Aquele que não aprende com as lições da história e da vida, dizia o filósofo de Mondubim, está condenado, contra a própria vontade, a repetir os mesmos erros, transformando seu destino numa farsa insuportável. Advertência como essa serve tanto para um indivíduo como para uma nação inteira. No caso das manifestações populares, programadas para acontecerem em 15 de março, esse aforismo tem o atual governo como o endereço certo. De quebra, serve também para todos aqueles envolvidos nesses acontecimentos, tanto para aqueles que querem ver o país pegar fogo quanto para os que sonham em tirar proveito dessa situação.
Cabe ao governo e a todas as autoridades com responsabilidade sobre os destinos do país cuidarem para que o Estado siga firme no caminho da estabilidade institucional. Exemplos vindos do passado ensinam que qualquer desvio de rota ou atalhos a opções fora do script da Carta Maior levam a consequências indesejáveis e tendem a recair, de forma inexorável, sobre os ombros da sociedade.
Tem havido muito cruzamento de informação, o que só tem servido para aumentar as distorções da verdade. Hoje, é preciso ficar atento às ciladas representadas pelas redes sociais, principalmente pelos mecanismos de plebiscitos instantâneos, como modelos para democracia do tipo direta. As vozes das ruas, muitas vezes, soam como cânticos de sereias, atraindo incautos para o fundo do poço.
O apoio recebido das mídias sociais nas eleições é uma coisa; outra, muito diferente, é apoiar nesse mundo virtual para mudança de trajetória. Boatos ou não, o fato é que o noticiário em todo o país tem chamado a atenção para o aumento preocupante de tensão entre os poderes Executivo e o Legislativo.
É verdade que desde que assumiu, o presidente Bolsonaro não tem mantido boa relação com o Congresso. O motivo, segundo quem acompanha de perto as atividades diárias desses poderes, estaria na mudança de rumos adotada pelo atual governo com relação ao modelo de presidencialismo de coalizão.
De forma sucinta, o Palácio do Planalto teria cerrado as portas do antigo balcão de negócios, do tomá lá da cá, interrompendo uma prática nefasta e antiga, que permitia o prosseguimento tranquilo da governabilidade. Sem uma base disciplinada e coesa dentro do Congresso, o presidente navega em mares revoltosos dentro da Câmara e do Senado, numa reedição, mal-arrumada, do que foi o governo Collor.
Por outro lado, tem razões de sobra o governo que, pela boca do general Heleno, reconheceu que o Executivo está acuado e se julga chantageado pelos políticos. Para piorar uma situação que é tensa, é sabido que o presidente Bolsonaro tem atrás de si a pressão dos filhos, inexperientes nas artes de governo e pouco afeitos ao entendimento.
O loteamento de postos-chaves do Palácio do Planalto por militares de alta patente é outro complicador nessa questão, principalmente para quem não coloca o país em primeiro lugar. Para os políticos, a situação também é delicada. Desde sempre, sabe-se que o maior temor dos políticos é povo nas ruas, principalmente para aqueles políticos que só mantêm relação pessoal com a população em épocas de eleições.
A frase que foi pronunciada
A frase que foi pronunciada
“A verdade sai do poço,
sem indagar quem se acha à borda.”
Machado de Assis, escritor brasileiro
Resultado
» Paulo, Marcos e outros funcionários de quiosques
da Mac Donald’s agradecem a notinha da
coluna, em que reclamavam um banco para os
empregados se sentarem. Hoje, não são
mais obrigados a trabalhar em pé.
Sem manutenção
» Na Estrada Parque Paranoá Norte (DF 005),
perto da curva da dona Dionísia, há crateras
perigosas, principalmente para motoqueiros.
De boa
» A nota abaixo trata de um problema social que
acontece com o Bolsa Família. Muita gente opta
só pelo benefício que dá perfeitamente para
sobreviver em troca da oportunidade de um emprego.
É preciso repensar a política.
História de Brasília
História de Brasília
A Novacap está levando avante uma política extremamente danosa para os trabalhadores. Isto de dar comida de graça é acintoso, e foco de agitação. É que, em muitos casos, há, realmente, necessidade, mas a maioria se encosta para receber alimentação, e não quer mais trabalhar.
(Publicado em 16/12/1961)