Publicidade

Correio Braziliense

Beber água ajuda comunidades rurais do semiárido

Primeiro negócio 100% social de grande empresa no Brasil, desenvolvido pela Cervejaria Ambev, destina todo o lucro para projetos de acesso à água no semiárido brasileiro


postado em 10/12/2018 19:20 / atualizado em 10/12/2018 20:15

Programa financia 28 projetos nos estados da Bahia, do Cerará, da Paraíba e do Piauí. Em janeiro, serão integrados Alagoas, Minas Gerais, Rio Grande do norte e Sergipe
Programa financia 28 projetos nos estados da Bahia, do Cerará, da Paraíba e do Piauí. Em janeiro, serão integrados Alagoas, Minas Gerais, Rio Grande do norte e Sergipe


A água, um dos insumos básicos para a sobrevivência de quase todos os seres vivos que habitam o planeta, é um recurso natural limitado: sua quantidade no mundo não aumenta e nem diminui. Então, à medida em que a usamos, precisamos tratá-la para conseguirmos reutilizar no futuro. E o processo de restauração dos padrões aceitáveis de consumo se torna cada vez mais caro. Se esses padrões de consumo continuarem os mesmos, até 2030 o planeta enfrentará um déficit de água potável de 40%, de acordo com o Relatório das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento da Água do Programa Mundial de Avaliação dos Recursos Hídricos, liderado pela Unesco.

Ao mesmo tempo, esse elemento natural é um fator crucial de desenvolvimento social e econômico dos países, pois ao contribuir com a saúde das pessoas, aumenta a qualidade de vida da classe trabalhadora e reduz os gastos do governo com saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1,8 bilhões de pessoas no mundo utilizam fontes de água contaminada.

A seca do semiárido brasileiro dificulta ainda mais a situação de algumas pessoas, que chegam a dedicar até seis horas por dia em busca de água. E com o intuito de melhorar a vida dessa parcela da população, a Cervejaria Ambev, em parceria com a Fundação Avina, que trabalha com desenvolvimento sustentável, e a Yunus Negócios Sociais, iniciativa que estimula empresas a pensarem negócios que já nascem para resolver problemas sociais, entre outros parceiros, decidiram criar uma água engarrafada que tivesse 100% de seus lucros destinados à projetos de acesso à água potável.

Água de qualidade muda a vida de famílias em regiões carentes
Água de qualidade muda a vida de famílias em regiões carentes

Tema crítico

Em março do ano passado, foi lançada a AMA, a água mineral da Ambev. Com preço similar ao do mercado e vendida em garrafas de 500ml, a divisão das vendas funciona assim: 45% vão para reposição de gastos com produção e transporte, 25% são destinados a impostos, 5% seguem para ações de marketing e vendas e 25% são lucro, sendo essa parte doada inteiramente a projetos sociais de água potável nos estados do Nordeste. O nome do projeto faz referência à ‘amana’, que significa água da chuva em tupi-guarani, e é o primeiro negócio social de grande empresa no país. “O acesso à água é um tema crítico, tanto para a população quanto para o meio ambiente. Hoje, são 35 milhões de brasileiros sem acesso à água, um recurso básico e fundamental, e é responsabilidade de todos ajudar a resolver esse problema. Não podíamos ficar parados diante dessa questão, especialmente como uma empresa que produz bebidas, tendo a água como sua principal matéria-prima", diz Richard Lee, gerente de Sustentabilidade da Cervejaria Ambev. "Assim, escolher esta causa foi natural, fundamental e a principal motivação para trabalharmos no desenvolvimento de AMA, que é mais do que um produto: é um negócio social para causar impactos positivos para a sociedade. Com a AMA, foi possível extrapolar nossos muros e conscientizar os nossos consumidores sobre o problema da seca e da falta de água em algumas regiões do país”, acrescenta. A ideia é simples, facilmente replicável por qualquer empresa, com altos níveis de eficiência e transparência.

