Opinião

Artigo: ''Bagunça no INSS''

O colapso do atendimento é resultado da reestruturação do INSS por decreto no qual o presidente Jair Bolsonaro transferiu o órgão para o Ministério da Economia

Sacha Calmon*
postado em 19/01/2020 09:34
Mancha sobre pessoasEsse governo tem uma diferença, é honesto e isso é muito bom. Mas em termos de administração deixa a desejar. Nesse item, FHC e Temer foram mais capazes. Veja-se agora o caos por que passa o INSS fazendo sofrer o povo mais dependente dos seus recursos, estes mesmos que construíram nosso país com trabalho para tornar ainda mais ricos os brasileiros capitalizados.

Aposentados e pensionistas do setor público não apresentam problemas. Eu próprio como ex-juiz federal e professor titular universitário não tenho do que me queixar. Soubemos, os estamentos superiores do funcionalismo, tomar conta da União, estados e munícipios. Nós e os agentes políticos nas esferas federal, estadual e municipal convivemos muito bem, principalmente com a União.

É certo que estados mal geridos nos criam problemas, pois o funcionalismo nesses lugares afrouxou a pressão. O resultado é que hoje não recebem em dia, casos do Rio, Rio Grande do Sul, Minas Gerais. No mais, no Pará, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, só para exemplificar o funcionalismo vai bem obrigado!

Feito esse interregno, voltemos ao INSS. Bolsonaro e seus acólitos fizeram um banzé dos diabos com o INSS. A tal reforma que acabou passando seria a salvação da pátria, no que nunca acreditei. Sou mais o agronegócio e a indústria de transformação, a passar por momentos críticos.

Luiz Carlos Azedo, um doce de pessoa, analisa bem a questão: ;O governo decidiu convocar 7 mil militares da reserva para resolver o problema das filas do INSS, nas quais dois milhões de segurados aguardam suas aposentadorias e outros benefícios, como salário-maternidade e auxílio-doença. Esse é o saldo de um ano de incompetência na gestão do órgão, no qual 1,5 milhão de processos de aposentadoria estão parados por falhas no sistema.

O colapso do atendimento é resultado da reestruturação do INSS por decreto, de 9 de abril de 2019, no qual o presidente Jair Bolsonaro transferiu o órgão do antigo Ministério do Desenvolvimento Social para o Ministério da Economia, ironicamente subordinado à Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital. Ou seja, resolveram reinventar a roda. Na canetada, foram extintos 129 cargos em comissão do Grupo-DAS, cujos titulares eram técnicos e foram sumariamente exonerados, ficando o Ministério da Economia de apresentar a proposta de reengenharia administrativa do INSS. O resultado é esse que estamos vendo, com milhares de pessoas dormindo nas filas e sendo maltratadas nas agências do órgão. ;

Nesse setor do INSS uma avalanche de 2 milhões de aposentados e peticionários de benefícios previdenciários sofrem horrores, numa época de demissões no setor privado e de crise no setor público, totalmente convulsionado, especialmente na área do conhecimento e universidades, justo onde está o potencial de inovação e inteligência (as coisas vão de mal a pior). O crescimento econômico esse ano foi pífio, na América Latina ficamos na rabeira, com toda a empatia do Capitão. Dizem que a Argentina crescerá mais do que nós no ano entrante. Se isso acontecer, vou jogar a toalha...

Fato é que no primeiro ano de Bolsonaro tivemos crise após crise. O segundo ano é esperança, crescimento econômico, emprego et caterva, mas até o carnaval e após a Semana Santa, a indústria terá recuado 3.4% dizem os analistas econômicos e talvez seja mais um ano perdido e, diga-se, sem qualquer força política oposicionista nas ruas ou no Congresso Nacional, ansioso pelas ;reformas; bolsonaristas que nunca chegam. Esse Guedes parece mais de falar do que de fazer. Tenho saudades de Delfim Netto. Vivemos num ramerrão, de ideias e planos e muito longe das ações. Querem saber? Estou surpreendido. Este governo está pior do que os piores prognósticos de seus adversários. Há momentos em que fico assustado. Ao cabo o que será dos meus. As famílias que podem estão fazendo planos próprios e algumas as malas. (Eu não arredo o pé). Mas e os nossos conterrâneos pobres? Temos o dever de resgatar essa nação.

Falta, e muita, competência no governo. Estamos desgovernados. O país demora a deslanchar. E todos torcem para um aumento do PIB de pelo menos 2% em 2020. Que vergonha para um país que crescia entre 6% a 8% ao ano nos duros tempos da ditadura militar. Éramos, à falta de Juscelino, o maior presidente do Brasil, governados por generais! Nesse período que se foi, houve crescimento e faltou liberdade. O Brasil é um país infeliz. Hoje temos liberdade e não crescimento.

*Advogado

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