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Correio Braziliense

Artigo: Desperte a sua consciência

O Dia da Consciência Negra, que hoje se transformou em mês, é o momento de dar voz e visibilidade a quem, normalmente, fica à margem


postado em 19/11/2019 09:58 / atualizado em 19/11/2019 09:59

Em novembro o racismo ganha mais espaço na mídia
Em novembro o racismo ganha mais espaço na mídia
Desde 2003, todo novembro vem com a discussão da Consciência Negra, data oficial do calendário nacional para refletir a inserção do negro na sociedade brasileira. É nesse momento em que essa minoria — que representa mais da metade da população brasileira, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — ganha espaço maior na mídia.

A minha relação com a data começou graças a Maíra de Deus Brito, jornalista e autora do livro Não. Ele não está, lançado pela Appris Editora no ano passado. Foi ao lado dessa amiga que entendi a importância do Dia da Consciência Negra em um país, onde a escravidão fincou raiz e fez morada, resultando em dados alarmantes, como os relativos ao genocídio negro apontados no Atlas das Violência de 2017, em que a cada 100 pessoas assassinadas, 71 eram negras, só para citar alguns.

A data, que hoje se transformou em mês, é o momento de dar voz e visibilidade a quem, normalmente, fica à margem, porque como diz  Wanderson Flor do Nascimento, professor de filosofia e bioética da Universidade de Brasília no prefácio do livro, “aprendemos que contar histórias, mesmo no meio das dores, é um dos gestos mais potentes de resistência”.

É isso que pessoas como Maíra de Deus Brito e Chris Donizete, autora que integra a matéria de capa do caderno Diversão & Arte de hoje sobre literatura negra infantil, estão fazendo. Maíra resolveu destrinchar a história de duas mães que perderam os filhos — dois jovens negros — assassinados. A partir do relato delas,  expõe a percepção de racismo, de violação dos direitos humanos, além dos privilégios da branquitude, em um livro duro, mas extremamente verdadeiro e tocante. Por escrever para o público infantil, Donizite optou por uma linguagem mais simples e positiva. Pela história de MaríLia, a autora mostra a dor do preconceito racial sofrido pela menina, ao mesmo tempo em que mostra os meios de combate.

Independentemente do tipo de discurso, os dois livros têm algo em comum: despertam a luta contra o racismo. Movimento esse que precisa ser o legado de mais um Mês da Consciência Negra. Que esse novembro desperte  esse sentimento, porque, como destacou a ativista Angela Davis durante passagem por São Paulo em setembro: “Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”.

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