Atualmente, o programa financia 28 projetos nos estados da Bahia, do Ceará, da Paraíba, de Pernambuco e do Piauí. Em janeiro do próximo ano, serão abarcados Alagoas, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Sergipe, chegando a todo o semiárido. Em cada comunidade é feito um diagnóstico para entender a causa principal do problema e como é possível ajudar. As soluções variam de acordo com cada caso e incluem a perfuração de poços profundos para captação de água, placas solares para baratear o custo de distribuição e garantir a sustentabilidade ambiental, a revitalização de sistemas de distribuição que estavam inoperantes, a construção de cisternas em escolas, juntamente com sistemas de reuso de águas cinzas, o manejo de hortas e as capacitações em meio ambiente.

Em cada comunidade é feito um diagnóstico para entender os problemas. Entre as alternativas, poços para captação
Em cada comunidade é feito um diagnóstico para entender os problemas. Entre as alternativas, poços para captação

Amplitude

Foi criada também a Aceleradora AMA, de amplitude internacional, em busca de soluções para a escassez hídrica. Em seu primeiro processo seletivo, ela recebeu mais de 70 inscrições de 10 países. Para a avaliação dos projetos, um dos critérios foi averiguar se a solução já havia sido testada ou prototipada. Também se mediu o impacto socioambiental, a sustentabilidade financeira, o trabalho em equipe e replicabilidade. Ao final, três ideias foram selecionadas para incubação, sendo duas brasileiras e uma italiana. Elas propunham, respectivamente, tratamento de água utilizando filtro de sisal e energia solar, um sistema de irrigação de baixo custo aliado a um sensor de umidade do solo, e condensação da umidade do ar em água potável.

“Acreditamos que, com a AMA, podemos impulsionar o mercado como um todo a repensar a sustentabilidade para além de seus negócios, com foco nas matérias-primas e sem visar apenas o lucro. É um projeto que conecta todos por uma causa maior e que conversa diretamente com o propósito da Ambev e de AMA, que é unir as pessoas por um mundo melhor”, afirma Lee. Todos os procedimentos e iniciativas são detalhados através de uma plataforma digital (www.aguaama.com.br), que contém todas as informações do produto, onde o lucro está sendo investido e qual é o andamento de cada um dos projetos. O site também possui um ‘lucrômetro’, que apresenta o valor total dedicado aos programas desde o início da AMA. Já foram milhares de garrafas vendidas, que geraram um montante de R$2,8 milhões e que impactaram 26 mil vidas em comunidades rurais do semiárido.

Além de ajudar as comunidades impactadas pela falta de água, a Ambev tem por objetivo servir de exemplo para o uso consciente da água potável. Durante os últimos 20 anos, a empresa reduziu em 45% no consumo de água nas cervejarias, criou o Projeto Bacias para recuperar e preservar as bacias hidrográficas mais importantes do país e é patrocinadora da Coalizão Cidades pela Água, liderada pela ONG The Nature Conservancy (TNC), que trabalha com a restauração e recuperação de áreas estratégicas para o abastecimento de água em grandes metrópoles.

“Em pouco mais de um ano e meio de existência, os números de AMA realmente nos dão muito orgulho. Acreditamos que o acesso à água tem o potencial de transformar a saúde, a educação, as relações sociais e a situação econômica dessas famílias. Os primeiros estudos relacionados ao Índice de Progresso Social que fizemos indicam que as comunidades que receberam acesso à água potável já mostram melhoria em outros indicadores além de água e saneamento, como saúde e necessidades básicas (por exemplo, redução de diarréia e insegurança alimentar), liberdade pessoal e de escolha (convivência com vizinhos e satisfação em relação a serviços públicos) e tolerância e inclusão (maior liberdade para as mulheres, dado que eram principalmente elas que se encarregavam da tarefa de buscar água em locais distantes, perdendo até 6h por dia para isso).E nossa meta é continuar crescendo, apoiando cada vez mais projetos, contribuindo cada vez mais para a causa do acesso à água. Essa vitória é nossa enquanto companhia, mas também de todos os consumidores que escolhem AMA”, conclui Lee.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade