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Correio Braziliense

Artigo: Ainda falta muito

Além de avançar nas questões de raça, gênero e etnia. Estamos muito longe do ideal, mas é o desejo da maioria da sociedade


postado em 15/11/2019 04:05 / atualizado em 15/11/2019 14:23

(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
Em uma semana marcada por mais um caso de racismo nos estádios brasileiros, em que Adrierre Siqueira da Silva, de 37 anos, agrediu o segurança Fábio Coutinho com palavras que sequer merecem serem repetidas, durante o clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG, no  Mineirão, uma pesquisa do IBGE aponta que, pela primeira vez, pretos e pardos são maioria (50,3%) nas universidades públicas brasileiras. Um dado que merece ser destacado, mas com ressalvas: a sub-representação permanece. Afinal, representam 50,3% dos estudantes de ensino superior ao mesmo tempo que são 55,8% da população brasileira.

Se na educação, a sociedade progride para corrigir as distorções entre negros e brancos, ao falarmos de mercado de trabalho, temos um triste diagnóstico, segundo o mesmo estudo do IBGE: em 2018, o rendimento médio mensal de um assalariado branco ficou em R$ 2.796; o de um negro/pardo, R$ 1.608. Exatos 73,9% a menos. Um padrão de desigualdade que se manteve estável nos últimos quatro anos.

Em entrevista ao programa CB.Poder, realizado pelo Correio em parceria com a TV Brasília, o presidente da Associação de Magistrados do Distrito Federal (Amagis), Fábio Esteves, cobrou melhorias nas oportunidades para pessoas negras no Brasil. Um dos personagens do especial Histórias de consciência, série de reportagens — publicada ao longo deste mês na edição impressa e no portal do jornal — que presta homenagem a mulheres e homens negros que ajudam a construir uma Brasília justa, tolerante e plural, o juiz deu uma aula sobre como a discriminação está presente na sociedade.

Esteves citou, por exemplo, casos de sentenças contraditórias em que homem negro foi condenado com uma quantidade de droga inferior àquela que levou um branco a ser absolvido. Racismo estrutural, sem dúvida. Neste feriado, o único a cair num dia de semana neste segundo semestre, recomendo ao leitor assistir à entrevista. Está disponível no canal do Correio do YouTube.

Por fim, casos de racismo como o ocorrido no último domingo no Mineirão precisam ser punidos com rigor. Com a popularização dos smartphones e a democratização de acesso às redes sociais, os flagrantes de situações nítidas de preconceito passaram a ser facilmente identificáveis. O poder público tem que dar o exemplo e agir com rapidez em situações como essa. Além de avançar nas questões de raça, gênero e etnia. Estamos muito longe do ideal, mas é o desejo da maioria da sociedade.

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