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Correio Braziliense

Artigo: Mais R$ 4 bi para eles

Diante da perplexidade da nação, políticos parecem repetir o debochado refrão que costumava bradar Justo Veríssimo: ''Quero que pobre se exploda!''


postado em 02/12/2019 11:55

''É urgente, no país, uma reforma política que institua o voto distrital e garanta o direito de recall %u2013 de o povo votar pela perda do mandato de um político que não corresponde às expectativas %u2013 e de decidir o melhor uso do dinheiro público''(foto: Marilia Lima/CB/D.A Press)
''É urgente, no país, uma reforma política que institua o voto distrital e garanta o direito de recall %u2013 de o povo votar pela perda do mandato de um político que não corresponde às expectativas %u2013 e de decidir o melhor uso do dinheiro público'' (foto: Marilia Lima/CB/D.A Press)
À medida que nova eleição se aproxima, a maioria dos políticos que elegemos perde quaisquer resquícios de vergonha. E, descaradamente, apesar da difícil situação do país, trama mais um assalto ao bolso dos brasileiros. É nesta hora que os supostos extremos de direita e de esquerda se unem, sem dó nem piedade, no famigerado ato de meter a mão no dinheiro de todos nós. No ano passado, o valor do fundo eleitoral chegou a R$ 1,7 bilhão. Insaciáveis, essas excelências querem arrancar, agora, R$ 4 bilhões dos cofres públicos para sacramentar a conquista de mais um mandato em 2020.

Entre a fúnebre situação de hospitais, de escolas, de estradas e da segurança pública no país, essas excelências, do alto do mandato conferido para trabalhar em defesa da população e do bem do Brasil, nem pensam duas vezes. Diante da perplexidade da nação, parecem repetir o debochado refrão que costumava bradar Justo Veríssimo, um dos geniais personagens criados por Chico Anysio: “Quero que pobre se exploda!”. Apostam na memória curta dos eleitores. Ou no desdém –  ou nojo, sabe-se lá – que grande parte dos brasileiros tem pela política.

É um acinte à população. Um murro na cara do brasileiro, que trabalha mais de cinco meses apenas para pagar impostos. É uma pá de cal em pacientes abandonados à morte na fila do SUS porque faltam equipamentos, médicos, enfermeiras e tudo o mais que se puder imaginar em hospitais públicos. É condenar ao perpétuo atraso crianças pobres de escolas públicas em que, de tão desaparelhadas, mal conseguirão superar o analfabetismo funcional. Imagine, então, se preparar para a quarta revolução industrial em curso no mundo?

Não querem nem saber se o filho dos eleitores tem a cesso à educação decente, se contam  com segurança pública, saneamento básico, transporte público... Na redoma fora da realidade nacional em que se transformou o exercício do mandato, a maioria acha que tudo pode. Afinal, sempre legislaram em causa própria e sempre ficou por isso mesmo. Bancamos para eles, por exemplo: moradia, auxílio paletó, correspondência, gasolina, viagens, verba para encher o tanque de gasolina, verba para lotar gabinetes de puxa-sacos. Um escândalo sem precedentes no planeta.

E assim será enquanto os brasileiros não tiverem consciência do valor do voto. É urgente, no país, uma reforma política que institua o voto distrital e garanta o direito de recall – de o povo votar pela perda do mandato de um político que não corresponde às expectativas – e de decidir o melhor uso do dinheiro público. Dinheiro para financiar campanha? O político que faça vaquinha – com transparência e vigiada on-line pelo TSE e pela população – e peça aos eleitores. Afinal, são eles que sabem, melhor do que ninguém, quem merece receber apoio.

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