Opinião

Tempo de recomeçar

É hora de descartar tudo o que não serve mais. Desnudar-se das dores e dos rancores. Abandonar o ódio e a intolerância. Acolher os sabores e os amores. É hora de apostar na vida em toda a sua exuberância. Tempo de perdoar e abrigar a paz. Aliás, hoje é Dia da Fraternidade Universal. Oportunidade para a humanidade se perceber conectada. Somos diferentes em tantas coisas: angústias, idiomas, culturas, hábitos, crenças, sonhos e frustrações. No entanto, somos todos filhos de uma mesma Terra, habitamos o mesmo espaço e compartilhamos o desejo de dias melhores. Talvez hoje seja o momento ideal para para recomeçar.
É hora de expurgarmos da sociedade pensamentos retrógrados de racismo, misoginia, homofobia. De não idolatrarmos falsos mitos e de exigir de nossos políticos a compreensão sobre a dívida de gratidão que têm para conosco. De entenderem, do alto de seu egocentrismo engravatado, que nós somos os patrões e que a nós eles devem subserviência e respeito. O ano que se inicia nesta quarta-feira pode ser uma chance de valorizarmos a coletividade e de lutarmos pelo bem comum. Não se fazem mudanças com armas, nem com discursos hipócritas e virulentos. As transformações vêm pela união, força motriz de qualquer sociedade.
Também é hora de colocar um basta no feminicídio, de compreender que a mulher tem o direito absoluto de amar quem quiser, de ser feliz e de reconstruir o próprio destino. Sem o medo de que um “homem”, o qual se julga possuidor de seu corpo, lhe retire o também sagrado direito de respirar e de viver.
Que em 2020 as amarras que oprimem a sociedade sejam desatadas. E censura seja apenas uma memória difusa da ditadura militar. E o papel da imprensa no Brasil seja respeitado e valorizado pelos adeptos de todos os matizes ideológicos e políticos. Ainda que contra a vontade dos poderosos, o jornalista exerce a missão de fiscalizador do governo e de guardião da democracia. Sem a imprensa, não existe informação de qualidade. Sem ela, a sociedade fica à mercê dos desmandos e da corrupção.
Desejo que em 2020 todos nós possamos ser mais suaves nas palavras e nas ações. Que o trânsito não seja motivo para lançar vidas no limbo da dor, da incerteza e do desespero. Que a segurança e o respeito se sobreponham à violência e ao desprezo. Desejo a você, caro leitor, um ano pleno de amor, de harmonia e de luz. Enfim, um recomeço rumo a tempos de paz.