Opinião

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Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 18/03/2020 04:14

A segurança de voltar ao lar

Repetia o filósofo de Mondubim: ;boa romaria faz, quem em sua casa fica em paz.; Em tempos de pandemia, uma novidade para as duas últimas gerações do pós-guerra, permanecer em casa, de forma obrigatória e em nome da própria sobrevivência, por certo modificará temporariamente, ao menos, o cotidiano de famílias inteiras por todo o mundo.


Desse modo será alterada, também, a dinâmica de cidades inteiras, principalmente aquelas agitadas pelo frenesi de pessoas, sempre indo e vindo, como formigas. Por certo serão alteradas, ainda, a economia de muitas metrópoles, acostumadas e economicamente dependentes dessa movimentação das pessoas. Para aquelas cidades que fervilham à noite com a boemia, será um longo período de finados. Muito mais do que os prejuízos, que serão enormes, o esvaziamento das cidades, pelo forçar da quarentena, trará de volta um passado há muito deixado para trás, quando o escurecer do dia obrigava a todos retornar para casa e fugir das ruas escuras.


Outro hábito que poderá, ainda que por pouco tempo, ser revivido será o reagrupamento das famílias, tirando as crianças das escolas e os pais do trabalho. Quem sabe se pela imposição do momento delicado, não estarão sendo iniciados flashes de um novo modelo de vida urbana, lições que resgatem e modernizem novas relações de trabalho, com o incremento do teletrabalho e do ensino a distância, capazes, entre outras alterações positivas, reascender as relações familiares, tão absorvidas pela velocidade da vida hodierna.
Imagens que chegam da Itália, com vizinhanças inteiras retidas dentro de casa, mas cantando e tocando em grandes grupos comunitários, cada um de sua janela, mais do que uma bela e comovente imagem, parece resgatar tempos perdidos no passado, quando toda a vizinhança se reunia no fim do dia para trocar informações e histórias e que, de alguma forma, reforçavam os laços de solidariedade entre todos, criando uma espécie de grande família, onde todos pareciam repartir um destino comum.


Por aqui, o que se apresenta como uma longa e talvez árdua experiência ainda está em seu começo e pode mostrar muito sobre nossa capacidade de resiliência. Nesse sentido, e apenas para reforçar essa mudança de hábitos, é bem-vinda a decisão do Ministério da Educação (MEC) de autorizar que as escolas possam substituir as aulas presenciais da educação básica, pelo modelo a distância, ao menos nas próximas semanas, como forma de evitar aglomerações em salas fechadas. Embora permitida em caráter extraordinário, para todas as etapas do ensino básico, a adesão das escolas será facultativa.

Obviamente que esse é um modelo que se encaixa apenas para as famílias que se enquadram nessas condições. Para as demais e principalmente para a população que vive nas ruas, cujos os números não param de crescer, o perigo de contágio e de disseminação é ainda muito alto e pode pôr a perder todo o esforço que vem sendo feito para conter a proliferação do vírus.


Ao contrário da Europa, que nesse momento é apontada como o principal foco da doença, no Brasil e na América Latina a Convid-19 poderá ter perdido a força no tempo frio, podendo facilitar muito seu combate durante o calor, principalmente onde o vírus não se adapta.

A frase que foi pronunciada
;Não permito que nenhuma
reflexão filosófica me tire a alegria das coisas simples da vida.;
Sigmund Freud

Chega

; Há mega e nano interesses por trás do coronavirus. Em Brasília, o diretor-geral do Procon, Marcelo Nascimento, e sua equipe estão com lupas nos preços abusivos cobrados por algumas farmácias da cidade. Luvas, máscaras e álcool em gel a preços estratosféricos.

Ação
; Recebemos de Leda Watson a imagem mais chocante até agora, com os dizeres: ;O vírus da fome mata 8.500 crianças por dia. A vacina existe e chama-se comida. Mas isso não interessa nada...;

Instrumentos
; Mais um depoimento importante. Alexandre Garcia rasga as cortinas clareando a realidade sem rodeios. Mostra quanto ganha a China com toda essa press-pandemia. Veja no blog do Ari Cunha.

Fecomércio

; Luis Otávio Rocha Neves, presidente do Sindeventos, trabalha para que os organizadores de evento não cancelem as programações agendadas, mas apenas adie. ;É uma construção que está sendo feita dentro do Fecomércio. Estamos consultando o governo e sentindo o termômetro. Até onde estão dispostos a ajudar a gente. Estamos nos reunindo com o setor para buscar soluções. Queremos fazer uma campanha com os presidentes de congressos para adiar os eventos e não cancelar;, explicou.

História de Brasília

Hoje, é o aniversário de um homem tímido, inteligente, capaz, seguro, às vezes ingênuo, que confia nos homens, acredita nas palavras alheias. Hoje, é o aniversário de um homem simples, que tem tudo para ser orgulhoso. Hoje, é o aniversário de um gênio. Bom dia, doutor Oscar Niemeyer. (Publicado em 15/12/1961)

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