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Correio Braziliense

Inovação educacional vai muito além da aquisição de tecnologias

A Casa Thomas Jefferson é pioneira em novas tendências de educação no DF e sua equipe de inovação ressalta a importância da capacitação do profissional para garantir que sejam identificadas oportunidades nas ferramentas disponíveis


postado em 06/12/2018 10:39 / atualizado em 11/12/2018 17:09

O mundo está sofrendo modificações bruscas em períodos cada vez mais curtos. Os padrões de vida, o mercado de trabalho e as maneiras de pensar que antes se estendiam por séculos inteiros, hoje não são transmitidos nem para a geração seguinte. Nos últimos 100 anos, o planeta passou por quatro revoluções industriais, e as relações de trabalho têm se adaptado praticamente em tempo real às novas demandas sociais. Estima-se que 60% das crianças que estão em fase escolar hoje trabalharão em profissões que ainda não existem, e há uma preocupação global com o preparo desses jovens para a vida adulta. “O ensino tradicional já está em descompasso com a realidade do mercado atual, imagine para um futuro que vai exigir competências que ainda não são desenvolvidas”, afirma Lucia Santos, diretora executiva da Casa Thomas Jefferson, centro binacional sem fins lucrativos dedicado ao ensino da língua inglesa no Distrito Federal e regiões próximas. “Hoje você tem crianças do século XXI, professores do século XX e instituições educacionais do século XIX.  As escolas precisam estar atentas às mudanças para permanecerem motivadoras e relevantes para o aluno”, completa.
 
Os alunos de hoje já nasceram imersos em tecnologia, com acesso ilimitado a qualquer tipo de informação, velocidade muito mais rápida de pensamento e multimodalidade de estímulos oriundos das mais diferentes mídias e oportunidades. O modelo escolar direcionado para a produção em massa, criado na primeira revolução industrial, em que eles sentam em carteiras enfileiradas, decoram conteúdos padronizados e precisam levantar a mão para fazer qualquer coisa não se encaixa mais nesse perfil. “Alguns professores reclamam que o aluno não presta atenção, que não fica quieto, não segue as instruções, mas o que temos que fazer para mudar isso? Nada cai do céu”, conta Lucia. Para superar essa situação, a Casa Thomas Jefferson aposta no uso das redes para o desenvolvimento de projetos inovadores. “É o poder das conexões. Hoje temos acesso a tudo que as pessoas estão fazendo ao redor do mundo. Tudo é compartilhado por meio de Twitter, Ted Talks, publicações acadêmicas, e nós precisamos acompanhar isso, interagir e acrescentar”, explica Clarissa Bezerra, especialista em inovação da instituição, “a ideia é romper barreiras e pensar coletivamente”, acrescenta. 



Clarissa trabalha na instituição há 20 anos.  Já foi professora, coordenadora pedagógica e agora é curadora de inovações. Ela acredita que os profissionais de educação hoje precisam se conectar mais e usar suas redes sociais de maneira profissional para compartilhar conhecimento. “Foi-se o tempo em que um profissional conseguia deter toda a informação. Não existe mais isso. É preciso alavancar o poder da rede e saber confiar nele. Além de ter o conhecimento, é importante saber como acessá-lo quando você precisa”, diz. A Thomas sempre foi muito interessada nos avanços de tecnologia educacional - foi a primeira escola do Distrito Federal a implantar tablets em sala de aula.

