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Correio Braziliense

Visão do Correio: O Brasil não é uma ilha

''Jair Bolsonaro reconheceu a necessidade de olhar com mais cuidado para o social e reforçar a política de combate à pobreza, alvo de críticas da direita e da esquerda''


postado em 26/11/2019 10:54

Chile enfrentou onda de protestos recentemente(foto: AFP/ Johan Ordonez)
Chile enfrentou onda de protestos recentemente (foto: AFP/ Johan Ordonez)
A América do Sul está em chamas. Países que cercam o Brasil, à primeira vista tão diferentes, sacodem-se movidos por onda de violência aparentemente sem relação uma com a outra. Fagulhas diferentes iniciaram um incêndio de insatisfações que surpreenderam não só os governantes, mas também estudiosos da comunidade internacional.

Motivos específicos desencadearam a crise. No Equador, o fim dos subsídios que levou ao aumento do preço dos combustíveis. No Peru, a dissolução do Congresso. Na Bolívia, impasse eleitoral na tentativa de dar mais um mandato a Evo Morales. No Chile, a majoração do preço da passagem do metrô de Santiago. Na Colômbia, o avanço das reformas liberais. Na Venezuela, a ditadura Maduro, que expulsou do país quase 5 milhões de cidadãos. Na Argentina, o fracasso do governo Macri, que levou a uma virada eleitoral. O Uruguai está com as barbas de molho à espera do resultado das eleições quase empatadas.

O Brasil não é uma ilha cercada de agruras por todos os lados. Ele faz parte do subcontinente e, tais quais os vizinhos, pode ser surpreendido por onda de manifestações difusas. Não seria fato inédito. Em 2013, multidões tomaram as ruas das principais cidades impulsionadas pelo movimento de estudantes paulistas que protestavam contra o aumento no preço da passagem.

Ficar indiferente aos acontecimentos é fazer as vezes do avestruz, que esconde a cabeça para não enxergar o que se passa ao redor. A tática só contribui para agravar o problema. Prevenir é melhor que remediar. Daí por que acertou o presidente da República ao afirmar, no Rio, que “temos de nos preparar para não sermos surpreendidos pelos fatos”.

Jair Bolsonaro reconheceu a necessidade de olhar com mais cuidado para o social e reforçar a política de combate à pobreza, alvo de críticas da direita e da esquerda. Trata-se de exercício de alquimia no cenário de restrição fiscal. Mas medidas se impõem. A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, recebeu a incumbência de ampliar benefícios às famílias de baixa renda.

Entre as propostas em análise, sobressai a que concede adicional de R$ 6,81 aos R$ 89 mensais nos benefícios do Bolsa Família. Nas estimativas do governo, são 13,8 milhões de famílias ou 43 milhões de pessoas. O montante parece pequeno, mas tem impacto positivo na cadeia econômica.

Outras medidas estão em estudo. Uma delas: programa habitacional em municípios com mais de 50 mil habitantes destinado a famílias com renda média de até R$ 1.200. Ele substituirá o Minha Casa, Minha Vida. Outra: incentivo a bolsa atleta escolar. Cinco mil estudantes devem receber R$ 300 para se dedicar à atividade esportiva.

São iniciativas bem-vindas. Além de atenuar a extrema pobreza, contribuem para manter os jovens nas instituições de ensino e, com isso, evitar a evasão escolar. Rapazes e moças que fazem parte do grupo nem-nem são presas fáceis do crime organizado.


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