Opinião

Medidas contra a crise

postado em 03/04/2020 04:32

A ampliação do decreto do governador Ibaneis Rocha com as medidas de prevenção ao novo coronavírus pegou muita gente de surpresa e provocou uma mudança de planos entre os comerciantes. Mesmo que de forma tímida, havia uma expectativa de que, a partir da próxima semana, poderia ocorrer uma liberação gradual de algumas atividades. Agora, não mais. Somente os serviços essenciais, como supermercados, farmácias e afins, poderão funcionar até 3 de maio.

Com a medida, muitos comércios terão que permanecer de portas fechadas. Há setores em que o desânimo é grande, principalmente bares e restaurantes. Na semana passada, o discurso dos empresários estava na linha de que o fundamental era garantir o pagamento da folha salarial, prevista para a próxima semana. Os planos, no entanto, vão mudar: demitir ou não vai dar o tom da relação entre patrões e empregados.

Dados iniciais do Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), desde o início da quarentena até o fim de março, indicam que foram dispensados mais de 3 mil empregados, incluindo aqueles que estavam em contrato de experiência. A estimativa é de que as dispensas se intensifiquem, chegando a aproximadamente 11 mil demissões até 5 de abril, data inicialmente prevista para o término da paralisação. Como vai ficar agora? Eis a grande questão. Projeções pessimistas dão conta de que 50% dos 110 mil empregos diretos podem ser dizimados. É muita gente.

Na terça-feira, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), José Carlos Magalhães Pinto, disse, em entrevista ao programa CB.Poder, que o momento é difícil para todos e que alguns comércios têm fluxo de caixa para apenas mais 15 dias. E citou que uma ajuda do GDF será fundamental para alivar a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Muitos empresários pensam em soluções. Há uma interlocução com a Câmara Legislativa para que seja apresentado um projeto de lei para estimular a manutenção do emprego e dos comércios. O ICMS tem um peso importante no fluxo de caixa de qualquer negócio. Então, uma das ideias é de que, de abril até dezembro, as empresas que conseguirem manter o quadro de funcionários teriam um desconto ou compensação na arrecadação do imposto. É viável? Pode ser que sim. O que não podemos é deixar a pandemia de Covid-19 provocar uma paralisia. Por isso, se puder, apoie e compre de restaurantes que funcionam com o serviço de delivery (mas lembre-se de higienizar as embalagens antes de consumir). Ajudará a manter muitos empregos. Pode ter certeza.


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