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Correio Braziliense

Visão do Correio: Lixo gera preocupação

Aproximadamente 60% dos municípios brasileiros utilizam os inadequados lixões, impactando cerca de 42 milhões de moradores


postado em 02/12/2019 11:50

Os lixões estão presentes em mais da metade dos municípios brasileiros e prejudicam número muito maior de cidades e habitantes(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Os lixões estão presentes em mais da metade dos municípios brasileiros e prejudicam número muito maior de cidades e habitantes (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Em meio a gravíssimos problemas relacionados ao meio ambiente, como as recorrentes queimadas em grande escala no país e do óleo que poluiu mais de 800 localidades no litoral – o petróleo já chegou a praias do Rio de Janeiro –, outro dano ambiental sério tem de ser encarado de frente pelas autoridades: os lixões. Eles estão presentes em mais da metade dos municípios brasileiros e prejudicam número muito maior de cidades e habitantes, durante todo o ano. São verdadeira ameaça aos centros urbanos e à saúde das pessoas, o que acaba sobrecarregando, ainda mais, o sistema de saúde pública. Não é incomum, na periferia de grandes centros urbanos, a degradante cena de homens, mulheres e crianças se expondo a toda sorte de contaminação no meios dos lixões.

Estudo inédito da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos Sólidos e Efluentes (Abetre) constatou que aproximadamente 60% dos municípios brasileiros utilizam os inadequados lixões, impactando cerca de 42 milhões de moradores. Ao analisar bancos de dados públicos como o do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS), das 3.556 cidades pesquisadas, chegou-se à conclusão de que existem 2.207 locais de destinação final do lixo, sendo apenas 640 aterros sanitários. Os lixões são  uma forma inadequada de disposição final de resíduos sólidos, que se caracteriza pela simples descarga do lixo sobre o solo, sem qualquer medida de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública.

Tudo indica, na avaliação dos técnicos, que os outros 2.014 municípios que não responderam ao questionário do SINS sobre a destinação dos resíduos utilizam lixões. Se tivessem aterros funcionando normalmente, não se furtariam a fornecer as informações solicitadas pela entidade. A estimativa é de que esses locais impróprios, onde os lixos residencial, comercial, hospitalar e industrial se misturam perigosamente, recebem, por ano, algo em torno de mais de 70 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, sendo 78% reciclável (entre orgânicos e secos) – a questão é que a coleta seletiva ainda engatinha no Brasil.

Calcula-se que seriam necessários cerca de 500 aterros sanitários para mitigar o problema dos lixões em todo o país, a um custo de, aproximadamente, R$ 2,6 bilhões. No entanto, não basta a liberação dos recursos para as obras. É preciso garantir a sustentabilidade econômica dos aterros e do sistema de coleta e destinação do lixo. Dados do SNIS mostram que mais de 70% das 901 cidades brasileiras cujos serviços de limpeza urbana têm autossuficiência financeira, acima de 10%, já conseguiram eliminar os lixões.

O certo é que muitos aterros sanitários implementados com verbas do governo federal viraram lixões por falta de dinheiro para manutenção. Diante da constatação de que o país enfrenta sérias dificuldades para destinar corretamente o lixo, com graves consequências para a população e o meio ambiente, medidas efetivas têm de ser tomadas com urgência, pelos governantes, para reverter esse quadro.

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