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Correio Braziliense

Artigo: Há futuro no Brasil de Bolsonaro e Lula?

De um lado, Bolsonaro. Do outro, Lula. Cada um, de maneira mais atrasada e beligerante que o rival, alimenta o ódio


postado em 09/12/2019 13:40 / atualizado em 09/12/2019 13:42

(foto: Carl de Souza/AFP e Leo Malafaia/Folha de Pernambuco/AFP)
(foto: Carl de Souza/AFP e Leo Malafaia/Folha de Pernambuco/AFP)
De um lado, Bolsonaro. Do outro, Lula. Cada um, de maneira mais atrasada e beligerante que o rival, alimenta o ódio que move exércitos de fanáticos nas redes sociais. Diante dessa guerra, dia e noite, sem trégua, confesso temer pelo futuro do Brasil. Ainda mais diante do atual cenário político. Há um empenho que merece respeito do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), em levar adiante uma agenda de reformas cruciais para o país. Há, também, raras promessas, como a jovem deputada Tabata Amaral (PDT-SP), ativista pela educação e que não se deixa aprisionar por discursos maniqueístas à esquerda e à direita.

No dia a dia, contudo, o que prevalece, para horror do país, é a infantaria cibernética entre bolsonaristas e petistas. Movido a troca de acusações e fake news, o bombardeio mantém acesa a insana polarização ideológica que condena o país às trevas. Esse fogo cruzado, que começou com o “nós contra eles” ainda no primeiro governo Lula, dizimou os partidos de centro, como o DEM e o PSDB, que nunca se armaram até os dentes para a guerra suja na internet. Foi aí que a extrema direita, aproveitando-se do vácuo, entrou na guerra com Bolsonaro à frente.

Diante do despreparado capitão reformado, o PT, mesmo com Lula atrás das grades, vislumbrou uma vitória fácil. Desdenhou de aliados, como Ciro, e foi à guerra com um novo poste, Fernando Haddad. Apesar do vexame em São Paulo, em que Doria derrotou o então prefeito em primeiro turno, o partido surgido no ABC paulista apostou no ex-ministro da Educação. Dimensionou mal a rejeição do Brasil à sigla depois dos seguidos escândalos do mensalão, do petrolão e do desastrado governo Dilma, que deixou como legado esse fundo do poço do qual ainda nos debatemos para sair: a pior recessão da história, com empresas quebradas e milhões de desempregados.

Muita gente cita o Bolsa Família, programa de distribuição de renda, como o grande “avanço social” do governo Lula. Mas, ao perguntar a Dirceu sobre o que representava o programa, Hélio Bicudo tomou um choque de realismo político: “São mais de 40 milhões de voto”, teria dito o pragmático petista, conforme relata Bicudo. Um dos fundadores do PT, o jurista contou que ficou estarrecido e desiludido com a resposta.

Só a educação de boa qualidade pode salvar o Brasil do atraso que bate à porta. Estudo da UFRJ mostra que, nas duas próximas décadas, a automação movida a novas tecnologias ameaçam tirar nada menos que o emprego de 27 milhões de brasileiros. Para escapar da tragédia anunciada, o país precisará de centenas de Rodrigos e Tabatas. Mas, por enquanto, o que nos resta são Lula e Bolsonaro. Dá pra enxergar algum futuro?

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