No entanto, uma grande preocupação hoje é diferenciar avanços tecnológicos de inovação. “Uma caneta é uma tecnologia, um quadro negro é uma tecnologia, um quadro interativo é uma tecnologia. Se o professor não sabe utilizar para o proveito do aluno, não serve para nada. Não adianta eu colocar um tablet ou um computador na mão de uma pessoa que não sabe o que fazer com aquilo”, ilustra a curadora, “muitas escolas por aí investem rios de dinheiro em salas equipadas, aparelhos de última geração e laboratórios e acham que estão acompanhando as inovações do mercado, mas não é bem assim. A inovação não é a ferramenta em si, mas o que o educador faz com ela”, completa. É preciso ter capacitação pedagógica, metodológica e um letramento digital para ver na tecnologia oportunidades de uso e para preparar o aluno para ter intimidade com as ferramentas, ao ponto de não ser apenas um consumidor dos conteúdos que ela proporciona, mas também um desenvolvedor e criador de projetos, alavancando seu processo de aprendizagem e sua interação com o conhecimento. O novo objetivo das escolas deve ser empoderar o aluno a usar a tecnologia para achar a sua voz, descobrir novas habilidades e compartilhar aprendizados. “A tecnologia só vai substituir o professor que se recusa a utilizá-la. O papel do professor não é mais de detentor do conhecimento, mas de facilitador - aquele que desenvolve as habilidades para navegar nesse mundo”, declara. “A habilidade que o professor mais precisa hoje é a de aprender”, completa. 

  

A Thomas possui um domínio Google For Education, uma solução tecnológica desenvolvida para englobar diversas ferramentas educacionais gratuitas com o objetivo de aperfeiçoar o ensino e atrair cada vez mais os alunos, dentro e fora da sala de aula, a partir de um dispositivo conectado à internet. Vários profissionais da escola também possuem certificados de Google Educator, Google Trainer e Google Innovator, capacitações direcionadas ao desenvolvimento de habilidades educativas e organizacionais para lidar com as novas gerações e saber aproveitar o máximo de oportunidades que o mundo atual oferece. “Eu sou da turma mais recente de Google Innovators do Brasil, e nós temos a proposta de desenvolver um projeto de inovação com a mentoria do Google. O nosso se chama Vision 2020, ou seja, uma visão de 2020 para a Thomas, que tem como objetivo elevar o nível da fluência e a competência digital dos nossos professores”, conta Clarissa. Cada unidade da escola conta com pelo menos um professor responsável, chamado mentor de inovação, que auxilia os demais membros do corpo docente no uso das novas tecnologias e sugestões de atividades. Os educadores também passam por um monitoramento constante da equipe pedagógica, que identifica o que é preciso melhorar e promove capacitações. Além disso, realizam encontros pedagógicos, seminários e até conferências internacionais de educação e tecnologia.
 
Durante a última conferência da International Society for Technology in Education (ISTE), que aconteceu em Chicago em junho deste ano, a equipe de inovação da Thomas conheceu a Fundação JDO, uma organização não governamental que promove a interação entre estudantes bilíngues do mundo inteiro para o desenvolvimento de projetos sociais. Os alunos entram em contato com outros alunos de escolas parceiras de outros países por meio de conferências online e trocam experiências, e os professores também realizam uma capacitação mútua para o desenvolvimento harmônico dos trabalhos. “As turmas interagem por meio de vídeo conferência.” Os alunos também se comunicam one-on-one utilizando iPads para conversar com os parceiros de projeto”, conta Clarissa. “E é uma forma de amizade. Esses dias, eles fizeram uma troca de receitas: nós fizemos as comidas típicas deles e eles fizeram as nossas, foi muito legal!”, acrescenta. Esse programa de interação está em fase piloto com alunos do Teens 6, “a gente encuba e nossos consultores pedagógicos fazem todos os ajustes necessários para que o projeto tenha sucesso e seja significativo.”, explica a profissional em inovação.




As interações ocorrem em uma sala chamada Experience Space, um espaço diferenciado de aprendizagem com puffs, sofás, almofadas, estações de trabalho flexibilizadas para diversas atividades e paredes de lousa que podem ser rabiscadas com giz. A sala foi projetada para oferecer o máximo de recursos para a elaboração dos mais diferentes projetos que os professores e alunos desejem experimentar. 
“Temos também um Makerspace, que foi inaugurado em 2015, mas desde 2013 embarcamos na cultura Maker em todas as unidades, levando nossos alunos a abraçar a cultura DIY. Hoje temos esse conhecimento bem estruturado e compartilhamos com outras instituições que nos procuram.”, afirma Lucia Santos. Esse espaço de criação também é aberto à comunidade, e os parceiros da escola o utilizam para oficinas, workshops, narrativas, feiras e outros projetos, tanto em inglês quanto em português.
 
