Opinião

O funcionalismo no combate ao coronavírus

''O Distrito Federal tem aproximadamente 300 mil funcionários públicos e tenho certeza de que todos estão engajados e dando sua contribuição para que o Brasil supere a crise o quanto antes''

Paula Belmonte*
postado em 20/04/2020 04:35
Os servidores cumprem uma nobre missão durante a crise do coronavírus. Estão na linha de frente no combate à Covid-19: médicos, enfermeiros, pessoal de apoio da saúde, fiscais do Procon e DF Legal, policiais, bombeiros, garis e professores, bem como os funcionários que estão trabalhando incessantemente para que os recursos emergenciais cheguem a quem mais precisa.

O Distrito Federal tem aproximadamente 300 mil funcionários públicos e tenho certeza de que todos estão engajados e dando sua contribuição para que o Brasil supere a crise o quanto antes. Além do papel profissional, familiar e social que desempenham, eles serão de extrema importância para o Distrito Federal superar as consequências econômicas da pandemia. Acredito que serão a mola propulsora para a retomada do crescimento.

Ao contrário das demais categorias, os servidores não sofreram nem devem sofrer os impactos financeiros gerados pela pandemia, tais como redução salarial ou perda de emprego e renda. Temos, no Distrito Federal, um contingente semelhante de empreendedores. Mas eles têm passado por sérias dificuldades econômicas devido ao isolamento social e às medidas adotadas pelo governo para impedir a aglomeração de pessoas.

Por isso, os servidores públicos serão essenciais para a economia. A responsabilidade social deles é maior neste momento e tenho certeza de que vão agir de forma benevolente em relação aos demais setores da sociedade. Na questão das mensalidades escolares, por exemplo, concordo com os argumentos dos pais que algum tipo de desconto deve ser dado. Mas faço a seguinte ponderação: é justo dar um desconto linear?

Parece-me que não. Pais empresários, que têm negócios que dependem da livre circulação de pessoas, de um dia para o outro perderam a renda e estão com muita dificuldade para cumprir os compromissos. Para eles, o fardo tem sido mais pesado e o desconto seria um alívio. No caso dos pais funcionários públicos ou que trabalham em setores que não foram afetados pela crise, talvez não pese tanto no bolso pagar integralmente a mensalidade.

Há outro ponto que gostaria de destacar. Recentemente promovi uma reunião on-line com representantes de escolas e de pais de alunos. Os donos de escola ponderaram que as folhas de pagamento estão integrais, ou seja, não houve redução dos salários dos professores e funcionários, tampouco demissão. Além disso, buscaram e investiram em ferramentas de teletrabalho para minimizar o impacto da crise na educação dos estudantes.

Em caso de redução drástica do valor das mensalidades, os primeiros prejudicados seriam os professores, que perderiam parte do salário ou seriam demitidos. É correto tratar dessa maneira quem se dedica aos nossos filhos? E é justamente nesse questionamento que está o cerne da minha mensagem. Nos momentos de crise, devemos ser solidários, pensar nos impactos das nossas ações no próximo, ter responsabilidade social.

Deixar de pagar, por exemplo, o instrutor de pilates, a escolinha de futebol, o professor de idiomas, os prestadores de serviço em geral não é questão apenas de economizar ou deixar de pagar por um serviço momentaneamente paralisado. É ato que gera consequência na vida dos demais e pode ser a diferença entre levar o pão para casa ou passar necessidade.

A roda da economia tem que continuar a girar. As boas atitudes geram reação em cadeia. Se eu continuo a pagar integralmente a um autônomo ou prestador de serviços, ele vai ter condições de continuar a consumir, de comprar no mercadinho da vizinhança, na padaria, de seguir pagando a escola do filho. E o Distrito Federal, por ter um contingente expressivo de funcionários públicos, tem melhores condições que as demais unidades da Federação para manter a roda girando. Repito: não é simplesmente uma questão econômica. É mais que isso. É o compromisso com o próximo, com a coletividade. Não vamos tirar proveito da crise. O momento é de ajudar, não de pensar apenas nos próprios interesses.

Além da dimensão material, a crise nos impõe, ou melhor, nos dá a chance de rever valores e conceitos. A correria do dia a dia nos impede muitas vezes de ter contato mais próximo com a família, de fazer uma pausa para uma prece, um pensamento positivo, uma reflexão. Em meio a tantas notícias tristes, vamos fazer deste difícil momento uma janela para nova visão do mundo e, por que não, de nós mesmos. Ter em mente que todos estamos neste mundo e devemos juntos lutar para transformá-lo, torná-lo um lugar melhor para as próximas gerações.

Podemos começar a mudança hoje. A solidariedade é uma mão de via dupla. Quem ajuda o próximo ajuda a si mesmo. Com fé em Deus e muito trabalho e solidariedade, vamos superar a crise e viver novo tempo de dias melhores.

* Deputada federal (Cidadania-DF)

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