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Correio Braziliense

Ensino prazeroso é uma evolução constante

Cecan utiliza tecnologias e gamificação para explorar as diferentes qualidades dos alunos e incentivar o aprendizado autônomo

Apresentado por

CECAN

postado em 22/10/2018 15:53 / atualizado em 22/10/2018 18:19

A geração que nasceu em um mundo imerso em tecnologias enxerga a vida de uma maneira diferente, pois não conhece fronteiras virtuais e tem uma grande facilidade de adaptação. Os chamados nativos digitais são os irmãos mais novos dos millennials: eles transitam com muita naturalidade entre variadas telas, gostam de videogames, amam esportes, querem viajar bastante e aprender vários idiomas, estão sempre conectados na internet e ela é sua principal fonte de entretenimento. Eles usam regularmente as redes sociais e conseguem respostas para todas as perguntas através do Google. Tudo isso influencia a vida escolar e as instituições precisam desenvolver novas estratégias de ensino para tal.
 
“As crianças hoje são muito impacientes, estão acostumadas com informações vindas de vários canais e é muito difícil manter a atenção delas. São a geração Netflix, para eles o conteúdo está todo disponível e, quando não gostam de algo, trocam”, explica o coordenador de projetos e inovações do Centro de Ensino Candanguinho (Cecan), Rogério Fadul. A escola entende que a melhor maneira de lidar com seus novos alunos e atender à Base Nacional Curricular Comum, que prega o uso de diferentes linguagens para exercitar a curiosidade intelectual, a investigação, a criatividade e a análise crítica; é por meio de metodologias ativas. 
 
 
 
Esse modelo de ensino tem por objetivo mesclar tecnologias e ambientes digitais com o espaço da sala de aula para propor desafios, incentivando os alunos a buscar conhecimento de maneira autônoma e divertida. “Eu costumo usar o jogo de detetives da Scotland Yard, em que os alunos precisam descobrir um crime, o autor e o objeto utilizado. Para cada dica, eles precisam responder a uma pergunta de biologia”, conta Fadul, “eles precisam trabalhar em equipe, designar funções para cada integrante do time, buscar as respostas na internet e trabalhar de maneira eficiente, para serem mais rápidos do que os outros grupos”, completa. 
 
O uso de brincadeiras para estimular o aprendizado permite inúmeras possibilidades. A gamificação é uma das metodologias ativas que faz uso das características de um jogo, inseridas na dinâmica de uma aula de conteúdo, por exemplo: a presença de fases com aumento de dificuldade, os prêmios e o limite de tempo. “Transformar a aula em algo divertido, com competições e medalhas, faz com que o aluno fique mais motivado e participativo, o que aumenta muito o nível de aprendizagem, principalmente ao comparar com uma aula expositiva padrão”, diz Fadul. Os projetos desenvolvidos podem ser tanto para conteúdos específicos quanto interdisciplinares, a fim de abordar temas globais, como sustentabilidade.
 
 
A escola faz parte da rede Sistema Educacional Brasileiro S.A. (SEB) e, em cada unidade do país, há uma sala chamada GrowUP, com mobília móvel, quadro com rodinhas e espaço para brincadeiras. Os professores podem filmar as aulas desse espaço e compartilhar em um sistema interno com outros integrantes da rede, construindo um depositório de ideias inovadoras, onde podem buscar por inspiração, avaliar o que está exposto e pensar maneiras de adaptação. Duas vezes por ano, o Cecan também faz um treinamento tecnológico com seus professores, além de reuniões semanais para analisar novidades e discutir os possíveis usos de novos aplicativos.
 
 
As atividades exigem que as crianças identifiquem habilidades diferentes e tentem entender como combiná-las com as de seus colegas, para conseguirem atingir seus objetivos. “Alguns alunos possuem raciocínio mais rápido, outros sabem se expressar melhor, outros são mais organizados e tem aqueles que possuem mais facilidade com os aplicativos, e nem sempre o grupo com as pessoas mais inteligentes ganha, justamente por não saberem trabalhar em equipe”, conclui o coordenador. As propostas também auxiliam no desenvolvimento socioemocional, “brincando elas aprendem a compartilhar, e as interações ensinam sobre respeito, solidariedade, valores e a importância única de cada indivíduo, que também ajuda com a autoestima”, explica a Coordenadora Pedagógica Reinalda Machado.  
 
O desenvolvimento psicológico e motor é trabalhado com o auxílio das aulas de natação que fazem parte da grade horária regular de alunos da alfabetização e fundamental 1. Além de ensinar seus alunos a técnica das quatro modalidades principais do esporte (crawl, costas, peito e borboleta), a professora Andréa Pereira realiza treinamentos de sobrevivência na água e brincadeiras reflexivas, tanto para desenvolver a criatividade e a capacidade de solução de problemas, quanto para ensinar o respeito às diferenças, colaboração, resistência e a superação de medos. “Nadar por nadar, qualquer academia tem e por uma mensalidade baixa, a minha aula tem valor. E eu acho que é esse o diferencial da escola, essa relação participativa que forma indivíduos pensantes”, declara a atleta.
 
 
O pensamento crítico também é muito incentivado no ambiente escolar. O Projeto Foco no Estudo leva profissionais das mais variadas áreas para trabalhar possíveis temas da redação do Enem, apresentando rodas de conversa sobre os diferentes pontos de vista e incentivando o debate entre os estudantes. “Nós já abordamos fake news, saúde mental, direitos humanos, sustentabilidade e também situações atuais. Quando teve o assassinato da Mariele, nós trouxemos advogados e professores de direito, e no início do ano, com o Fórum Mundial da Água, convidamos os organizadores a virem aqui”, conta a coordenadora pedagógica Raquel Sousa, “a ideia é eles se interessarem pelos temas, pesquisarem e tirarem suas próprias conclusões”, completa. 
 
Camila Furtado é ex-aluna do Cecan e hoje está no quarto semestre de psicologia na faculdade e conta que “as aulas, com certeza, são mais interessantes e eficientes do que uma aula expositiva normal. Não vamos atrás de informações só para passar em uma prova, mas principalmente para conhecimento pessoal, para entender melhor o mundo”. A diretora, Rose Bernardi, conclui: “nós precisamos parar de pensar sobre as formas de ensino e começar a falar sobre formas de aprendizagem, o foco deve ser os alunos”, afirma.

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