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Estado de Minas

Reação dos pilotos intriga especialistas

Segundo estudiosos, a tripulação do Airbus A330 pode não ter percebido que o avião estava caindo


postado em 28/05/2011 08:51

Embora descreva com detalhes os últimos momentos do Airbus A330 no ar, a transcrição das conversas entre os pilotos intriga quem entende do assunto. Para o professor Moacyr Duarte, especialista em análise de acidentes e controles de emergência do Instituto Alberto Luiz Coimbra da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), a impressão é de que a tripulação não tinha consciência de que a aeronave estava em queda. “Pelas outras fitas de caixas-pretas que já ouvi, sempre com vozes desesperadas, a última fala de um piloto para o outro (Vamos lá. Você tem os comandos) demonstra total desconhecimento do que estava acontecendo”, destacou.

Além de admitir a falta de percepção de queda — o que não pode ser considerado um equívoco da tripulação, mas uma situação fisiológica denominada desorientação espacial —, Moacyr confirma a falta de preparo dos pilotos em reagir a falhas eletrônicas, como os problemas nas sondas de velocidade e o desligamento do piloto automático.

“Parece que a aeronave negou informações. Pilotos são muito bem preparados para intervenções, mas não para falhas de interpretação do sistema.” Apesar disso, o especialista descarta qualquer erro em relação às manobras executadas pelos integrantes da cabine para tentar fazer a aeronave subir. “Os instrumentos apagavam e voltavam com informações falsas, mas o primeiro registro mostra que o piloto fez exatamente como diz o manual.”

Outra contradição a ser desvendada pelas equipe de investigação é o trajeto de aviões próximos ao local da pane. Imagens divulgadas pelo Escritório de Investigações e Análises (BEA, pela sigla francesa) mostram que outras quatro aeronaves que passaram pela mesma zona de turbulência enfrentada pelo Airbus na noite do acidente desviaram do ponto mais crítico de formação de nuvens. Esse foi um dos quesitos questionados pelo pesquisador de engenharia mecânica da Coppe-UFRJ José Roberto Brito de Souza, que destacou a necessidade de outras respostas. “Depois do acidente, a Airbus mandou trocar as sondas Pitot de seus aviões. Por que não foi feito antes, uma vez que já havia relatos dos próprios franceses de problemas na medição de velocidade?”

Integrante da equipe da universidade que averigua o comportamento dos tubos Pitot, o estudioso destaca que as sondas passam uma das informações essenciais para o controle de uma aeronave e podem ter levado ao desligamento do piloto automático, fazendo com que os pilotos precisassem assumir o controle. “O desligamento do piloto automático ocorreu porque o software da aeronave não teve informações de velocidade e retornou o controle para manual”, acredita.

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