Outra consultoria que a Thomas oferece às escolas é a implementação de um programa bilíngue. No ensino fundamental, o Thomas Bilíngue ou o Thomas Bilingue for Schools, uma consultoria oferecida às escolas de todo país;  para o  ensino médio, o High School - no qual o estudante recebe dupla certificação - a brasileira e a americana, uma opção  que tem sido muito requisitada por pais e alunos nos últimos anos.  A instituição também oferece o programa de High School dentro da Thomas. 


 

Inovação desde a raiz

Em meio a tantas possibilidades de ferramentas e processos de aprendizagem, a Thomas optou por apresentar um novo formato de educação bilíngue para crianças de 3 a 14 anos, chamado Bilingual Adventure. “Enquanto em um curso tradicional você consegue visualizar uma linha do tempo e saber quando foi exatamente que o aluno aprendeu determinado conceito, em um contexto bilíngue isso não ocorre. O aluno aprende de maneira espiralada. Ele aprende um conteúdo, retorna a ele em outro momento e o expande”, explica Denise De Felice, gerente da unidade Lago Sul e responsável pelo projeto. O que traz suporte ao projeto é a metodologia chamada Content and Language Integrated Learning (CLIL – Aprendizagem centrada na integração de conteúdo e linguagem), em que os assuntos abordados em sala são escolhidos pelos próprios alunos, com base em curiosidade e interesse pessoal, e buscados em uma plataforma internacional de dados. 

Essa metodologia é utilizada ao redor do mundo, e o grande diferencial da escola foi se preocupar com o desenvolvimento integral do aluno. “Há um consenso quando se fala em inovação sobre os quatro pilares básicos, os chamados 4Cs: pensamento crítico, colaboração, comunicação e criatividade. O aluno que não adquire essas habilidades não conseguirá se desenvolver no novo mercado. Então, nosso projeto é elaborado de forma a capacitá-los a terem uma ideia, pensando no contexto social onde vivem, para solucionar um problema em equipe”, conta Denise. O projeto propõe experiências imersivas, sensoriais e que desenvolvem vários tipos de habilidade. “Recentemente, os meninos estavam aprendendo sobre astronomia e construíram uma estação espacial no trepa-trepa do parquinho, com tanque de oxigênio, base de comando, tudo com objetos reciclados, e lá dentro eles exploraram várias situações do cotidiano dos astronautas”, relembra.

O interessante é que, nesse formato, cada criança pode seguir seu próprio ritmo de aprendizado e, ao mesmo tempo, as que possuem facilidade para aprender novos conteúdos também são constantemente desafiadas. “Em um contexto de ensino tradicional, esse aluno  pode se achar superior, não saber dividir, e achar tudo muito fácil. No Bilingual Adventure, esse aluno aprende a trabalhar em grupo e a respeitar as dificuldades dos colegas para realizar qualquer tarefa”, aponta a coordenadora do projeto. Outro conceito que passa a ser retrabalhado é a ideia de fracasso: “em um modelo tradicional, os alunos que erram tiram zero, são criticados e rotulados. E, com isso, nós vemos a sociedade mergulhando em depressão. As taxas de suicídio são cada vez maiores porque as pessoas não aprendem a lidar com a frustração”, diz, “e nós tentamos passar para o aluno que falhar faz parte da aprendizagem, que é preciso experimentar, tentar, errar, e que ele não vai ser criticado por isso”, completa. Denise cita o filósofo John Dewey, um dos pais das metodologias ativas que estão guiando a educação de vanguarda e que veem o erro como motor da aprendizagem: não é a experiência que conta, mas o processo de pensar ao longo dela. 




Serviço
Casa Thomas Jefferson 
 
Telefone: 3442 5500
Site:thomas.org.br

 
 

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