssil, o maior vilão na emissão dos gases poluentes. Ou seja, mesmo aqueles que sofrerão o maior impacto econômico com a substituição do petróleo e carvão mineral por fontes de energia limpa reconhecem o problema que afeta todo o planeta. Mais: concordam que a mudança é necessária e não pode ser protelada.

Foi dentro desse contexto que se chegou ao Acordo de Paris, assinado em 2015 por quase 200 países, com o objetivo de limitar o aumento da temperatura média terrestre em 2ºC, se possível, 1,5ºC C. A questão de fundo é que a saída dos Estados Unidos do tratado deve mudar a maneira como outros governos, sobretudo o chinês e o indiano, encaram o compromisso assumido quatro anos atrás. Isso porque os dirigentes da China e Índia, durante as negociações, evocaram o “direito de poluir” por mais alguns anos porque sua industrialização foi posterior à do mundo desenvolvido e, consequentemente, sua ação poluidora mais tardia.

O certo é que, sem a participação da maior economia mundial no acordo, ficará muito mais difícil promover as transformações econômicas necessárias para minimizar os efeitos do aquecimento global. Por outro lado, ambientalistas dos EUA pressionam empresas, cidades e governos estaduais a migrarem para fontes de energia limpa, como a solar e eólica, o que pode reduzir os impactos da desastrada iniciativa de Donald Trump. São centenas os participantes do movimento que esperam mostrar ao mundo que os americanos apoiam o Acordo de Paris, mesmo que a Casa Branca não esteja fora do tratado.

Não resta dúvida de que a humanidade tem de mudar o modelo econômico atual, pois o risco de um colapso ambiental fica cada vez mais evidente. O envolvimento de líderes mundiais e das sociedades de todas as nações é fundamental para que as medidas já existentes e as futuras realmente impeçam um desastre de proporções épicas.

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