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postado em 18/12/2018 15:54 / atualizado em 18/12/2018 17:40

 
Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), entidade representativa dos principais hospitais privados de excelência do país, foi criada em 11 de maio de 2001, com o objetivo de defender os interesses e necessidades do setor, bem como expandir as melhorias alcançadas pelas instituições privadas para além das fronteiras da saúde suplementar. Representante de hospitais reconhecidos pela certificação de qualidade e segurança no atendimento hospitalar, além de promover ações que transcendam os interesses das instituições associadas, a Anahp está preparada para fortalecer o relacionamento setorial e contribuir para a reflexão ampla e irrestrita sobre o papel da saúde privada no país. Enquanto entidade cidadã, a associação acredita que a saúde é o bem maior de todo indivíduo e, nesse sentido, entende que o trabalho conjunto e colaborativo, entre setores público e privado, é fundamental para entregar à população uma assistência com maior qualidade e eficiência. A cooperação planejada, baseada em uma rede integrada de cuidados contínuos, é essencial para a prestação de serviços de saúde. A partir dessa premissa, alguns pontos são importantes e contribuem para a integração entre os setores e para a sustentabilidade do sistema de saúde.

A expectativa da entidade em relação ao novo governo é de que tenha como objetivo principal prover uma assistência personalizada, integrada e acessível a todos os brasileiros, ou seja, um sistema organizado e capaz de fornecer soluções para as necessidades da população, com foco na prevenção. Espera ainda apoiar e sugerir à nova gestão algumas questões essenciais para proporcionar o desenvolvimento do setor por meio da integração público e privada, desburocratizando processos e revendo o excesso de regulamentação que levam à ineficiência e oneram ainda mais o sistema de saúde como um todo.
 
Estrutura técnica

A primeira delas é o estabelecimento de uma estrutura técnica capacitada para gestão do Ministério da Saúde e agências reguladoras. Na avaliação da entidade, o Brasil vive um momento político e econômico difícil. “Neste sentindo, a Anahp faz um apelo especial ao governo que se inicia, para que olhe a saúde com o cuidado que ela merece, uma vez que estamos falando de um bem precioso para a sociedade e de um dos setores mais representativos da economia, que movimenta mais 9% do PIB brasileiro e emprega mais de 2,3 milhões de pessoas no país”, destaca a associação. “Esperamos que este governo — que terá um desafio enorme pela frente — tenha a sensibilidade para nomear gestores com uma visão técnica do setor, que entendam de fato as peculiaridades e complexidades do sistema e estejam dispostos a trabalhar por uma saúde melhor, envolvendo e integrando os setores público e privado, construindo conjuntamente um sistema de saúde para o futuro”, continua.

O segundo pleito trata-se da maior integração público-privada, com hospitais privados, ofertando serviços, gestão e qualificação ao setor público e ao Brasil como um todo. No modelo brasileiro, a administração pública é encarregada do financiamento, gestão dos recursos e prestação direta de serviços. Para que o setor público possa concentrar seus esforços no financiamento, planejamento e controle das atividades e resultados, é importante que compartilhe a organização dos recursos e a execução das ações com o setor privado.

Eduardo Amaro, presidente do Conselho da Anahp
Eduardo Amaro, presidente do Conselho da Anahp

Público e privado 

A integração operacional entre os prestadores de serviços público e privado, na visão da associação, poderia promover o intercâmbio de experiências de gestão, a redução de esforços duplicados, a racionalização dos recursos disponíveis para atendimento à população e o alinhamento do nível de qualidade dos serviços de saúde. A valorização do setor privado na prestação de serviços de saúde no Brasil permitiria, ainda de acordo com a Anahp, maior acesso à saúde e poderia atender a uma necessidade do governo em relação a recursos humanos, por exemplo, contribuindo significativamente para integração efetiva entre os setores e a qualificação do setor.

Ambiente de negócio

Melhorar o ambiente de negócio para o setor privado de saúde, incluindo sua desburocratização e excesso de regulamentação do setor, representa a terceira demanda da entidade. “As burocracias e o excesso de regulação no setor saúde— muitas vezes com várias sobreposições pela Federação, estados e municípios, além das agências reguladoras e os diversos conselhos de classe — elevam significativamente os custos administrativos das instituições, levando à ineficiência do setor”, avalia a instituição. A Anahp entende que o alinhamento mais adequado entre os órgãos da Federação, evitando sobreposições regulatórias, inclusive entre os conselhos de classe, são fundamentais para que as instituições prestadoras de serviços de saúde se dediquem ao seu core business — que é cuidar de pessoas, proporcionando qualidade e segurança na atenção prestada ao paciente, investindo seus recursos em processos e tecnologias que possam ampliar esse propósito.

A associação avalia ainda que o setor hospitalar já sofre com excesso de regulamentações, sendo necessária a observação desse excesso de regulamentação em vez de se imaginar novas regulamentações para o setor hospitalar. “Atenção também merece ser dada à alta carga tributária já existente no setor e à desorganização que pode ser criada com Projetos de Lei como os que alteram as regras do PIS/Cofins e outros, como os que alteram as regulamentações das profissões da saúde”, destaca.

