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Correio Braziliense

Lições da pandemia

''Aprendemos a cuidar do próximo, mesmo que de forma inconsciente ou mecânica. Quem não se protege coloca em risco a saúde e a vida do outro''


postado em 13/05/2020 04:03 / atualizado em 13/05/2020 08:38

Empatia. Até o momento em que escrevo este artigo, 12.400 brasileiros perderam a vida. Provavelmente, algum esteja morrendo neste instante, em algum hospital, longe da família, na única companhia de enfermeiros dos quais nem mesmo puderam receber um olhar de conforto e de coragem. É impossível não se condoer com tanta dor. Atrás de cada vítima da covid-19 estão histórias de amor, de abnegação por uma família e a saudade doída de netos, de um filho ou uma filha.

Altruísmo. Pensar no outro. Entender que, ao utilizar uma máscara e ao adotar medidas de prevenção simples, como lavar as mãos e usar álcool em gel, reduzimos as chances de contágio, mas também impedimos que outros seres humanos fiquem doentes. Aprendemos a cuidar do próximo, mesmo que de forma inconsciente ou mecânica. Quem não se protege coloca em risco a saúde e a vida do outro. Quem se recusa a usar máscaras, principalmente por ideologia política, deve se responsabilizar pela eventual própria infecção e pela exposição de outras pessoas ao novo coronavírus.

Respeito. Principalmente pelo profissional de saúde, submetido a jornadas estafantes para monitorar e cuidar dos pacientes com covid-19. Muitos deles pereceram nas trincheiras das UTIs, depois de serem infectados pelo novo coronavírus. Os sobreviventes encaram o medo da morte, se isolam de suas famílias e vivem sob eterna pressão. A eles, o meu profundo reconhecimento e a minha gratidão. Aos enfermeiros agredidos na Praça dos Três Poderes, dias atrás, o meu constrangimento e a minha solidariedade.

Sensatez. Em momentos de pandemia, um líder não pode tratar a morte de seus cidadãos com desprezo, nem qualificar de “neurose” uma doença que causa tanta dor e tanto sofrimento. Muito menos se omitir, ao não comandar um gabinete de crise e ao não vistoriar hospitais dos estados mais atingidos. Um líder não pode colocar a economia à frente da saúde da população. Nem acreditar que, mesmo durante uma crise colossal, continua em campanha eleitoral. Também não pode criar conflito com governadores, prefeitos, congressistas e ministros do Supremo Tribunal Federal.

Humildade. Saber que um organismo invisível aos nossos olhos nos coloca diante de profundas questões existenciais, como a morte. E nos ensina a nossa real dimensão. De nada adiantam a soberba, a avareza, a ganância e o menosprezo pelo próximo diante de um vírus que ameaça a nossa existência e também reduz a nossa importância. Depois que tudo passar, e vai passar, talvez saiamos com ensinamentos.
 
 
 
 


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