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Correio Braziliense

Opinião: Saúde é a prioridade

''Em uma semana, apenas duas aulas de 50 minutos com instrutores com coronavírus resultaram em 112 casos entre alunos e familiares''


postado em 22/05/2020 04:05 / atualizado em 22/05/2020 08:39

(foto: Divulgação/Governo MG )
(foto: Divulgação/Governo MG )
Poucas atividades comerciais sofreram tanto com a pandemia do novo coronavírus quanto o mercado fitness. Com o fechamento obrigatório das academias no Distrito Federal nos últimos dois meses para evitar a propagação da doença, empresários passaram a conviver com o cancelamento em massa dos planos dos alunos e com as incertezas sobre como será o retorno da prática esportiva em ambientes fechados. Muitas redes apostaram nas lives e nas aulas on-line para manter a fidelidade dos clientes, mas o grande trabalho de comunicação que terão que fazer ainda está por vir: quais mudanças serão realizadas para torná-las um ambiente livre de qualquer risco de contaminação?

A matéria mais lida desta semana, até agora, no site do Correio Braziliense (www.correiobraziliense.com.br) ilustra bem a preocupação dos alunos. Um estudo da Universidade de Dankook, publicado na revista Emerging Infectious Diseases, aborda a  transmissão da covid-19 em aulas de dança fitness em 12 academias de Cheonan, na Coreia do Sul. Em uma semana, apenas duas aulas de 50 minutos com instrutores com coronavírus resultaram em 112 casos entre alunos e familiares. Os pesquisadores sinalizam que há um aumento exponecial do risco de contaminação em ambientes onde as pessoas precisam falar alto ou respirar intensamente, porque produzem mais gotículas de saliva ou suor.

Tal cenário não é exclusivo das aulas de dança. Praticantes de spinning, running, ginástica localizada, boxe, entre outras atividades de impacto, sabem que o constante estímulo dos professores e a transpiração excessiva fazem parte das atividades. Outras modalidades que podem ser praticadas isoladamente, como a musculação, também não estão livres de contaminação, alertam imunologistas. O uso compartilhado de aparelhos e equipamentos é um risco e precisa de limpeza frequente.

Assim, avalio que qualquer discussão sobre a reabertura de academias precisa passar pelo estabelecimento de um rígido protocolo sanitário. Haverá testagem em massa dos professores? Alunos terão que apresentar resultado negativo de covid-19 para voltar a frequentar as aulas? Quem ficará responsável pela limpeza constante de colchonetes, anilhas e aparelhos: os frequentadores ou a empresa? Como será a fiscalização? E as academias que não têm ventilação natural, apenas ar-condicionado, como ficam? São perguntas que precisarão ser respondidas. Pela segurança e saúde da população.
 
 


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