Registro eletrônico

Por último, o registro eletrônico do paciente, envolvendo setores público e privado, está entre os pleitos da Anahp. O desenvolvimento de um sistema que integre os serviços de saúde, através da interoperabilidade da informação, permitindo o uso compartilhado do prontuário eletrônico do paciente, é fundamental para reduzir as duplicidades de exames e consultas, desonerando o sistema de saúde como um todo e garantindo um cuidado integrado e integral do paciente. “A integração e a interoperabilidade dos sistemas de informação, tanto públicos quanto privados, são desafios de grande complexidade, mas trata-se de um elemento imprescindível para obter informações adequadas, que proporcionem suporte à tomada de decisões e à ação integrada e estruturada de assistência à saúde, objetivando a racionalização de custos. Além disso, otimizará os processos e possibilitará a construção de bases de informação para análises que possam subsidiar formadores de políticas, pesquisadores e profissionais, gerando conhecimento e pesquisa científica”, exalta a entidade. Para que o setor público possa efetivamente desenvolver um projeto de tal magnitude, é fundamental, no entanto, compartilhar a execução das ações com o setor privado, agregando eficiência ao sistema e melhorando as condições de acesso da população.

Entrevista 

Com Martha Oliveira, diretora executiva da Anahp 

Martha Oliveira, diretora executiva da Anahp
Martha Oliveira, diretora executiva da Anahp


Uma das principais discussões dos últimos anos entre profissionais da saúde do mundo inteiro é a entrega de valor para o paciente, tema que permeará as palestras e debates do Conahp 2019. E o grande pré-requisito para a avaliação de pesquisas, experiências e desenvolvimento de técnicas nesse sentido é a presença de uma metodologia de avaliação, que permita tanto a medição de progresso em variados aspectos quanto a comparação de desempenho entre as instituições. O Consórcio Internacional para Medição de Desfechos em Saúde (International Consortium for Health Outcomes Measurement— Ichom) é responsável pelo desenvolvimento da metodologia mais consagrada do mundo para a medição de resultados em valor, por avaliar os desfechos a partir do olhar do paciente, como ele se sente em relação ao tratamento, ao atendimento e à internação. Há dois anos, a Anahp iniciou uma parceria com o Ichom, com o objetivo de medir o desfecho de seus hospitais membros. A diretora executiva da associação, Martha Oliveira, fala sobre a importância desse projeto para o Brasil. Confira os principais trechos da entrevista a seguir.

Como surgiu a parceria com o Ichom?

Foi da necessidade de medir o desfecho de acordo com o que importa para o paciente. Uma coisa é você medir resultado, outra é medir o resultado por meio do olhar do paciente para uma intervenção ou uma internação. E o Ichom é essa possibilidade. Ele começou pela Universidade de Karolinska, na Suécia, e por Harvard, nos Estados Unidos, mas hoje tem a Inglaterra, a Índia, a Finlândia, o México, a Colômbia. É uma metodologia mundial, usada em vários países, que possibilita uma comparação entre os hospitais de vários lugares, o que é muito importante.

E o que o Ichom tem de diferente dos outros indicadores de desfecho?

O desfecho e o acompanhamento posterior são realizados por meio do relato do próprio paciente, que a gente acompanha meses e até anos depois da internação. Então, nós conseguimos perceber a qualidade de vida dele e o resultado na vida real.
Tudo expresso por ele e com os valores dele. É uma forma muito mais interessante de se medir desfecho, que está sendo discutida no mundo inteiro. A Anahp trouxe isso para o Brasil e hoje nós somos uma das instituições mundiais com o maior número de hospitais participantes. Já são 12 unidades hospitalares participando efetivamente e várias outras se preparando para começar.
 
E como funciona essa participação? O que é preciso fazer?

É um projeto voluntário, logo o hospital precisa se organizar para fazer isso. Então, primeiro é preciso ter a vontade de participar do projeto. Segundo: o monitoramento é realizado por patologia e existe um protocolo para cada uma delas, mas nem todos os protocolos cabem em todos os hospitais, por exemplo, um protocolo de pediatria em um hospital que não tem essa especialização, então isso precisa ser organizado. Por fim, é preciso ter uma equipe que vá se responsabilizar pela coleta e pela análise desses dados, por isso é necessária uma preparação do hospital.

E existe alguma perspectiva de quantos hospitais associados devem aderir?

Nós incentivamos todos aqueles que desejam participar, então nossa expectativa é chegar a 100% dos hospitais membros da Anahp.
 
E existe algum país cujos índices possam servir de inspiração para o Brasil?

Esse benchmarking mundial, que é a forma de se comparar mundialmente, ainda está sendo construído pelo Ichom, mas o importante é o seguinte: para cada protocolo, provavelmente vai ter um país que se destaca, não vai ser uma coisa uniforme. E o interessante é isso, você trocar informações entre os países, entre as instituições, entre os hospitais. Entender o que fez com que aquele país se destacasse naquele protocolo e como nós podemos fazer também para poder melhorar é importante. 

