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Correio Braziliense

PM flagra deputado distrital na contramão

Segundo boletim feito por policiais militares, Cristiano Araújo dirigia do lado contrário de via pública, próxima ao Conjunto Nacional, e estava “aparentemente embriagado”. Parlamentar nega


postado em 01/05/2008 11:20 / atualizado em 01/05/2008 11:34

Documento retirado de um computador da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) registra que o distrital Cristiano Araújo (PTB) foi flagrado às 4h26 da madrugada de 22 de novembro dirigindo na contramão, próximo ao Conjunto Nacional de Brasília (CNB). Segundo o texto, o parlamentar “aparentemente estava embriagado”. De acordo com o boletim, o político encontrava-se em seu Toyota Hilux SW4, de placa JGZ 4894 DF, “sem condições de conduzir veículo em via pública”. Ainda segundo o registro, ao ser parado pela equipe da Polícia Militar, o deputado telefonou para o então chefe da Casa Militar, coronel Edson Soares de Lima, para pedir ajuda. O oficial teria pedido ao comandante da viatura, cabo Larry, que ajudasse o distrital. Cristiano então foi levado até sua casa, no Lago Sul, pelos policiais militares. O caso foi denunciado ontem no programa de rádio Na polícia e nas ruas, do ex-deputado distrital Sílvio Linhares (PMDB). Ele teve acesso ao documento que lhe foi passado por policiais militares insatisfeitos com a condução do caso, na condição de se manterem no anonimato. De acordo com o artigo 306 do Código de Trânsito Nacional, “conduzir veículo automotor, na via pública, sob a influência de álcool ou substância de efeitos análogos, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem” é crime, com pena de detenção, de seis meses a três anos e proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir. Mesmo assim, Cristiano teria sido poupado de uma ocorrência na Polícia Civil, que resultaria na possível abertura de um processo criminal. O deputado distrital se diz vítima de uma armação política, num momento em que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) está em fase final de julgamento de uma ação sobre irregularidades na sua campanha eleitoral. O distrital sustenta que a história foi distorcida. Ele confirma ser sua a Toyota Hilux e também ter dirigido naquela via — N1 ao lado do Conjunto Nacional. Mas nega ter estado na contramão e embriagado. Ligação Cristiano relata que voltava de um jantar com amigos e se sentiu mal na madrugada. Conta ter bebido “um pouco”, mas não ao ponto de alterá-lo. Ele tomou, então, a iniciativa de chamar uma viatura da PM que passava pelo caminho para pedir que fosse transportado para casa. E afirma que a princípio os policiais relutaram em levá-lo porque não poderiam deixar o posto de serviço. “Então liguei para o coronel Edson, que é meu amigo, e pedi que ele me ajudasse”, conta Cristiano. Ele também confirma que a ligação foi feita na madrugada. A partir daí, a história contada pelo distrital bate com o documento da PM. Um policial pegou a direção da caminhonete de Cristiano e o levou para casa. O carro da polícia foi seguindo atrás. “Se eu estivesse embriagado, eles teriam me prendido”, afirma o distrital. “Não entendo por que só agora, depois de cinco meses, essa história veio à tona. Só posso imaginar que há algum interesse de me prejudicar”, acrescenta. O Correio tentou contato com o coronel Edson, mas não conseguiu retorno. A assessoria de comunicação da PM afirmou ontem que vai averiguar o que ocorreu, porém diz que é difícil comprovar se realmente houve a ocorrência porque o sistema de informática mudou desde o ocorrido.

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