postado em 05/05/2008 20:00
A Câmara e o Senado suspenderam nesta segunda-feira as sessões plenárias em conseqüência da morte do deputado Ricardo Izar (PTB-SP), que presidia o Conselho de Ética da Câmara. Izar morreu na tarde de sexta-feira, em São Paulo, vítima de falência múltipla dos órgãos.
Em apenas dez minutos de sessão, os deputados aprovaram votos de pesar à família de Izar. Os parlamentares presentes no Senado também fizeram discursos de homenagem ao deputado - mas os senadores Álvaro Dias (PSDB-PR) e Epitácio Cafeteira (PTB-MA) trocaram farpas durante as homenagens ao parlamentar.
Cafeteira ficou irritado com Dias depois que o tucano decidiu fazer um discurso sobre a "crise ética" no governo federal desencadeada pelos episódios de mau uso dos cartões corporativos. "Quero, em homenagem ao já saudoso deputado Ricardo Izar, que foi presidente do Conselho de Ética num período em que a tragédia ética se abatia sobre o Congresso Nacional [no caso do mensalão] fazer a leitura de um discurso em que abordamos os abusos dos cartões corporativos e a quebra da autoridade moral", disse.
Irritado com a postura de Dias, Cafeteira pediu a retirada de seu requerimento de homenagens pela morte do petebista. "Queria pedir ao presidente que, se for preciso, retire meu requerimento. Eu quis prestar uma homenagem a um companheiro de partido falecido agora, e está transformado em assunto político", afirmou.
Dias reagiu ao afirmar que Izar "não perdoaria determinados atos praticados em nome do governo" no que diz respeito às irregularidades com cartões corporativos. "Eu sempre devotei o maior respeito ao senador Epitácio Cafeteira, meu amigo há tantos anos. Confesso que não compreendo esse seu gesto inusitado, já que o que fiz foi realmente prestar uma homenagem. Cada um presta homenagem da forma que melhor lhe aprouver."
Silêncio
Na Câmara, os deputados fizeram um minuto de silêncio em homenagem a Izar. O regimento da Casa Legislativa prevê a suspensão das sessões plenárias em caso da morte de parlamentares. O deputado Mauro Benevides (PMDB-CE) ressaltou o trabalho de Izar na presidência do Conselho de Ética --onde se destacou no julgamento dos processos de cassação de deputados acusados de envolvimento no escândalo do mensalão.
"A postura equilibrada e serena, mesmo nos instantes de mais exacerbação, despontava para restabelecer a serenidade nos debates, garantindo aos auscultados o legítimo direito de defesa. Por isso, Ricardo Izar tornou-se figura acatada por diversas bancadas", afirmou.
Já o senador Marco Maciel (DEM-PE) disse que Izar se destacou na vida pública desde as eleições de Tancredo Neves para a Presidência da República. "Foi o instante em que forças políticas distintas se uniram, com o objetivo de fazer com que o país voltasse ao Estado de direito e, mais do que isso, pudesse realizar uma constituinte", ressaltou.