Falando em experiência, que importância teve o Conahp 2018 nessa discussão?

Acredito que o Conahp trouxe a importância de a gente discutir efetividade, de como melhorar o nosso sistema como um todo, cada player do setor, como nós podemos contribuir para melhorar a assistência, e para isso é preciso se aproximar cada vez mais do paciente. O Ichom, na verdade, tem muito mais relação com o Conahp do ano que vem, em que a gente vai falar de valor para o paciente. Nós vamos debater o que é esse valor. Como os hospitais podem, de alguma forma, ajudar a organização e a coordenação do sistema de saúde por meio desse valor para o paciente? E o Ichom é, talvez, o ápice disso, o modelo em que pega o resultado do desfecho por meio da fala do próprio paciente, do que ele conseguiu perceber como bom e de como aquilo atingiu a qualidade de vida dele.

Quais são as perspectivas para o Conahp 2019?

É a gente discutir de verdade o que significa valor. É trazer e resgatar o como trabalhar de forma mais articulada no sistema de saúde e o como formar essas redes de atenção, que são tão importantes para o cuidado integral do paciente, e, por fim, como juntar essas duas coisas para que o resultado final seja melhor para ele. Eu tenho certeza de que vai ser um Conahp bem diferente, maior, com mais convidados internacionais e onde vamos trazer muito a experiência do que está acontecendo lá fora para poder aplicar aqui.

E qual a importância dessa reflexão para o sistema privado?

Nós achamos que precisa haver uma maior integração entre o sistema público e o privado. Essa troca de experiência, de gestão, de discussão de qualidade, precisa permear os dois sistemas. E a Anahp se sente um pouco responsável também por isso, por trazer essa discussão para o Brasil de alguma forma. E para que isso valha obviamente para os nossos hospitais, mas que ultrapasse essa fronteira para atingir outros hospitais privados e os outros públicos do sistema de saúde. Esse trabalho ultrapassa as fronteiras do que a gente considera a associação, por um sistema de saúde melhor e mais sustentável.

Fórmula para a felicidade

Um dos palestrantes confirmados para a próxima edição do Conahp, em novembro de 2019, cujo tema é Saúde baseada na entrega de valor: o papel do hospital como integrador do sistema, é o especialista em psicologia positiva Shawn Achor. Ele é mestre em artes pela Universidade de Harvard, escritor, pesquisador do comportamento humano relacionado à felicidade, e vai falar sobre como um cérebro feliz aumenta a qualidade de vida. Em busca da fórmula do sucesso, ele percorreu mais de 50 países em três anos, realizando atividades com mais de 100 instituições, empresas e escolas em situação de crise financeira, incluindo a NFL, a NBA, o Pentágono e a Casa Branca. Sua pesquisa gerou dois trabalhos: um sobre felicidade, que foi capa da publicação Harvard Business Review; e outro sobre trabalho em situação de stress, em parceria com a Universidade de Yale, que foi publicado no The Journal of Personality and Social Psychology. 

Shawn Archor, especialista em psicologia positiva
Shawn Archor, especialista em psicologia positiva

Ele concluiu que a maneira como relacionamos sucesso e felicidade está prejudicando a nossa saúde mental. “A fórmula de sucesso em todos os lugares que visitei era: quanto mais duro eu trabalhar, mais sucesso eu terei e, com o sucesso, vou ser feliz”, conta. O problema é que toda vez que certo nível de sucesso é atingido, é preciso se esforçar mais para alcançá-lo novamente. “Se você tirou uma nota boa, vai precisar de uma melhor, se entrou em uma boa escola, precisa conquistar uma vaga melhor, se tem um bom emprego, precisa de um cargo melhor... Então, se a felicidade está sempre após o sucesso, você nunca vai atingi-la”, completa. 

Shawn afirma que apenas 25% da capacidade de uma pessoa arrumar um emprego é baseada em QI, o resto do sucesso profissional é pautado em otimismo, suporte social e na habilidade de enxergar estresse como um desafio, e não como uma ameaça. “Por mais que eu conheça todos os aspectos externos da sua vida, eu só consigo prever cerca de 10% das suas condições de felicidade, essa é a porcentagem que o mundo determina sobre o que você sente. Os outros 90% são derivados de como você enxerga o mundo, e se nós mudarmos isso, mudarmos essa fórmula de sucesso e felicidade, podemos afetar a realidade”, aponta. “Um cérebro feliz é 31% mais produtivo e criativo do que um cérebro pressionado”, completa. 

Em seu trabalho, o pesquisador sugere um experimento para revolucionar o formato do pensar: anotar três coisas por dia pelas quais é grato, para que seu cérebro reviva boas experiências e passe a mudar o foco para coisas positivas; praticar atividades físicas, para ensinar ao cérebro que o comportamento importa; meditar para ajudar o cérebro a superar a hiperatividade causada pela nossa vontade de fazer várias coisas ao mesmo tempo e trabalhar a concentração; e, por fim, realizar atos aleatórios de gentileza, que ampliam a capacidade de gratidão e geram ondas de positividade no mundo.


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